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Revista britânica traçou perfis de membros do clã político brasileiro, com Flávio ‘moderado’ e Michelle ‘carismática’, e revisitou a trajetória de Jair Bolsonaro

A revista de fim de semana do jornal britânico Financial Times publicou no último sábado uma reportagem de capa dedicada à família Bolsonaro, e traça um parâmetro de comparação com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O material, assinado pelo jornalista Michael Pooler e com o título “Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro”, analisa a trajetória política da família, as disputas internas entre seus integrantes e os desdobramentos de suas articulações no Brasil.
Segundo a publicação, o clã Bolsonaro articula um estilo político marcado por oscilações entre o conservadorismo e a instabilidade, alinhando-se ao ecossistema da nova direita populista global. No subtítulo da reportagem, a Financial Times pontua que “Jair Bolsonaro está preso por planejar um golpe” e reitera a presença de seu filho, Flávio Bolsonaro, nas eleições presidenciais como uma tentativa da “primeira família da direita radical do Brasil estar no caminho de uma volta por cima”.
“Conheça os Bolsonaro: um clã tão radical quanto disfuncional. Oscilando entre o conservadorismo e o caos, eles praticam um estilo paranoico de política. Assim como a família Trump, eles incorporam o zeitgeist político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão entre celebridade, rede social e a busca pelo poder”, sintetiza o texto.
A reportagem traça um perfil de cada integrante da família a partir de interlocutores do meio político: Jair surge como a figura central; o senador Flávio Bolsonaro é retratado como o perfil moderado do grupo; a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é a “face carismática”; o vereador Carlos Bolsonaro figura como o estrategista digital; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro é caracterizado como o alinhado ideológico que mais remete ao pai.
O texto detalha o atrito recente desencadeado por um vídeo público em que Michelle acusou Flávio de humilhá-la em disputas internas partidárias. Para o jornal, o episódio expôs fraturas no núcleo familiar no momento em que a dinastia tenta reorganizar sua base eleitoral. Nesse contexto, a política brasileira é apresentada como elemento estratégico na projeção de influência de Donald Trump no hemisfério, conferindo relevância global ao pleito presidencial. Em relação aos cenários eleitorais, o Financial Times observa a consolidação da candidatura de Flávio.
“Faltando pouco mais de uma semana para a votação, Flávio tem o vento a seu favor. Na campanha, ele visivelmente aumentou sua autoconfiança”, registra a matéria, acrescentando que uma eventual vitória ratificaria o clã como uma dinastia perene.
Entre os compromissos do candidato, o periódico destaca que “ele imediatamente vai pressionar o Congresso para garantir uma ampla anistia para os conspiradores do golpe e para os condenados pelo 8 de Janeiro, com o perdão presidencial como alternativa”. A publicação pondera, contudo, que um eventual retorno de Jair Bolsonaro em 2030 é visto com ceticismo devido a razões de saúde e idade.
Por outro lado, uma derrota nas urnas é avaliada pelo jornal britânico como o provável encerramento do bolsonarismo, abrindo espaço para nomes de uma centro-direita como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Diante da ausência de um sucessor direto na base governista para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mudança poderia “marcar o fim de uma década de polarização política” na próxima eleição.
Paralelamente, o texto cita o papel decisivo do ministro Alexandre de Moraes, ressaltando que, “em uma reviravolta irônica, Moraes, o mesmo juiz que prendeu Jair, pode involuntariamente providenciar a chave para a sua liberdade”.
Ao recuperar o histórico de Jair Bolsonaro, o Financial Times o define como um líder populista de perfil “radical e religioso”. Relembra sua trajetória parlamentar, marcada pela defesa da ditadura militar e declarações polêmicas, até sua ascensão impulsionada pela aliança entre o agronegócio, setores evangélicos e forças de segurança. A matéria pontua os marcos de seu governo, incluindo o alinhamento a Trump, os índices de desmatamento na Amazônia, a condução da pandemia de covid-19 e a condenação por articular um plano golpista contra o atual presidente.
“Bolsonaro foi considerado culpado de conspirar para permanecer em seu cargo ilegalmente por meio de uma conspiração não realizada que incluía planos para assassinar Lula”, diz a matéria.
O FN também analisa a atuação dos demais herdeiros e aliados. Flávio é caracterizado como uma figura de diálogo pragmático, citando declarações de Hamilton Mourão de que o senador “nunca foi de discursos agressivos”, apesar das investigações sobre transações financeiras do passado e polêmicas recentes. Entre estas, a reportagem cita a busca de financiamento estimado em US$ 12,3 milhões (mais de R$ 60 milhões) junto a um empresário preso (não citam Daniel Vorcaro nominalmente) para um documentário e críticas do governo por postagens com Trump que antecederam o anúncio de tarifas comerciais norte-americanas ao Brasil.
Em relação a Carlos Bolsonaro, o texto menciona sua eleição precoce aos 17 anos e sua influência no ambiente digital. Sobre Eduardo Bolsonaro, destaca sua atuação internacional junto à direita americana e sua fixação nos Estados Unidos desde 2025 após a perda do mandato parlamentar, condição que o afasta da linha de sucessão direta. Quanto a Michelle Bolsonaro, a matéria aborda sua trajetória pessoal, sua projeção política voltada a pautas sociais e a relação reservada com os enteados, resumida pelo pastor Silas Malafaia: “Uma madrasta não é parente. Eles não partilham do mesmo sangue”.
A reportagem é encerrada com uma citação do ex-ministro Ernesto Araújo, que define o ex-presidente afirmando que Bolsonaro “não é apenas um homem. É uma ideia, uma visão de um Brasil que pode mudar”. Segundo o Financial Times, os integrantes da família Bolsonaro foram procurados pela equipe de reportagem, mas não enviaram comentários ou se recusaram a manifestar-se.
BS20260928121530.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/09/28/financial-times-traca-comparativo-entre-familias-de-bolsonaro-e-de-trump-estilo-paranoico.ghtml

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