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Estudo da Ação da Cidadania aponta 32% dos profissionais não conseguem garantir uma alimentação adequada
Sete em cada dez (72%) entregadores de comida por aplicativo do Rio de Janeiro e São Paulo não realizaram contribuições previdenciárias no ano passado. Esse dado revela uma situação de vulnerabilidade desses trabalhadores, especialmente porque 66,6% são os principais responsáveis pela renda da família. Além disso, 41% já sofreram acidente de trabalho, que gerou em 16% dos casos de afastamento das atividades profissionais. Esses números são de uma pesquisa inédita da Ação da Cidadania.
A rotina desses trabalhadores é intensa: dos 1.700 entrevistados, 56,7% trabalham todos os dias e 56,4% passam mais de nove horas por dia nas ruas. Para 91,5% deles, essa é a ocupação principal, e mais de 86% não exercem nenhuma outra atividade profissional.
Rodrigo “Kiko” Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania, aponta que a assistência que deixa de ser feita pelas empresas de aplicativo de entrega passam a ser descontado de assistências sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas); e de serviços públicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS):
– Com esse modelo de relação trabalhista, o Estado acaba financiando o lucro da empresa porque ela não está pagando por esses serviços essenciais para os trabalhadores. Ou seja, as empresas deveriam estar sendo responsabilizadas por questões trabalhistas e previdenciárias.
Para Kiko, os entregadores acabam aceitando essas condições de trabalho por uma falsas sensação de liberdade de horário e produção.
– Essas pessoas se sentem livres em relação a horário, mas elas não percebem que, para conseguir tirar algum dinheiro, precisam trabalhar todos os dias — avalia
Mesmo dedicando tanto tempo ao trabalho, 13,5% vivem em restrição alimentar moderada ou grave, um índice superior à média nacional de 9,4%. Além disso, 32% estão em situação de insegurança alimentar, ou seja, três em cada dez entregadores têm dificuldades para garantir uma alimentação adequada.
Os custos da profissão ajudam a explicar esse cenário. Quase todos os entrevistados (99%) pagam do próprio bolso o plano de dados para acessar o aplicativo de entregas. A maioria (93,4%) não têm seguro para o celular.
Outros dados que chamam atenção é que 90,6% não possuem seguro de vida e 90% não contam com plano de saúde.
O seguro do veículo também é um gasto difícil de bancar: 67,6% afirmam que não possuem essa proteção.
Dessa forma, os custos com ferramentas de trabalho recaem exclusivamente sobre o entregador, que ainda precisa arcar com despesas fixas de moradia e alimentação.
A pesquisa revela ainda o perfil dos entregadores: 93,9% são homens e 67% são negros. Além disso, mais de 92% não estão na universidade e 76,4% concluíram somente o ensino fundamental ou médio.
Ainda segundo a pesquisa, a maior parte (60,2%) têm entre 18 e 29 anos, o que indica uma grande presença de jovens nesse setor.
O especialista avalia que esse perfil tem como principal causa os efeitos do racismo estrutural no mercado de trabalho.
– A gente percebe claramente que as pessoas negras e mais pobres estão acessando esses empregos porque falta oportunidade. Elas são vítimas de racismo de todas as formas e não conseguem um emprego que pague bem – opintou Rodrigo “Kiko” Afonso.
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