POLÍTICA

Flávio diz ser uma ‘pessoa altamente perseguida’ após campanha acumular desgastes

24 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Senador afirma que há uma ação ‘orquestrada’ contra sua candidatura, compara situação à vivida por Jair Bolsonaro e adota discurso recorrente do bolsonarismo em meio a uma série de crises

Flávio Bolsonaro durante live — Foto: Reprodução

Após uma sequência de desgastes que atingiram sua campanha nas últimas semanas — incluindo a crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a repercussão da viagem aos Estados Unidos para tentar reverter as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros e as sucessivas revelações envolvendo sua relação com o Banco Master — o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, ser uma “pessoa altamente perseguida”.

Segundo ele, há uma ação “orquestrada” para desgastá-lo por representar “uma ameaça ao sistema e aos interesses de muita gente que está no poder”.

No início da transmissão, Flávio agradeceu aos apoiadores e afirmou que o grupo seguirá mobilizado nos próximos dias “para juntos libertarmos esse país”. Em seguida, passou a falar sobre as críticas que, segundo ele, vem sofrendo.

— Vocês estão vendo a grande pancadaria em cima de mim dia sim, dia também. Eu vou dar explicações, mas não se trata mais disso. Eu sou uma pessoa altamente perseguida. Não é de agora. Nunca reclamei de ser questionado de nada, mas o que está acontecendo agora é algo desproporcional porque estão vendo que eu sou uma ameaça ao sistema e aos interesses de muita gente que está no poder.

O senador afirmou que estaria sendo submetido ao mesmo tratamento que, em sua avaliação, foi dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

— O modus operandi comigo é exatamente o que fizeram com meu pai.

Na sequência, Flávio afirmou que o Brasil deixou de viver um Estado Democrático de Direito e voltou a sustentar que existe uma articulação para enfraquecê-lo politicamente.

— A gente não está mais num Estado Democrático de Direito. Contra mim e minha família vale tudo, vale gol de mão. Parece que umas pessoas se deleitam com isso. Mas não esqueçam que alguma hora essa perseguição pode voltar. Então, para mim, eu sou julgado todo dia sem provas. É uma coisa orquestrada. Fizeram com meu pai e estão fazendo comigo.

A live ocorreu horas depois de Flávio tentar encerrar uma das principais crises de sua campanha. Mais cedo, o senador divulgou um vídeo em que pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, reconheceu sua atuação à frente do PL Mulher e renovou o convite para que ela participasse da campanha presidencial.

Pouco depois, Michelle respondeu afirmando que aceitava o pedido de desculpas. Segundo aliados da ex-primeira-dama, o gesto público era uma das condições para que ela voltasse a se engajar na campanha.

O discurso também ocorre em meio a uma nova frente de desgaste envolvendo a relação do senador com o Banco Master, depois de vir a público que escritório de advocacia de Flávio foi contratado por uma empresa ligada à consultoria Copenhagen, que recebeu R$ 57,9 milhões em repasses do banco entre 2024 e 2025, segundo documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado.

O parlamentar reconheceu ter prestado serviços à Contábil Correa, mas afirmou que a relação foi “completamente legal e privada”. Também disse que chegou a negociar com a Copenhagen, mas que cancelou duas notas fiscais antes da efetivação do contrato.

O episódio se soma à crise iniciada em maio, quando vieram a público mensagens mostrando Flávio negociando com o banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Na ocasião, a divulgação das conversas provocou forte desgaste à pré-campanha e levou adversários a questionarem a proximidade do senador com o empresário. O caso também passou a ser alvo de investigação sobre o financiamento da produção cinematográfica.

Outro revés enfrentado pela campanha ocorreu após a viagem de Flávio aos Estados Unidos para tentar negociar a suspensão das tarifas impostas por Donald Trump a produtos brasileiros. O senador se reuniu com integrantes da administração americana e buscou reverter a medida, mas retornou ao Brasil sem avanços concretos. A viagem foi explorada por adversários e gerou críticas de setores da centro-direita, que avaliaram que a estratégia acabou reforçando o discurso do governo Lula.

Ao recorrer ao argumento da perseguição política, Flávio também emula uma das principais narrativas adotadas por Jair Bolsonaro ao longo dos últimos anos. O ex-presidente repetiu em diversas ocasiões que era alvo de uma atuação coordenada de adversários, instituições e parte da imprensa para inviabilizar seu governo e, posteriormente, sua volta ao poder.


BS20260723222553.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/23/flavio-diz-ser-uma-pessoa-altamente-perseguida-apos-campanha-acumular-desgastes.ghtml

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