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Brasileiro tenta chegar à primeira semi de Grand Slam na carreira e igualar o feito de Bia Haddad em 2023

“O sonho continua”, celebrou João Fonseca após resistir a mais uma batalha, desta vez contra Casper Ruud, e avançar às quartas de final de Roland Garros. E, diante do cenário que se desenha, por que não acreditar? Desde a vitória sobre Novak Djokovic — maior campeão de Grand Slams da história, com 24 títulos — na terceira rodada, o brasileiro de apenas 19 anos parece ter criado uma conexão especial com a imponente quadra Philippe-Chatrier. Mais do que isso: passou a figurar entre os candidatos ao título do Grand Slam parisiense.
Embora mantenha os pés no chão, João tem pela frente adversários que merecem respeito, mas estão longe de integrar a categoria dos “imbatíveis”, hoje representada por nomes como Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, atuais líderes do ranking. A prova de que o caminho está aberto na reta decisiva é o próximo desafio do brasileiro, que busca chegar à primeira semifinal de Grand Slam da carreira. O tênis brasileiro não tem um representante nessa fase desde Beatriz Haddad Maia, que chegou às semifinais de Roland Garros em 2023. Entre os homens, o último foi Gustavo Kuerten, há 25 anos.
Nas quartas de final, ele enfrentará hoje, não antes das 15h15 (de Brasília), outro representante da nova geração que também não está habituado a frequentar as fases finais dos Grand Slams: o tcheco Jakub Mensik, que explodiu de vez no circuito ao conquistar o Masters 1000 de Miami diante de Djokovic, no ano passado.
Os dois se conhecem bem: jogaram justamente na quadra dura e coberta do Next Gen ATP Finals de 2024, torneio que reúne os oito melhores tenistas de até 20 anos. Na ocasião, João levou a melhor e terminou a competição com o título. Em Roland Garros, o cenário será completamente diferente, o que, em teoria, favorece o brasileiro na combinação dos estilos de jogo.
— Mensik é um jogador que depende muito do saque para conseguir a primeira bola e atuar da forma como se sente mais confortável. No saibro de Roland Garros, porém, com a quadra mais lenta, o saque costuma fazer menos diferença. Esse pode ser um ponto favorável para João, que terá mais chances de entrar nos pontos por meio da devolução, atacando a primeira bola quando puder ou simplesmente neutralizando o saque quando vier mais veloz — destaca Sylvio Bastos, comentarista da ESPN Brasil.

Diferentemente de Mensik, que fará sua estreia na Philippe-Chatrier nesta edição de Roland Garros, João não precisará passar por um período de adaptação à quadra central. O brasileiro disputará sua terceira partida no principal palco do torneio, onde já derrotou Djokovic e Ruud.
Apesar de conhecer melhor os atalhos da quadra, João chega às quartas de final com uma carga maior de tempo de jogo do que os demais tenistas de seu lado da chave. O brasileiro acumula 14h29 em Roland Garros, contra 13h de Mensik. No caminho até esta fase, disputou duas partidas de cinco sets, diante de Dino Prizmic e Djokovic, e só venceu sem perder sets na estreia, contra o francês Luka Pavlovic. Ainda assim, a questão física deixou de ser uma preocupação para João, que tem demonstrado uma evolução significativa.
Levando isso em consideração, Sylvio acredita que a experiência acumulada por João nas últimas duas semanas, aliada aos desafios que já enfrentou e superou, o credencia a seguir avançando no torneio. Para ele, o jovem tem nível para competir de igual para igual com qualquer adversário em uma eventual semifinal, seja o alemão Alexander Zverev, atual número 3 do mundo e principal favorito ao título, ou o espanhol Rafael Jodar, ambos já conhecidos dele.
BS20260602030139.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/06/02/embalado-joao-fonseca-ve-chave-abrir-com-surpresas-em-roland-garros-e-sonha-alto-diante-de-mensik-nas-quartas-de-final.ghtml

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