POLÍTICA

Gonet diz que é preciso aguardar apuração sobre arma de Bolsonaro para definir se é motivo para fim de domiciliar

25 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Procurador-geral da República diz que informações iniciais sobre a apreensão da arma do ex-presidente não têm “concretude”, por ora, para caracterizar falta disciplinar ou descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária

Paulo Gonet, durante solenidade de posse na sede da Procuradoria (PGR), em Brasília. Foto: – Marcelo Camargo/Agência Brasil

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu aguardar o fim das investigações sobre a apreensão da arma do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma blitz do bafômetro no Distrito Federal antes de avaliar se o caso pode levar à imposição de uma ‘falta disciplinar grave’ ao ex-chefe do Executivo. Tal enquadramento pode resultar até no fim do regime de prisão domiciliar do ex-presidente.

Segundo Gonet, o episódio não indica, por ora, uma “concretude” para caracterizar falta disciplinar ou descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária. “A configuração de uma falta como grave exige mais do que a subsunção do fato à norma, demandando a análise dos impactos da conduta ilícita na ordem jurídica e no objeto e finalidade da execução penal”, sustentou o PGR.

O parecer foi dado após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pedir que a PGR opinasse se a posse de uma arma em casa pelo ex-presidente pode ser motivo para encerrar a domiciliar do ex-presidente. O regime foi autorizado em março para que Bolsonaro se recuperasse de um quadro de broncopneumonia, mas o prazo se encerraria nesta quinta.

Segundo Moraes, a Lei de Execução Penal estipula que comete “falta grave” o condenado à prisão que “possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem”. De acordo com Moraes, a lei prevê como consequências a “regressão no regime de cumprimento de pena, inclusive com a cessação da prisão domiciliar”.

Na quinta-feira, Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal e reconheceu a posse da arma em casa. Ele afirmou que pediu ajuda ao militar que posteriormente teve a arma apreendida em uma blitz no Distrito Federal ao perceber que a pistola não funcionava e necessitava de conserto, informou a defesa do ex-presidente.

O depoimento durou cinco minutos, de acordo com os advogados, e Bolsonaro prestou as informações que já haviam sido apresentadas pela defesa na peça entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF). No despacho assinado nesta quarta, Moraes revelou ainda que, durante o depoimento, Bolsonaro afirmou que não podia ficar desarmado em casa porque mora com três mulheres.

A oitiva faz parte do inquérito aberto pela Polícia Civil após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro. A arma estava em um veículo conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança do ex-presidente.


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