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Documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro passe a viver nos Estados Unidos por tempo indeterminado

O governo dos Estados Unidos concedeu Green Card ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que vive no país desde o início do ano passado. A informação foi noticiada pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira e confirmada pelo GLOBO. O documento permite que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passe a viver no território por tempo indeterminado, sem necessidade de autorizações especiais para trabalhar ou estudar, por exemplo, no país.
O visto de residência permanente é um documento que se outorga aos imigrantes autorizados a estarem indefinidamente no país. A obtenção de um visto desse tipo pode demorar décadas, e requer um processo meticuloso.
Aliado da família Bolsonaro, o jornalista Paulo Figueiredo confirmou ao GLOBO a concessão do Green Card a Eduardo.
Ele afirma que o pedido da documentação ocorreu há mais de um ano. O visto, no entanto, foi concedido apenas neste mês após Eduardo comprovar cumprir requisitos pré-determinados para obtenção do documento.
Após a concessão do visto permanente, Eduardo disse à coluna Igor Gadelha, do Metrópoles, que se sente “seguro” nos Estados Unidos.
— Só tenho a agradecer ao governo Trump pela consideração. Segui o processo, atendi os critérios e agora chegou o resultado. Eu vim para os EUA para passar apenas alguns dias e acabei tendo que me exilar aqui por conta da perseguição no Brasil. Sinto-me seguro, pois aqui os abusos do Alexandre (de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal) não valem de nada — afirmou.
A concessão ocorre em meio a tensão entre Brasil e Estados Unidos diante das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. O movimento do governo de Donald Trump culminou em críticas do secretário de estado Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe. Segundo o americano, o petista “colocou seu próprio ego acima da possibilidade de fechar um acordo em benefício do bem-estar do povo brasileiro”.
No mês passado, Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coagir magistrados e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro. Eduardo foi acusado de tentar inviabilizar o julgamento da trama golpista, ocasião em que Jair Bolsonaro, seu pai, foi condenado a 27 anos de prisão.
O STF impôs uma pena de quatro anos e dois meses de prisão a Eduardo, em regime inicial semi-aberto, assim como uma multa de 100 salários-mínimos. O colegiado ainda determinou a inelegibilidade imediata do ex-deputado por 8 anos, a partir da data do fim da pena.
Eduardo está fora do Brasil desde fevereiro do ano passado. Ele entrou nos Estados Unidos com um visto de turista, o que lhe permitia seguir em solo americano por cerca de seis meses. O ex-parlamentar alegava supostas perseguições do Judiciário brasileiro.
Para driblar as limitações do visto que possuia até então, o bolsonarista dizia à época que pretendia solicitar asilo político ao governo Trump, já que esta é uma forma de conseguir o green card. Naquele momento, Jair Bolsonaro defendeu que o filho “é muito mais útil para o Brasil lá fora do que aqui dentro”.
A previsão de aliados, à época, era a de que o filho 03 do ex-presidente retornaria ao Brasil em julho ou agosto deste ano, próximo às eleições, para disputar Senado por São Paulo ou compor uma chapa à Presidência com o apoio do pai.
Desde então, Eduardo teve o mandato parlamentar cassado por faltas e perdeu o cargo público como escrivão da Polícia Federal.
BS20260720191415.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/20/eduardo-bolsonaro-recebe-green-card-do-governo-trump.ghtml

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