POLÍTICA

Governo busca mercados alternativos após tarifaço e aguarda definição dos EUA sobre nova taxa de 12,5% para fechar plano

23 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Apex planeja ações no exterior e no Brasil na tentativa de atrair novos compradores

Trump e Lula: imposição de novo tarifaço de 25% deve começar a valer em 15 de julho — Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo aguarda a definição da sobretaxa adicional de 12,5% pelos Estados Unidos sobre produtos de vários países, inclusive do Brasil, para mapear os setores mais afetados por todo o conjunto de tarifas e fechar o plano de ação em busca de mercados alternativos. A expectativa é que os detalhes da aplicação desta tarifa sobre as exportações brasileiras sejam anunciados na sexta-feira, com a possibilidade de se somar ao tarifaço de 25% já em vigor.

Os EUA avaliam essa nova taxação dentro de uma investigação sobre supostas falhas do Brasil no combate ao trabalho forçado.

O plano de diversificação de mercados será apresentado no início de agosto em São Paulo pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex). Além de ações no exterior, serão programados eventos no país para trazer novos compradores.

Os técnicos da Apex aguardam o anúncio da tarifa adicional para delimitar o alcance da medida, se será cumulativa e se haverá exceções.

O plano de ação para diversificar os mercados compradores terá R$ 130 milhões. Esse valor deverá subir com o aporte de setores privados que têm projetos em parceria com a Agência.

Entre os alvos estão países da Europa, pelo acordo comercial firmado com o Mercosul e da Ásia.

Plano de socorro

Na tentativa de conter os efeitos das sobretaxas, o governo anunciou um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para atender as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas e pelas incertezas do cenário internacional.

— A linha três do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, citando a nova taxa.

A nova etapa do Brasil Soberano foi desenhada para atender também empresas que sejam afetadas pela provável nova tarifa de 12,5%, relacionada à investigação sobre falhas em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado.

Segundo Elias Rosa, a expectativa de que a decisão relativa ao trabalho forçado deve ser aplicada de maneira “universal” para todos os setores. No entendimento do governo brasileiro, essa tarifa visa substituir a taxa global adotada em fevereiro, após a Suprema Corte dos EUA suspender o tarifaço baseado em leis de emergência.

— Nós reivindicamos que não haja cumulatividade com a seção 301 da semana passada. Há uma indefinição. A tendência é que não haja lista de exceção, mas esperamos que não haja cumulatividade, senão nossa tarifa vai para 37,5%, mas esse cenário é absolutamente indefinido — disse o ministro.

A taxa adicional de 25% adotada pelo governo Donald Trump deve atingir 15% da pauta exportadora do Brasil para solo americano ou US$ 5,8 bilhões, considerando o volume de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Além das empresas afetadas pelo tarifaço, a linha de socorro vai atender:

Empresas prejudicadas por conflitos internacionais, especialmente aquelas que exportam para países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.

Setores considerados pelo governo como estratégicos para a balança comercial e para a segurança produtiva do país, entre eles fertilizantes, minerais críticos e estratégicos, produtos químicos, farmacêuticos, têxteis, automotivos, equipamentos eletrônicos, máquinas e materiais elétricos.


BS20260723063019.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/23/governo-busca-mercados-alternativos-apos-tarifaco-e-aguarda-definicao-dos-eua-sobre-nova-taxa-de-125percent-para-fechar-plano.ghtml

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