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À frente da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann deve assumir embates políticos do governo e tentar ocupar um espaço que nunca foi preenchido depois da indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2023. Gleisi é reconhecida em Brasília por ter posições firmes. A …

À frente da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), a ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann deve assumir embates políticos do governo e tentar ocupar um espaço que nunca foi preenchido depois da indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2023.
Gleisi é reconhecida em Brasília por ter posições firmes. A nova ministra defende que os embates com Jair Bolsonaro e seus aliados são inevitáveis. Portanto, não haveria, em sua visão, outro caminho que não seja apostar na polarização. Enquanto ocupou o Ministério da Justiça, Dino foi o principal antagonista do bolsonarista no governo. Há um diagnóstico no Planalto de que a sua saída deixou um vácuo, que agora poderá ser ocupada pela nova titular da SRI.
De acordo com auxiliares, ao promover as mudanças recentes no ministério, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou pessoas que, em sua visão, têm perfil mais vibrante, fazem embates, brigam por espaço e agitam a militância.
Gleisi também terá a missão de costurar as alianças para a campanha presidencial de 2026, tanto para o caso de Lula disputar um novo mandato como para o de ele indicar um outro nome para a sua sucessão.
Há receio entre integrantes do governo sobre a postura que a nova ministra terá em relação ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nos dois primeiros anos de governo, como presidente do PT, Gleisi encabeçou as críticas à política econômica do governo. Em dezembro de 2023, o PT chegou a aprovar uma resolução que defendia a necessidade de o Brasil se libertar do “austericídio fiscal”.
A aliados, Gleisi tem afirmado que no novo cargo terá como preocupação central trabalhar na articulação política do governo e não interferir nas medidas econômicas. O receio, porém, de pessoas próximas a Haddad é que, com gabinete no Palácio do Planalto e despachos quase diários com Lula, a ministra da SRI influencie o presidente a se afastar da linha de responsabilidade fiscal defendida pelo titular da Fazenda.
A escolha de Gleisi para assumir a articulação política do governo foi motivada pela memória que Lula tem do trabalho desempenhado por ela na campanha de 2022 e por um desejo de reabilitar a imagem da aliada.
Na visão do presidente, Gleisi carrega de forma injusta uma pecha de radical em razão das posições que precisou assumir à frente do PT para manter o partido coeso no momento mais difícil de sua história, após o impeachment de Dilma, a prisão de Lula e a vitória de Jair Bolsonaro em 2022. Pelo desenho feito por Lula, a nomeação para Secretaria de Relações Institucionais será a chance para que a deputada paranaense terá de mostrar que, na verdade, é uma articuladora.
Lula tem ainda uma boa impressão do trabalho feito pela nova ministra em 2022, quando foi a coordenadora geral de sua campanha ao Planalto e negociou todas as alianças, tanto no primeiro como no segundo turno.
O presidente entende que Gleisi tem densidade política e, por isso, no governo pode fazer novamente um trabalho de costura de apoios com vistas à disputa de 2026. A nova ministra tem, ainda na visão de Lula, ascensão sobre o PT e pode conduzir as conversas tanto nos planos regionais como estaduais com vista à uma possível reeleição.
Recentemente, à frente do PT, Gleisi participou das costuras que levaram o partido a apoiar Hugo Motta (Republicanos) para a presidência da Câmara. A sua participação nesse movimento também a ajudou a credenciá-la junto a Lula.

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