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Ícone da dramaturgia brasileira faz aniversário nesta sexta-feira e está em plena atividade artística

Fernanda Montenegro completa 97 anos nesta sexta-feira. Perto de se tornar centenária, ela é uma das melhores atrizes brasileiras de todos os tempos e está em plena atividade artística. A mãe de Fernanda Torres é dona de um Emmy Internacional, pelo seu protagonismo em “Doce de Mãe”, de 2013, e de uma indicação ao Oscar de melhor atriz, pela atuação no filme “Central do Brasil”, de 1998, além de ser imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2021. A artista é consagrada mundialmente, de forma que ganhou um Globo de Ouro na última edição da premiação por sua longevidade no cinema. A tamanha dedicação nas telonas, e na arte como um todo, pode ser observada pela quantidade de trabalhos feitos por ela lançados após os seus 90 anos: só de 2019 para cá foram, ao menos, 12 atuações.
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Lançado em 2019, logo após de Fernanda Montenegro completar 90 anos, “A vida invisível” conta os desafios de Eurídice Gusmão, interpretada pela atriz na fase idosa, e de sua irmã Guida (Julia Stockler) frente ao patriarcado nos anos 50. A personagem da imortal da ABL é musicista e vive um casamento frustrado, que a expõe constantemente ao machismo. O longa acompanha o desenrolar da vida frustrada e cheia de oportunidades perdidas de Gusmão. Dirigido por Karim Ainuoz, a obra foi uma das apostas brasileiras para a corrida ao Oscar de 2020, mas não chegou a receber indicação.
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Em ‘O Juízo’, Fernandona pode estrelar um filme escrito por sua filha, Fernanda Torres. Montenegro tem uma pequena participação no longa dirigido por Andrucha Waddington. O filme de 2019 é focado na trama de Augusto Menezes (Felipe Camargo), que se muda para uma fazenda com sua família, onde passa a ser assombrado por espíritos escravizados por seus antepassados. A mãe de Torres interpreta Marta Amarantes, uma mulher ligada ao espiritismo, que transita no lado sobrenatural da trama.
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Produzida durante a pandemia de Covid-19, a série ‘Amor e sorte’ aborda os dilemas rotineiros de relacionamentos durante o isolamento social, a partir de quatro histórias diferentes. No episódio “Lúcia e Gilda”, gravado em uma fazenda de Petrópolis em que a família da imortal do ABL passava a quarentena, Lúcia (Fernanda Torres) arrasta a mãe Gilda (Fernanda Montenegro) para a serra e a obriga a ficar confinada. Além de atuar com sua filha, Fernandona também esteve ao lado do neto Joaquim Waddington na obra de Jorge Furtado.
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Saindo do universo ficcional de “Amor e Sorte”, Fernanda participou de dois documentários lançados em 2020 como ela mesa. A atriz esteve em “Babenco: Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, filme de Bárbara Paz dedicado ao cineasta Hector Babenco, e em AmarElo: É Tudo Pra Ontem, do cantor Emicida, que explora o álbum “AmarElo” e a ascensão da música negra no Brasil.
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Em 2022, aos 96 anos, Fernanda voltou aos palcos de teatro após a pandemia de Covid-19. A atriz organizou e costuro leituras dramáticas baseadas na obra “Nelson Rodrigues por ele mesmo” de Sônia Rodrigues, que une a visão do dramaturgo sobre sua vida e sua obra. O espetáculo esteve em cartaz no Rio de Janeiro naquele ano. A obra chegou a voltar aos palcos em 2026.
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Com formato semelhante ao espetáculo sobre Nelson Rodrigues, “A cerimônia do adeus” aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre. A atriz se aproximou da escritora feminista aos 20 anos e manteve forte ligação com a sua obra ao longo de sua vida, de maneira que, em 2023, ela decidiu levar essa conexão para os palcos naquele ano. A peça também estreou no Rio de Janeiro.
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Em 2024, um documentário do Globoplay reconheceu a longeva e bem-sucedida carreira de Fernanda Montenegro. No “Tributo – Fernanda Montenegro”, a atriz abriu as portas de sua casa e relembrou, ao lado de Fernanda Torres, histórias marcantes, que vão desde produções mais modestas até a sua indicação ao Oscar em 1999.

Primeiro filme brasileiro a conquistar um Oscar, “Ainda estou aqui” é um filme baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, que conta a trama de Eunice Paiva e sua família após o desaparecimento do engenheiro e ex-deputado federal Rubens Paiva durante a ditadura militar. Na obra de Walter Salles lançada em 2024, Fernanda Montenegro e Fernanda Torres dividem o mesmo papel. A filha, que levou um Globo de Ouro por sua atuação no longa, interpretou Eunice na fase adulta, enquanto a mãe deu vida à esposa de Rubens na velhice.
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No ano seguinte, Montenegro voltou às telonas para ser protagonista de outro sucesso brasileiro. Em “Vitória”, a atriz dá vida à protagonista Dona Vitória, uma senhora solitária que se revolta com a violência e com o tráfico na favela em frente ao seu apartamento e passa a filmar as movimentações criminosas a fim de denunciá-las. O longa-metragem de Andrucha Waddington é inspirado em uma história real, revelada por meio de uma reportagem do jornalista Fábio Gusmão, publicada no EXTRA, em 2005.
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Em março deste ano, Fernanda deixou de lado o drama e abriu espaço para o humor de “Velhos Bandidos”. No filme de Cláudio Torres, ela interpreta Marta, personagem trambiqueira que, ao lado do marido Rodolfo (Ary Fontoura), planeja um ousado assalto a banco. Para realizar o roubo perfeito, eles se unem a uma dupla de jovens assaltantes, Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta). A nova equipe de ladrões, no entanto, não contava com a insistência de Oswaldo (Lázaro Ramos), um obstinado investigador que segue seus passos.
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Fernandona é incansável na dramaturgia e parece estar longe de se aposentar. Em agosto deste ano, saiu a sua última atuação: em “Emergência 53”, a atriz interpreta Dona Laura, uma divertida senhora, obcecada com seu próprio fim, com sua morte. Mesmo com a saúde debilitada, Laura bebe e fuma cigarros, escondida de sua filha, Irene (Yara de Novaes), que é chefe da unidade 53, uma emergência hospitalar movimentada.
BS20261016080000.1 – https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2026/10/fernanda-montenegro-completa-97-anos-confira-12-trabalhos-da-atriz-apos-os-90.ghtml

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