POLÍTICA

Diretor-geral da PF afirma que sanções dos EUA geraram prejuízos à investigação envolvendo o PCC

3 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Andrei Rodrigues disse que Operação Exchange foi antecipada após governo Trump apontar movimentação financeira de brasileiros suspeitos de ligação com facção criminosa

Andrei Rodrigues em entrevista ao programa Roda Viva — Foto: Reprodução/TV Cultura

A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções contra brasileiros e empresas apontados como operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) antecipou uma operação da Polícia Federal e comprometeu parte da investigação, afirmou nesta sexta-feira (3) o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

— De fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, talvez teríamos localizado essa pessoa e, infelizmente, não localizamos. Então, houve um prejuízo à investigação”, disse Andrei, ao ser questionado sobre os impactos das sanções anunciadas pelos Estados Unidos — disse.

A Operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira para desarticular uma organização suspeita de lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, incluída na quarta-feira (1º) na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por supostos vínculos com o PCC.

O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como operador financeiro da organização, continua foragido.

O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF (Dicor), Dennis Cali, afirmou que Shimada já era alvo de investigações da Polícia Federal antes mesmo da decisão do governo americano. Segundo ele, a representação da PF e a decisão judicial que autorizou as medidas cautelares são anteriores ao decreto dos Estados Unidos que passou a equiparar facções criminosas a organizações terroristas.

— Essa investigação e a representação são anteriores, inclusive, ao decreto do governo americano. Há uma investigação em curso nos Estados Unidos e outra no Brasil. Em razão dessa publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje — afirmou.

De acordo com Cali, a PF ainda realizava diligências para confirmar informações e localizar o investigado quando decidiu antecipar a operação.

— Tivemos algumas questões operacionais de identificação do alvo, algumas confirmações que estavam em curso, mas adiantamos a operação. Ele é um operador financeiro e já existem elementos de prova sobre sua participação — disse.


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