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Endividamento recua no DF em junho, mas inadimplência segue acima da média nacional

16 de julho, 2026 | Por: Fecomércio-DF

O Distrito Federal encerrou junho de 2026 com 79,7% das famílias endividadas, percentual praticamente estável em relação a maio (79,6%) e inferior à média nacional, de 81,6%.

Apesar disso, a situação financeira das famílias brasilienses continua inspirando atenção, pois os indicadores de inadimplência permanecem muito acima do restante do país, evidenciando que o problema local não está no acesso ao crédito, mas na capacidade de pagamento das dívidas. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor do Distrito Federal (Peic-DF), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Na comparação anual, observa-se uma forte expansão do endividamento. Em junho de 2025, 72,0% das famílias do Distrito Federal possuíam algum tipo de dívida; um ano depois esse percentual alcançou 79,7%, representando 841.845 famílias. Entre elas, 14,8% se consideram muito endividadas, 29,1% classificam-se como mais ou menos endividadas e 35,7% afirmam estar pouco endividadas.

O dado mais preocupante da pesquisa é a evolução da inadimplência. Metade das famílias endividadas do Distrito Federal (50,0%) possui contas em atraso, o equivalente a 527.848 famílias, enquanto a média brasileira permaneceu em apenas 29,9%. A diferença de mais de 20 pontos percentuais revela que o comprometimento financeiro das famílias brasilienses é significativamente mais grave do que o observado no restante do país.

Outro indicador reforça esse quadro. No Distrito Federal, 20,4% das famílias afirmam que não terão condições de quitar suas dívidas no próximo mês, frente a 12,2% na média nacional. Em números absolutos, isso representa aproximadamente 216 mil famílias que já reconhecem dificuldades concretas para restabelecer o equilíbrio financeiro.

Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, os resultados mostram que o mercado consumidor do Distrito Federal continua resiliente, mas enfrenta um desafio crescente relacionado à qualidade do crédito. “Os elevados índices de inadimplência e de incapacidade de pagamento das famílias endividadas do DF evidenciam que muitas já alcançaram seu limite financeiro. Esse cenário exige atenção, pois compromete o consumo, reduz a capacidade de recuperação do varejo e limita o crescimento econômico. Por isso é importante apoiarmos iniciativas de educação financeira e programas de renegociação de dívidas, contribuindo para restabelecer um ambiente de crédito mais saudável e sustentável para consumidores e empresas”, avalia Aparecido.

Faixa de renda

A análise por faixa de renda mostra que a pressão financeira permanece concentrada nas famílias de menor renda. Entre aquelas com rendimento de até dez salários mínimos, 85,7% estão endividadas, contra 66,7% das famílias com renda superior. A inadimplência também é mais intensa nesse grupo: 55,9% possuem contas em atraso, enquanto entre as famílias de maior renda o percentual cai para 38,2%. Além disso, 26,6% das famílias de menor renda declaram não conseguir pagar suas dívidas no próximo mês, mais que o dobro dos 10,1% observados entre as famílias de renda superior.

O cartão de crédito permanece como a principal modalidade de endividamento, presente em 83,1% das famílias endividadas do Distrito Federal, seguido pelo crédito pessoal (14,3%), carnês (14,0%), financiamento de veículos (12,9%) e financiamento imobiliário (9,6%). O predomínio do crédito rotativo evidencia que boa parte das famílias continua utilizando linhas de financiamento de maior custo para sustentar o consumo corrente.

Outro aspecto relevante é a persistência das dívidas. Entre as famílias inadimplentes do Distrito Federal, 50,2% possuem contas vencidas há mais de 90 dias, enquanto o comprometimento médio com dívidas alcança 8,1 meses, superior à média nacional de 7,2 meses. Esses indicadores sugerem que o processo de deterioração financeira tem caráter estrutural e tende a dificultar a recuperação do consumo das famílias ao longo dos próximos meses. (Fonte: Fecomércio-DF – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal).

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