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Segundo a PF, as investigações ‘sugerem a existência de um esquema de desvio de recursos
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do deputado federal André Janones (Avante-MG), investigado por suposto esquema de desvio de recursos públicos no gabinete do parlamentar conhecido como “rachadinhas”.
Na manifestação ao STF, o vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand defendeu o afastamento dos sigilos para o aprofundamento das apurações. A medida foi solicitada pela Polícia Federal, que em 30 de janeiro encaminhou uma representação a Fux.
Na avaliação do vice-PGR, a quebra dos sigilos é uma medida extrema que só deve ser concedida quando há “fortes indícios de possível autoria de práticas ilícitas”, mas entende que é necessária no caso em questão.
“No caso, como os elementos de informação já reunidos apontam concretamente para a participação dos investigados no esquema de desvio de recursos públicos e recepção de vantagem indevida, não há dúvida quanto à necessidade do afastamento dos respectivos sigilos bancário e fiscal”, opinou a PGR.
Em dezembro, Fux atendeu a um pedido da PGR e autorizou a abertura de inquérito contra o deputado federal. Áudios divulgados pelo portal Metrópoles e que embasam o pedido da PGR, Janones pede para que os funcionários façam doações mensais de seus salários para compensar gastos de campanha.
Dois ex-assessores do deputado relataram ao GLOBO que Janones cobrava funcionários lotados em seu gabinete na Câmara a repassar parte dos seus salários. Em entrevista ao GLOBO, Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira disseram que a prática envolvia até mesmo os valores recebidos como 13º e chegava a 60% dos vencimentos.
Em publicação feita no dia 30 de janeiro nas redes sociais, Janones afirmou que “causa estranheza” a PF pedir a quebra do sigilo fiscal e bancário, uma vez que já teria os colocado “a disposição desde o início das investigações”.
“Mais estranho ainda é apontarem como “suspeito”, um depósito feito quando nenhum dos assessores investigados trabalhavam mais em meu gabinete. Como eles devolviam salário 3 anos após serem exonerados?”, questiona.

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