POLÍTICA

Em prisão domiciliar, Bolsonaro recebe Valdemar para discutir candidatura de Carlos e substituto de Eduardo em SP

29 de agosto, 2025 | Por: Agência O Globo

Ex-presidente recebeu, pela primeira vez, o dirigente nacional do PL

Bolsonaro e Valdemar — Foto: Beto Barata/ Partido Liberal (PL)

Em sua primeira visita a Jair Bolsonaro desde que o ex-presidente foi colocado em prisão domiciliar, o dirigente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, esteve na manhã desta quinta-feira na residência de Bolsonaro, em Brasília. O encontro teve como objetivo tratar de estratégias eleitorais e do planejamento do partido para 2026, principalmente no que diz respeito ao Senado Federal.

O plano de Bolsonaro é eleger o máximo de aliados para a Câmara Alta, com o objetivo de construir uma bancada anti-Supremo. Nesse cenário, a oposição teria quórum para aprovar eventual impeachment de ministros.

Durante a reunião, o destino dos familiares do ex-presidente também foi discutido. O senador Flávio Bolsonaro concorrerá à reeleição pelo Rio de Janeiro, e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, deve disputar pelo Distrito Federal. A família, contudo, busca emplacar mais dois integrantes em cargos estratégicos.

O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, pode disputar uma vaga em um de três estados: Santa Catarina, Espírito Santo ou Roraima. O plano, no entanto, enfrenta resistência de aliados. Carlos chegou a participar de manifestações em Santa Catarina no início do mês, mas Júlia Zanatta e Carol de Toni já têm perfil consolidado para a vaga. No Espírito Santo, Magno Malta quer lançar sua filha, Magda, e Evair de Melo também disputa espaço. Atualmente, o cenário mais aberto para o filho 02 é em Roraima.

A situação do deputado federal Eduardo Bolsonaro também foi pauta da conversa. Tido como favorito em São Paulo, Eduardo está nos Estados Unidos desde março e corre risco de perder o mandato por faltas. Durante o encontro, Valdemar ponderou que Eduardo dificilmente conseguirá se viabilizar. Há receio de que, caso retorne ao Brasil, possa ser preso, uma vez que é investigado por articular sanções a autoridades brasileiras. Como alternativa, o PL estuda lançar Marcos Pollon, hoje deputado federal pelo Mato Grosso do Sul.

Valdemar teria reforçado que será necessário buscar um substituto para disputar em São Paulo, e que a escolha do nome alternativo será feita com cautela, visando garantir força eleitoral ao partido em um estado considerado estratégico.

A visita de Valdemar integra a agenda de articulações do PL para consolidar a unidade interna e reforçar a base de apoio a Bolsonaro. Na segunda-feira, outro integrante da cúpula do partido, Altineu Cortes, já havia se reunido com o ex-presidente, reforçando o diálogo direto entre a liderança do PL e Bolsonaro.

As eleições presidenciais ainda não foram discutidas. Bolsonaro mantém discurso de candidato, apesar de estar inelegível por decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo relatos, tem demonstrado cada vez menor resistência à possibilidade de um substituto. Hoje, o nome que mobiliza a classe política é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Caso seja escolhido, ele deixaria o Republicanos e se filiaria ao PL, em um acordo que possivelmente faria com que deputados puxadores de votos da legenda de Bolsonaro migrassem para a comandada por Marcos Pereira.

Essa sequência de encontros em meio à prisão domiciliar indica que o partido pretende manter Bolsonaro como parte central de sua estratégia eleitoral, alinhando candidaturas estaduais e chapas proporcionais com ele. Fontes próximas à reunião afirmam que o clima foi de articulação pragmática, sem decisões definitivas, mas com sinais claros de que a cúpula busca minimizar disputas internas e fortalecer nomes considerados viáveis para as eleições.


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