
Fim da escala 6×1: Senado faz hoje segunda sessão para discutir proposta
Texto precisa de 49 votos em duas votações e, se for aprovado sem mudanças, é promulgado
Presidente tem dito que candidato do PL era contra proposta e discussão no Senado

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, rebateu nesta quarta-feira as cobranças feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que se posicionasse sobre o fim da escala 6×1. Flávio afirmou ser favorável a que trabalhadores tenham mais tempo de folga, mas evitou declarar apoio à PEC que trata do tema e disse que a mudança “não vai adiantar” se vier acompanhada de desemprego ou endividamento.
A declaração foi dada após uma reunião com integrantes da federação formada por União Brasil e PP, que formalizou apoio à candidatura de Flávio no segundo turno. Na terça-feira, Lula havia usado a discussão da proposta no Senado para criticar o adversário, afirmando que Flávio era contrário à medida e cobrado uma posição do PL sobre a votação.
— Depois de quatro anos de governo, ele quer correr para apreciar uma matéria como essa. Está pensando em eleição. É óbvio que eu sou a favor de que o trabalhador tenha um tempo de folga, para almoçar com a sua família, ir à praia no final de semana, viajar. Só que nada disso vai adiantar se estiver todo mundo endividado ou desempregado. Tem que ter responsabilidade — afirmou Flávio.
Na terça-feira, Lula havia citado nominalmente Flávio e o PL ao defender o avanço da proposta. O presidente afirmou que a votação serviria como um “primeiro teste” para mostrar a posição do partido e disse que o adversário teria de decidir se orientaria sua bancada a favor da mudança.
Ao responder ao petista, Flávio relacionou a discussão sobre a jornada de trabalho à situação econômica dos trabalhadores e defendeu a redução da tributação sobre a folha de pagamento. Também acusou Lula de tentar acelerar a análise da proposta por interesse eleitoral.
— Se ele estivesse pensando no trabalhador, já tinha reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento, para o trabalhador ficar com seu dinheiro. Se estivesse pensando no trabalhador, não estava gastando desse jeito e jogando o juro oficial lá para a Lua, endividando o trabalhador. Lula deixou todo mundo endividado e chega com mais uma promessa de picanha dessa que não vai resolver a vida de ninguém — disse.
Flávio, porém, não respondeu se orientará a bancada do PL a votar a favor da PEC, ponto sobre o qual havia sido cobrado por Lula. O partido deve se reunir nesta quarta-feira para discutir a estratégia diante da votação.
A proposta começou a ser discutida no plenário do Senado na terça-feira e precisa passar por cinco sessões de discussão antes de ser submetida à votação em primeiro turno. A previsão é que essa etapa seja concluída na próxima semana. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha para colocar a PEC em votação também na próxima semana, possivelmente na quinta-feira. Finalizada esta etapa, serão necessárias mais cinco sessões de discussões antes da análise em segundo turno.
O candidato do PL defendeu, na terça-feira, a proposta alternativa, apresentada pelo seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). O texto estabelece a jornada flexível de trabalho, com remuneração por hora, seguindo negociação entre empregado e empregador.
Flávio também criticou a medida provisória editada pelo governo Lula que proibiu as bets e afirmou que a iniciativa gera insegurança jurídica para empresas e clubes de futebol. Segundo o candidato, companhias que pagaram para operar no mercado regulado foram surpreendidas pela mudança das regras, com reflexos sobre contratos de patrocínio.
— Ele agrediu a segurança jurídica, agrediu os clubes, diversas empresas. Você imagina uma loja que vende camisa de time pelo Brasil inteiro tendo que jogar fora o seu estoque porque a camisa tem a propaganda de uma bet — afirmou.
O candidato defendeu uma distinção entre empresas regularizadas e apostas ilegais e disse que o combate deveria se concentrar nas plataformas que atuam fora das regras. Flávio também criticou o uso de uma medida provisória para promover a mudança, mas evitou dizer se votaria contra o texto no Congresso.
— Como é uma medida provisória, daqui a quatro meses ela pode caducar, deixar de existir, e as bets voltarem novamente. Essa é a marca do governo Lula: ele cria o problema e, pensando em votos, aparentemente desfaz o problema. Nada garante que o problema não volte ali na frente. Esse é um problema que o Congresso tem que discutir com muita calma — disse.
Flávio afirmou ainda que as plataformas ilegais devem ser alvo de fiscalização e criticou o tratamento dado pelo governo às empresas que passaram pelo processo de regulamentação.
BS20261007144125.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/07/escala-6×1-flavio-rebate-lula-e-diz-que-mais-folga-nao-adianta-com-trabalhador-endividado-ou-desempregado.ghtml

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