
Quem são os ex-diretores da Americanas cujas delações premiadas embasam a operaçao da PF
Informações de Fábio da Silva Abrate, Flavia Carneiro e Marcelo Nunes já haviam sido usadas pela PF na primeira fase das investigações

Comunicado após reunião que reduziu taxa Selic para 14,25% foi recebida com ruídos pelo mercado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que os ruídos gerados pela comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) foram resultado de uma tentativa do BC de ser mais transparente sobre a decisão que adotou sobre a taxa Selic, e não de falta de explicação. O Copom cortou a Selic na semana passada de 14,50% para 14,25%, apesar da projeção de inflação para o horizonte relevante ficar bem acima da meta de 3,0%, em 3,7%.
Para explicar tal movimento, o Copom inseriu um trecho no comunicado que foi considerado confuso pelo mercado e que dizia que a inflação convergiria à meta no trimestre seguinte, o primeiro de 2028, que passará a ser o horizonte relevante na próxima reunião do Copom, em agosto.
“Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos”, disse o BC no comunicado.
Esse parágrafo foi lido por analistas como um “alongamento do horizonte relevante” pelo BC. Ou seja, o BC seria mais leniente e deixaria a inflação mais alta por mais tempo, buscando alcançar a meta no trimestre seguinte – o que Galípolo e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, negam. O BC, no entanto, não tinha dado transparência sobre a projeção para o primeiro trimestre de 2028, que só foi conhecida nesta quinta-feira, com a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM). A estimativa é de 3,2%.
— Eu acho que a imprensa especializada apontou, com razão, que neste caso, o problema tenha sido tentar explicar demais do que falta de transparência. Talvez tentar inserir aquele parágrafo no comunicado talvez tenha sido complexo devido a todas as mensagens que se pretendia carregar com ele. Talvez seja mais pertinente deixar nossos comunicados mais concisos e deixar discussões como essa para a ata — disse Galípolo, em entrevista à imprensa. — Este caso é um caso que fica bem claro que o tema foi de excesso de explicação, não de falta de explicação.
O presidente do BC também assumiu a responsabilidade pelo problema. Segundo ele e Picchetti, a questão é que o colegiado tentou resumir uma série de análises que tinham feito em um espaço muito pequeno, dada a natureza do comunicado pós Copom.
— Se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, a responsabilidade é absolutamente minha. É disso que se deriva a maior parte das discussões e, vamos dizer assim, das críticas — disse Galípolo, que também lembrou ao longo da entrevista, que a maioria do mercado esperava redução da Selic para 14,25%.
Picchetti explicou que, quando se depararam com a projeção de 3,7% para o final de 2027, entenderam que boa parte estava relacionada aos choques de oferta da guerra no Oriente Médio do El Niño, fatores que não demandam necessariamente reação de juros, porque podem se dissipar sozinhos. Então entenderam que ainda havia espaço para o corte que foi feito na semana passada.
— Tinha várias formas de falar isso (explicar o corte). Uma delas seria dizer que boa parte é choque de oferta e a gente não deveria reagir a isso. A comunicação alternativa que a gente escolheu, chamando atenção do que aconteceria no primeiro trimestre de 2028, foi fundamentada no fato de que esse choque de oferta ficava muito claro, porque se dissipava justamente logo no próximo horizonte relevante. Por isso, a gente chamou atenção para isso — explicou Picchetti.
Picchetti também explicou que o Copom fez simulações com a taxa de juros que seria necessária para colocar a inflação na meta no final de 2027, mas afirmou que a dimensão do choque que seria necessária seria muito grande e causaria uma desaceleração da economia desordenada. Além disso, a inflação cairia para baixo da meta depois.
— Essa desaceleração (da economia) não pode ser desordenada, o que aconteceria em um choque muito grande, com volatilidade muito grande de preços de ativos. Uma desaceleração desordenada tem efeitos negativos sobre agregados macroeconômicos e sobre a viabilidade de convergência de inflação para meta. Olhando para isso, a gente optou por sinalizar que o choque de oferta fica claro quando vê redução bem grande da inflação no próximo horizonte relevante
Picchetti tentou traduzir a visão do Copom sobre a influência dos choques sobre a inflação com uma analogia de uma pancada, que deixa uma marca roxa na perna por um tempo, mas não é possível fazer nada para melhorar, não tem remédio para tomar, mas depois a mancha vai embora. Ele também negou enfaticamente que o BC esteja alongando o horizonte relevante.
— Não estamos alongando o horizonte relevante, foi simplesmente uma trajetória muito especial que nos levou a fazer isso.
Nem Galípolo nem Picchetti deram sinalização sobre os próximos passos do Copom, considerando que há poucas vantagens em dar um direcionamento em um cenário bastante volátil e de muitas incertezas. Lembraram ainda que os BCs ao redor do mundo também estão tomando esse cuidado.
— O BC vai se preservar o direito de não dar essa informação quando a gente achar que não é pertinente. Não só porque estamos escondendo o que a gente vai fazer. Mas, porque em um ambiente como esse, como bem disse o Paulo, a decisão vai ser tomada daqui a 40 dias, na próxima reunião. Estamos recolhendo dados para que, daqui a 40 dias, o comitê possa tomar essa decisão em conjunto.
Galípolo, no entanto, esclareceu que os cenários de pausa e retomada no ciclo de corte que foram avaliados na última reunião também se aplicam para análises prospectivas.
— Tem cenário que a gente passou a discutir, inclusive olhando de maneira prospectiva, de pausas e retomadas (do ciclo de corte de juros) — disse Galípolo. — Os cenários que a gente simulou seria de quando pausar e de quando seria possível retomar esse ciclo de calibragem para conseguir a convergência.
BS20260625165258.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/25/galipolo-diz-que-problema-de-comunicacao-do-copom-foi-excesso-de-explicacao.ghtml

Informações de Fábio da Silva Abrate, Flavia Carneiro e Marcelo Nunes já haviam sido usadas pela PF na primeira fase das investigações

Receita Federal destaca arrecadação de petróleo em meio à alta de preços com conflito no Oriente Médio

Em nota, grupo afirma que colabora com autoridades para esclarecer os fatos

Há 6,2 milhões de jovens que não estudam nem trabalham, os chamados 'nem-nem'
