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Parte pretende seguir jogando com plataformas alocadas no exterior

Com a proximidade do fim do prazo para resgate de recursos em bets, previsto para segunda-feira, quem tinha o hábito de jogar já começou a reaver o dinheiro. Para muitos apostadores, porém, o momento é de avaliar alternativas entre novos projetos ou seguir jogando em plataformas alocadas no exterior. Para os que pretendem manter o hábito, a preocupação agora é com os riscos de uma atividade que teve o arcabouço legal derrubado por medida provisória (MP), que ainda precisa ser votada no Congresso.
O prazo para saque voluntário dos saldos termina às 23h59 da próxima segunda-feira, 5 de outubro. Caso o resgate não seja feito, bancos farão a devolução automática do dihneiro até 14 de outubro. Valores cuja restituição não puder ser realizada pelas instituições financeiras serão transferidos para conta específica na Caixa Econômica Federal.
Ricardo Berassolli, de 45 anos, aposta desde 2010. As bets eram até agora sua principal fonte de renda. O apostador, formado em ciência de dados, diz que, antes da regulamentação, em 2023, não havia clareza sobre como proceder ou a quem recorrer em caso de problemas. Com a entrada em vigor do jogo legal, ele avalia que a atividade se tornou mais segura no país.
— Sempre teve uma insegurança sobre onde reclamar os direitos. Estar regulamentado era ótimo porque havia órgãos de proteção — afirma.
Quando o governo anunciou a medida provisória (MP) que proíbe as bets, Berassolli retirou o saldo na única casa de apostas on-line que usava. Ele relata que a empresa mandou um aviso na sexta-feira passada com a orientação para que os valores fossem sacados e que, após o prazo, o crédito restante seria devolvido.
Agora, Berassolli pondera que o consumidor fica mais exposto, especialmente os que são menos familiarizados com o setor.
— Voltou a ter um risco elevado de a pessoa fazer um depósito e, na hora de sacar, ter algum problema ou a casa simplesmente desaparecer — avalia o apostador.
João Victor Brasil, de 24 anos, morador de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, começou a jogar depois da pandemia, quando estava no segundo ano do ensino médio e pensava em fazer faculdade. Ele trabalhava como auxiliar de serviços gerais no Aeroporto Santos Dumont, com carteira assinada e acordava às 5h para cumprir a jornada. Com o tempo, as apostas viraram sua principal fonte de renda e ele decidiu rever os planos para o futuro:
— Perdia um dia inteiro só com o trabalho. Quando comecei a ganhar, em média, o equivalente a um salário mínimo por mês com as apostas, não fazia sentido financeiro voltar para um emprego CLT.
Ele mesmo reconhece, no entanto, que a renda nunca foi estável:
— É uma renda variável. Tem mês que você ganha um valor e, em outro, não ganha nada.
Até a semana passada, João Victor tinha saldo em sete casas de apostas. As empresas avisaram que o prazo para retirar o dinheiro vai até segunda-feira e que, depois dessa data, o restante será transferido automaticamente para a conta bancária do apostador. Ele já sacou recursos de cinco plataformas e diz não ter encontrado dificuldades nesse processo.
Ele ainda tem R$ 1.700 em créditos em duas bets, que pretende resgatar antes do término do prazo definido pelo governo. Ele afirma se sentir frustrado com o fim das operações das casas de apostas on-line e diz ter sido pego de surpresa:
— A gente sentia que era a única coisa em que era bom de verdade. E isso acabou de uma hora para outra, sem aviso prévio.
Agora, João Victor diz que avalia retomar os estudos. Ele também é sócio de um amigo em uma loja de roupas, mas afirma que o negócio não é sua principal fonte de sustento.
BS20261002070000.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/10/02/fim-das-bets-apostadores-comecam-a-resgatar-recursos-e-avaliam-alternativas.ghtml

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