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Canal de sustentação ao presidente foi alvo de decisão do Tribunal Superior Eleitoral, mas levantamento mostra que grupo favorável ao senador compartilha conteúdos falso com mais frequência

Amplificados após o prime”, com mais de 4 milhões de seguidores, foi alvo de representação de Flávio, sob argumento de que espalhava fake news, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, chegou a ordenar sua retirada do ar. A medida, porém, foi revertida posteriormente pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.inco mensagens com esse teor no “Exército do Lula”.
A análise se deu sobre 1.011 publicações realizadas no grupo lulista, criado antes do primeiro turno pelo deputado André Janones (Rede-MG), e em 230 do canal bolsonarista, que só foi aberto neste mês, como reação à ofensiva da campanha petista nas redes sociais. Proporcionalmente, a desinformação é oito vezes mais frequente no canal dos apoiadores de Flávio. Janones, entretanto, admite que tinha o padrão de apagar mensagens no grupo, mas nega que tenha publicado fake news.
Nesta quinta-feira, no processo em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, suspendeu o canal “Exército do Lula”, a chapa do PT pediu que o tribunal aplique a mesma regra em relação ao canal da campanha de Flávio Bolsonaro.
Assim como no caso do canal “Exército do Lula”, o canal de campanha de Flávio Bolsonaro foi indicado à Justiça Eleitoral apenas recentemente, motivo pelo qual deveria cumprir o mesmo período de “suspensão” aplicado pelo Presidente do TSE à rede “Exército do Lula”.
Entre os exemplos de desinformação publicados no grupo lulista está um áudio, enviado na segunda-feira, em que o deputado diz que Lula teria criado a Marcha para Jesus (o presidente sancionou lei que criou o dia da marcha em 2009, mas ela já existia desde 1993). Em outra publicação, de 28 de setembro, Janones compartilhou um vídeo do seu Instagram em que dizia que Flávio reduziria o pagamento aos aposentados, informação que foi negada pelo candidato.
— Pessoal, urgente, você que é aposentado: Flávio Bolsonaro vai diminuir o valor das aposentadorias de todo o país. Não é mentira não, não é fake news, acabei de sair do Ministério da Fazenda, tô com informações oficiais, quem tiver duvidando pode pesquisar aí que vai ver. O coordenador da campanha do Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, ele garantiu que vai fazer a desindexação do valor das aposentadorias do salário mínimo. Sabe o que isso significa? O valor das aposentadorias vai diminuir, não vai ser mais obrigado a aumentar ela sempre que aumentar o salário mínimo — afirma Janones no vídeo.
Nesta quinta-feira, a publicação também saiu do ar após decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, que afirmou que as alegações do parlamentar não eram verdadeiras.
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O grupo “Exército de Lula”, com mais de 4 milhões de seguidores, foi alvo de representação de Flávio, sob argumento de que espalhava fake news, e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, chegou a ordenar sua retirada do ar. A medida, porém, foi revertida posteriormente pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Na terça-feira, em nova decisão sobre o canal, Nunes Marques autorizou o funcionamento após a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrar a ferramenta na Justiça Eleitoral como um endereço oficial de comunicação. As publicações, contudo, só devem ser retomadas na quinta-feira.
Antes de autorizar a retomada do grupo, Nunes Marques encomendou um parecer técnico à Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, que informou ao presidente da Corte não ter identificado o compartilhamento de informações que foram classificadas pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) como fake news. A análise, contudo, se deu nas postagens feitas entre 2 e 11 de outubro.
Já no grupo “Tropa do Flávio”, que tem 1,7 milhão de seguidores, foram encaminhados vídeos com alegações falsas, a maioria com críticas a Lula e sua campanha, como a imagem de uma jovem que aparenta estar usando cocaína em uma manifestação a favor do petista neste domingo.
O vídeo enviado no domingo, que já foi apagado do canal, era atribuído à página “MSP Brazil”, com mais de 449 mil seguidores no X. O conteúdo mostrava uma jovem de cabelo vermelho levando um cartão para o nariz, com o texto “Militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”. A imagem, no entanto, foi gravada na despedida do cantor de rock argentino, Indio Solari, que morreu no dia 5 de junho.
Nesta segunda-feira, foi compartilhada uma imagem em que uma funcionária de limpeza apaga pichações em São Paulo após a manifestação do domingo. “No final a conta sobra para o trabalhador”, diz a legenda. A foto, no entanto, foi gerada por inteligência artificial, segundo a Agência Lupa.
Outro vídeo, enviado no sábado, traz críticas às queimadas registradas no país na última semana, acusando o governo federal de descaso com a situação. Em um trecho é exibida uma manchete do site “G1”: “Ministério Público de Contas pede investigação sobre atuação do governo no combate a queimadas no Amazonas”. Diferentemente do que o conteúdo leva a acreditar, no entanto, a investigação não é sobre a atuação do governo Lula, e sim do governo do Amazonas.
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Além disso, também são frequentes no grupo vídeos de falas de Lula tiradas de contexto, como a publicação com legenda: “Lula quer que o Brasil seja respeitado no Crime Organizado”. A publicação é um corte da sanção da lei antifacção, em que o presidente agradece aos parlamentares pelo “passo importante para que o Brasil seja um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado”.
O compilado exibe ainda um vídeo retirado de contexto, em que Lula teria dito “a gente que não acredita em Deus”. No entanto, o conteúdo usa a sonoridade semelhante da palavra “há” para distorcer a fala.
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Nesta quarta-feira, o canal fez outra publicação em que diz que Lula prometeu picanha mas entregou osso. Em seguida, o vídeo mostra imagens do que chama de “fila do osso”. As imagens, entretanto, são de uma ação de doação de alimentos realizada no Ceará em 2010. O responsável pela ação também distribui pães, refeições prontas e panetones, por exemplo.
Além do compartilhamento de desinformação, o levantamento mostra semelhanças entre os dois canais. Ambos, por exemplo, adotaram um léxico “bélico” para se comunicar: no caso do grupo do Janones, por exemplo, 150 dos 696 textos analisados pelo GLOBO usam termos que remetem a contextos militares, como “soldados”, “território inimigo” e “contra-atacar”. Em algumas das mensagens, o deputado federal ordena, por exemplo, que os integrantes do canal ajudem a espalhar a hashtag “#DIREITATERRORISTA” ou a “ocupar o território” nos comentários de uma página.
A maioria das publicações impulsionadas pelo canal “Exército do Lula” não vai para páginas oficiais de campanha, mas para a página pessoal de Janones ou para páginas associadas a ele. Ao todo, 64% de todos os links para o Instagram têm como destino aumentar o engajamento do próprio deputado e não o da campanha.
Na “Tropa do Flávio”, o ritmo de publicação é menor que o do canal de Janones. O pico registrado foi de 38 posts, no dia 8 de outubro, quando o canal buscava alcançar a marca de meio milhão de seguidores em 24 horas. Enquanto no Exército do Lula o intervalo mediano entre publicações é de um minuto, na Tropa do Flávio chega a 15 minutos.
Diferentemente do “Exército do Lula”, que é basicamente administrado apenas por Janones, a “Tropa do Flávio” tem áudios e vídeos de diversos políticos bolsonaristas, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Julia Zanatta (PL-SC). Em áudio enviado na segunda-feira, a deputada deu uma missão aos apoiadores e orientou-os a arrancar cartazes adversários após as manifestações no domingo.
— Se você encontrar um cartaz falando uma mentira sobre o Flávio… arranque esse cartaz, joga no lixo — diz a parlamentar.
BS20261015122809.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/10/exercito-do-lula-x-tropa-do-flavio-canais-de-apoiadores-exploram-tom-belico-e-desinformacao-veja-analise-dos-posts.ghtml

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