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Em primeira reunião após eleição, Copom mantém taxa básica, eleva projeção de inflação e não dá pistas sobre dezembro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve ontem a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a série de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual que começou em março. A decisão foi unânime e confirmou a aposta da maioria dos economistas. Foi a primeira reunião do comitê depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Veja o que o BC sinalizou no comunicado.
O BC passou a cortar juros depois de deixar a Selic em 15%, o patamar mais alto em quase 20 anos, por dez meses, de junho de 2025 a março de 2026. Nos comunicados anteriores, o Copom chamava esse movimento de “ciclo de calibração” e dizia que sua extensão total seria definida conforme novas informações.
A expressão não aparece no texto desta quarta-feira. O comitê afirma que a decisão é compatível com levar a inflação “para o redor da meta” e descreve a Selic atual como “substancialmente contracionista”, ou seja, alta o bastante para frear a economia. Mesmo com a pausa, os juros estão no nível mais baixo desde março de 2025, quando a taxa era de 13,25%.
O comitê registra que a inflação cheia e a média dos núcleos, medidas que excluem itens mais voláteis, aceleraram e ultrapassaram o limite superior da meta. O IPCA subiu 0,82% em setembro, e o acumulado em 12 meses foi a 4,58%.
Em agosto, o índice havia registrado deflação de 0,32%, com acumulado de 4,22%. A meta é contínua, de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo. O IPCA de outubro será divulgado em 12 de novembro.
Segundo o comunicado, as estimativas do mercado coletadas pelo boletim Focus subiram para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027. Na reunião de setembro, estavam em 4,9% e 4,3%. A projeção do próprio BC para o segundo trimestre de 2028, o atual horizonte relevante, passou para 3,5%. O horizonte relevante é o prazo em que uma mudança na Selic tem efeito pleno sobre a inflação.
Em setembro, a projeção para o horizonte da época, o primeiro trimestre de 2028, era de 3,2%. O número pesa porque a conta usa a trajetória de juros esperada pelo mercado, que embute novos cortes: o Focus divulgado na terça-feira previa Selic de 13,50% no fim deste ano e de 12,50% no fim de 2027. Nesse caminho, a inflação ficaria acima do centro da meta. O BC alerta que expectativas desancoradas encarecem a desinflação.
Entre os riscos de alta para a inflação, o Copom cita uma combinação de políticas externa e interna com impacto maior que o previsto, por exemplo via uma taxa de câmbio “persistentemente mais depreciada”. O comunicado não menciona a eleição. Mas a reunião ocorreu dias depois de os mercados reagirem com força à vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), em 25 de outubro.
No dia seguinte, o dólar subiu 8,36% e fechou a R$ 5,4066, e os contratos de juros futuros para 2031 chegaram a avançar até 3 pontos percentuais. No Focus desta semana, a projeção para o dólar no fim do ano saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34.
O BC repete que acompanha como a política fiscal afeta os juros e os preços dos ativos. Também lista como risco estímulos à demanda, “em particular ao componente de consumo”, que levem a economia a crescer acima do potencial e reduzam a eficácia dos juros. O texto não cita medidas. Em setembro, o governo reajustou o Bolsa Família em 15%, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. O custo estimado é de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027. O conjunto de medidas do período inclui ainda o Desenrola 3.0 e ações para microempreendedores individuais.
Para o Copom, o cenário externo ficou mais adverso com o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que pressionam o petróleo e derivados, e com juros mais altos nas economias avançadas.
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou os juros em setembro, a primeira alta em mais de três anos, e os manteve na faixa de 3,75% a 4% em 28 de outubro. Juros maiores nos Estados Unidos tendem a atrair capital de países emergentes e pressionar o câmbio. O BC diz que esse quadro exige cautela desses países.
É o principal argumento a favor de cortar juros. O comitê agora vê uma “moderação mais acentuada” da atividade, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, e um mercado de trabalho com sinais de desaquecimento na margem.
Em setembro, o texto falava em moderação gradual, com atividade resiliente e mercado de trabalho aquecido. Entre os riscos de baixa para a inflação, o BC cita uma desaceleração doméstica mais forte que a projetada, um esfriamento global e a queda das commodities. Ainda assim, o comitê optou pela pausa diante da piora das expectativas.
O Copom não indicou o próximo passo. Diz apenas que seguirá acompanhando o cenário “para manter a restrição adequada” e que o momento exige “serenidade e cautela”. O comitê volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro, no último encontro previsto para 2026. A ata, com mais detalhes do debate, sai às 8h da terça-feira seguinte à reunião, no dia 10. Antes da decisão, a mediana do Focus apontava um corte até o fim do ano, com a Selic em 13,50%.
BS20261105102505.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/11/entenda-em-8-pontos-a-decisao-do-bc-de-interromper-os-cortes-de-juros-mantendo-selic-em-1375percent-ao-ano.ghtml

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