SAÚDE

Ebola na RD Congo tem taxa de mortalidade de 23% em quase um mês após início da epidemia

18 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Dado do Centro Africano para o Controle e a Prevenção de Doenças aponta que doença já deixou mais de 200 mortos

Divulgação/AP

Mais de 200 pessoas morreram vítimas de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), pouco mais de um mês após a declaração da epidemia, informou nesta quinta-feira (18) a agência de saúde da União Africana.

O Centro Africano para o Controle e a Prevenção de Doenças (Africa CDC) registrou que 202 pessoas morreram em consequência do vírus, de um total de 875 casos confirmados, o que representa uma taxa de mortalidade de 23%.

Na última terça-feira (16), autoridades de saúde alertaram que a doença pode piorar significativamente, podendo durar até um ano e infectar milhares de pessoas. O surto na RD Congo é um dos principais desta epidemia, onde a desconfiança nas autoridades e a violência nas regiões orientais têm dificultado a capacidade dos profissionais de saúde de ajudar a população.

O pior surto de Ebola já registrado ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental e matou mais de 11.000 pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em entrevista ao The New York Times, Bruno Michon, que está gerenciando a resposta ao Ebola no Congo pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, afirmou que o surto levaria meses para ser contido e, potencialmente, até um ano, caso as taxas de infecção continuem a aumentar. A doença se espalhou do Congo para Uganda.

As dificuldades têm início ainda no diagnóstico, uma vez que há falta de capacidade de atendimento, além de desinformação sobre os cuidados e como e quando procurar atendimento médico. Essa falta de dados torna ainda mais difícil saber como a epidemia está se espalhando.

Em 15 de maio, a RDC declarou um surto de Ebola, o 17º registrado no país, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) ativou o alerta sanitário internacional dois dias depois. O surto também chegou à vizinha Uganda, onde foram confirmados 19 casos, incluindo duas mortes, segundo dados disponíveis no início desta semana.

Não existe nem vacina, nem tratamento aprovado contra a rara cepa Bundibugyo, responsável por esta epidemia.



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