Governo Lula estima gastar R$ 5 bilhões com Pix MEI em 4 anos a partir de 2027
13 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Medida prevê transferência direta de recursos para microempreendedor individual
O anúncio é uma promessa eleitoral para o ano que vem, caso Lula saia vencedor nas urnas – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, diz que expectativa com o chamado Pix MEI, anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (dia 13), é de gastar R$ 5 bilhões nos próximos quatro anos, ao custo de R$ 1,250 bilhão por ano. A medida foi anunciada a 12 dias do segundo turno das eleições, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta superar Flavio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.
Pela legislação eleitoral, o governo não pode criar o programa neste momento. Então, o anúncio é uma promessa eleitoral para o ano que vem, caso Lula saia vencedor nas urnas. A ideia é transferir dinheiro diretamente para microempreendedor individual para melhorar a estrutura dos pequenos negócios. Os critérios e a abrangência da medida não foram informados.
“A proposta também prevê assistência aos empreendedores, com apoio de parceiros como o Sebrae, para ajudar na estruturação dos negócios. O programa está em fase de desenho”, informou o governo.
— O que o presidente está propondo, não vai mandar agora, pela legislação eleitoral, só ano que vem. Vai fazer o ano que vem. São R$ 5 bilhões para quatro anos. Vai incorporar R$ 1,2 bilhão, R$ 1,250 bilhão mais ou menos a cada ano. Uma discricionária de R$ 1,2 bilhão — disse Moretti.
Valor de R$ 5 mil via Pix
Pelo que foi anunciado, o governo daria R$ 5 mil para cada MEI. Cada empreendedor poderia pegar o recurso uma única vez.
— Estamos anunciando um programa de dinheiro direto na mão dos empreendedores e empreendedoras, não é crédito. O Pix MEI é dinheiro direto na mão do MEI de até R$ 5 mil. Com isso, completamos o esforço de crédito. Pix MEI é um apoio direto do governo para mudar a capacidade produtiva do MEI — disse o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, em cerimônia no Palácio do Planalto.
Além da transferência de recursos direta, o governo anunciou nesta terça-feira outras quatro medidas para apoiar os MEIs em meio a um esforço para reverter o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, em que Flávio terminou na frente de Lula.
Outras medidas
O governo também vai perdoar os débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União para todos os MEIs, medida com impacto de R$ 12,6 bilhões, e priorizar esse grupo nos leilões de compra de dívidas do Desenrola 3.0.
Neste último caso, a iniciativa prevê o lançamento de edital para a compra dessas carteiras pelo governo federal. “Para participar, as instituições deverão oferecer desconto mínimo de 90% sobre o valor das dívidas. Terão prioridade na compra as carteiras oferecidas com os maiores descontos”, informou o governo.
A negociação será realizada pelo governo com as instituições financeiras, sem necessidade de participação dos MEIs no primeiro momento. “A iniciativa busca retirar o peso das dívidas e criar condições para que os empreendedores retomem suas atividades e voltem a acessar crédito”, declarou o Planalto.
Além disso, pediu ao Congresso Nacional para votar em regime de urgência a ampliação do teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil por ano e desobrigou esses empreendedores de emitirem nota fiscal para venda a pessoas físicas.