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Semana dedicada à doença reforça a importância do diagnóstico precoce; especialista do Hospital de Base alerta para consultas regulares
Renato Marques tinha 30 anos quando procurou um oftalmologista para uma consulta simples: medir o grau dos óculos. Após os exames, recebeu o diagnóstico de glaucoma. Sem entender a gravidade da doença, usou o colírio prescrito por apenas um mês e interrompeu o tratamento. “Achei que estava curado”, relembra.
Seis anos depois, ao retornar ao consultório para uma nova avaliação, descobriu que a doença havia avançado: “O médico explicou a gravidade da doença. Se eu soubesse antes que era algo tão sério, teria cuidado melhor e talvez evitado essa situação. Agora faço exames todos os anos”.
Considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma provoca degeneração progressiva do nervo óptico e perda permanente da visão. O problema é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa e, na maioria das vezes, sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
“A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”Edney Moura Filho, oftalmologista do Hospital de Base
Segundo o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), cerca de 90% dos pacientes não percebem sinais da doença no início.
Entre os dias 8 e 14 deste mês é realizada a Semana Mundial do Glaucoma, iniciativa que busca ampliar a conscientização da população sobre os riscos da doença e reforçar a importância do diagnóstico precoce.
O glaucoma é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Embora possa atingir pessoas de qualquer faixa etária, o risco aumenta com o avanço da idade. “A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”, explica Edney.

Foto: Divulgação/ Agência Brasília
Estimativas indicam que cerca de metade das pessoas com glaucoma no mundo não sabem que têm a condição. Por isso, especialistas recomendam atenção redobrada de pessoas que apresentam fatores de risco e devem manter acompanhamento oftalmológico regular. Entre os principais fatores estão histórico familiar, idade acima de 40 anos, uso prolongado de medicamentos à base de corticoide e traumas oculares prévios.
A perda visual costuma ocorrer de forma gradual e silenciosa, o que contribui para o diagnóstico tardio. “Nem sempre começa obrigatoriamente pela visão periférica, mas é comum que o paciente já apresente perda de campo visual sem perceber, especialmente nas fases iniciais”, pontua o especialista.
Ao contrário da catarata, geralmente associada ao envelhecimento, o glaucoma pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância. Foi o caso de Juliana Luzia de Souza, que nasceu com a doença devido a um fator genético. A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, quando médicos perceberam alterações nos olhos da criança.
Juliana passou pela primeira cirurgia aos três dias de vida e começou a usar óculos com apenas um mês. Hoje, aos 30 anos, já fez sete cirurgias e perdeu a visão do olho direito, mantendo apenas percepção de luz.
“Como não tive a chance de fazer exames preventivos antes do diagnóstico, sei o quanto é importante realizar consultas regulares”, relata ela. “Assim é possível identificar a doença mais cedo e evitar que o quadro se agrave.”
A adesão ao tratamento é um dos principais desafios no controle do glaucoma. De acordo com o oftalmologista, a ausência de sintomas faz com que muitos pacientes interrompam o uso das medicações. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado.
Doença pode ser controlada com tratamento e acompanhamento médico
“Muitas pessoas param de usar o colírio por não perceberem melhora imediata ou por causa de efeitos colaterais, como irritação ocular; mesmo assim, o uso regular da medicação é essencial para evitar a progressão da doença”, orienta o médico.
Em caso de suspeita de glaucoma ou de qualquer alteração na visão, é importante procurar avaliação médica. No Distrito Federal, o primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação inicial, caso seja necessário, o paciente será inserido no sistema de regulação e encaminhado para atendimento especializado.
Consultas oftalmológicas regulares são a principal forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma. O diagnóstico precoce permite controlar a doença e reduzir o risco de cegueira.
*Com informações do IgesDF

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