
Gourmet Brasília
Rodrigo Leitão
Dia Internacional da Tequila
Nesta sexta é celebrada a bebida milenar, criada pelos Maias, onde hoje é o México e que pode ser servida em qualquer ocasião quando se deseja um drink refrescante

Eu sei que ninguém perguntou, mas, em 2022, eu pedalei mais do que 550 km. Para quem não pedala, e não fica por aí contabilizando a vida, pode até parecer um feito. Pra quem pedala a sério, é ridículo de tão pouquinho. Pra mim foi grande. Na infância, passei longe de ser da turma dos […]
Eu sei que ninguém perguntou, mas, em 2022, eu pedalei mais do que 550 km. Para quem não pedala, e não fica por aí contabilizando a vida, pode até parecer um feito. Pra quem pedala a sério, é ridículo de tão pouquinho. Pra mim foi grande.
Na infância, passei longe de ser da turma dos Goonies – de lá pra cá na minha Caloi Ceci -, já adulta também não tive a fase ciclovia. Mas no último julho, me bateu tardiamente esse gosto. Foi nas férias em Recife. Minha mãe mora em frente a um desses postos de aluguel de bicicleta do Itaú e um dia, de manhã bem cedinho, as meninas dormindo, o céu nublado me desconvidando pra praia, mainha no supermercado, desci pra ajudar o tempo passar.
Meu Google linha do tempo tá aqui me dizendo que naquela terça-feira foram 12 km. Nos outros dias das férias repeti a operação mesmo quando fez sol. Voltei pra São Paulo com a marca da camiseta e da meia na canela (bem mirim) e 98 km na conta. Agosto e setembro foram fracos, mas em outubro eu desandei.
Ou melhor, em outubro eu andei! Vinte minutinhos à noite, vez por outra, uma horinha no sábado ou no domingo. Até que a frequência foi crescendo, a ponto de reconhecer os frequentadores assíduos do Parque Minhocão, de me tornar uma, de perceber a falta do capacete da menina e a sua troca de namorados, de desviar do buraquinho na altura da primeira subida sem nem pensar, de dar conta da reforma do terceiro andar do prédio azul e discordar da cor que escolheram pra sala. Nada a ver.
No sábado chequei o Google, estava em 512 km. Ocorre que gosto de número redondo, vocês sabem. Era dia 31 de dezembro. E eu queria fechar o ano em 550 km. Cheguei no Minhocão às 9h, tava tão quente, tão bonito. O povo de biquíni, sem camisa, cachorro, criança, uns correndo, uns dançando, uns pedalando, uns jogando bola. Fiz minha força, mas quando olhei para o relógio, pensando estar próxima do meu objetivo, ainda eram 14 km, eu precisava de 38. Na verdade, eu não precisava de nada, mas queria.
Pensei tanto nisso durante o ano, o querer e o precisar. Na diferença entre os verbos, em como a gente os confunde. Uma ironia se comprometer com uma precisão (é de propósito) que talvez nem exista (de novo), sei lá como o Google mede essa quilometragem. Ao mesmo tempo vejo beleza nesse desafio, como uma brincadeira que nos convidamos a participar, como uma música que colocamos pra fazer trilha da vida.
Pois que desisti no 32 km, tava muito quente. Mas aí, na curva da saída, começou a chover. Uma chuva grossa, sabe? Fresquinha. E, do nada, a playlist tomou corpo, eu desisti da curva, peguei a subidinha, ri do buraco, percebi a menina sem namorado, mas com capacete, achei que a sala nova do prédio azul tinha ficado tão linda, a sala do prédio azul era, a partir dali, a sala mais bonita do mundo e cantei grande o refrão do fone.
Cheguei em casa às gargalhadas quando descobri que a empolgação me fez passar do redondo. Esse ano pedalei 551,76 km. O resto do dia 31 e o dia 1 – esse dia 1 de que nunca mais vou esquecer na vida -, foram ilustrações da imprevisibilidade e da música que ouvi na hora exata do primeiro pingo d’água. A felicidade é mesmo uma arma quente. Quente.
Roberta D’Albuquerque é psicanalista, autora de Quemmandaaquisoueu – Verdadesinconfessàveissobre a maternidade e criadora do portal A Verdade é Que…
[email protected]
https://www.facebook.com/roberta.dalbuquerque
https://www.instagram.com/robertadalbuquerque/

Rodrigo Leitão
Nesta sexta é celebrada a bebida milenar, criada pelos Maias, onde hoje é o México e que pode ser servida em qualquer ocasião quando se deseja um drink refrescante

Marlene Galeazzi
Com a presença de mil e duzentos convidados, o Royal Tulip encerrou o período de festas juninas em grande estilo.


Roberta D’Albuquerque é psicanalista, autora de Quem manda aqui sou eu – Verdades inconfessáveis sobre a maternidade e criadora do portal A Verdade é Que…
