POLÍTICA

Fim da escala 6×1: campanha de Lula orienta aliados a usarem votação no Senado para explorar contradições de Flávio Bolsonaro e PL

14 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Aprovação da PEC é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada inédita e vencer Flávio no segundo turno da eleição presidencial

O presidente Lula faz pronunciamento a imprensa sobre escala 6×1 – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou parlamentares aliados a usarem a votação do fim da escala 6×1 no Senado, nesta quarta-feira, para explorar o recuo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o tema.

Após se posicionar contra o projeto ao longo da campanha eleitoral, o presidenciável afirmou na terça-feira que votará a favor do texto que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

A aprovação do fim da escala 6×1 é uma das principais apostas de Lula para tentar uma virada inédita e vencer Flávio no segundo turno da eleição presidencial, marcada para dia 25 de outubro.

Em reunião com partidos aliados na terça-feira, o presidente do PT, Edinho Silva pediu atenção de senadores e deputados para não permitir que bolsonarismo inverta a narrativa sobre a pauta e busque faturar politicamente, a exemplo do que ocorreu quando o texto foi votado na Câmara dos Deputados, em maio. Na época, o PL apresentou um texto propondo escala 4×3 ao identificar que o fim da 6×1 seria aprovado na Casa.

Na avaliação de governistas, é provável que o grupo de Flávio tente algum ganho político, às vésperas do segundo turno, sobre um projeto que foi apoiado pelo governo.

Por isso, o pedido é que especialmente os senadores explorem ao longo do dia as contradições de Flávio sobre a PEC e pontuem que ele mudou de opinião agora por “oportunismo eleitoral”, seja na gravação de vídeos ou em entrevistas.

Dentre as estratégias, está o resgate de falas públicas de Flávio sobre o fim da 6×1. Em maio, por exemplo, o senador classificou a iniciativa como “inoportuna e eleitoreira”, apontou uma “grande carga de hipocrisia” na discussão e alertou para o risco de “desemprego em massa”. Já no final de agosto, Flávio passou a defender que o trabalhador tenha jornada flexível e negocie sua própria carga horária:

— Nós vamos fazer muito melhor para os trabalhadores brasileiros. Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga de horário, como é que vai trabalhar — disse.

A campanha passará o dia reforçando que esse projeto é de Lula e que melhorará a qualidade de vida dos trabalhadores. Aliados do presidente consideram positivo o fato de Flávio cumprir agenda de campanha em Porto Alegre e não estar no plenário do Senado para a votação. Se for votar, o fará de forma remota. Esse mesmo grupo considera importante que Lula faça gestos diretos em relação ao Senado, embora integrantes da campanha avaliem como difícil a ida dele ao plenário do Senado.

Lula gravou um vídeo dizendo que a sociedade “finalmente” vai conquistar cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução de trabalho:

— É importante ter em conta que nossos adversários decidiram ontem que vão votar favorável, mas é preciso ficar alerta, eles querem votar por oportunismo eleitoral, mas essa gente não tardará, se algum acontecer deles ganharem o Brasil, de acabar porque eles preferem o sistema do (Javier) Milei (presidente da Argentina), de doze horas por dias de trabalho — disse Lula sem citar o seu adversár

Estavam presentes na reunião com Edinho Silva dirigentes do PSB, PCdoB e PSOL e ex-ministros de Lula que representam o Centrão, como o senador eleito André Fufuca (PP-MA) e os deputados reeleitos Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) e Juscelino Filho (PSDB-MA). Do MDB, participaram representantes da ala lulista, entre os quais os senadores Renan Filho (AL), Veneziano do Rêgo (PB), Jader Barbalho (PA) e Marcelo Castro (PI).

BS20261014135515.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/14/fim-da-escala-6×1-campanha-de-lula-orienta-aliados-a-usarem-votacao-no-senado-para-explorar-contradicoes-de-flavio-bolsonaro-e-pl.ghtml

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