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Julgamento será em 24 de novembro

Em entrevista, Adrián Ravier afirma que governo argentino ‘tomou nota’ de resultado das eleições no país vizinho, e alega que petista não parabenizou chefe de estado em 2023

O governo argentino indicou nesta terça-feira que não parabenizará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por sua vitória nas eleições brasileiras. Segundo reportagem do Clarín, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou que o governo argentino tomou conhecimento do resultado eleitoral, mas não pretende divulgar nenhum comunicado oficial, nem mesmo por meio do Ministério das Relações Exteriores.
Ravier alegou que a posição da administração argentina é uma retaliação a Lula, que não teria parabenizado Milei em 2023. O petista, no entanto, parabenizou o povo e as instituições argentinas pela condução do processo eleitoral naquele ano. Ele desejou sorte e êxito ao novo governo argentino, mas não citou o nome de Javier Milei.
A manifestação aconteceu em uma publicação no X em 19 de novembro de 2023, quando Lula comentou o resultado da eleição, mas não disse o nome do presidente eleito no país vizinho. “Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, postou Lula à época.
Javier Milei é o único líder da América do Sul a não parabenizar Lula pela vitória na eleição presidencial brasileira, encerrada no último domingo. Os demais líderes da região, mesmo no campo da direita, reconheceram o resultado e felicitaram o petista.
O líder colombiano Abelardo de La Espriella, que foi eleito com apoio do presidente americano Donald Trump e deu apoio público à campanha derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), declarou que não têm afinidade e são de lados opostos do espectro político. Em sua fala de reconhecimento do resultado, entretanto, estendeu a mão para que os países continuem cooperando.
Já o equatoriano Daniel Noboa afirmou que a América Latina tem inimigos em comum e desafios compartilhados em sua mensagem de parabenização. O chileno José Antonio Kast disse que ligou para cumprimentar Lula e afirmou que os dois países têm um futuro em comum.
A líder peruana Keiko Fujimori defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os dois países, com ênfase na integração, na cooperação e no desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada. Rodrigo Paz, presidente boliviano, por sua vez, parabenizou o brasileiro e destacou os laços históricos entre Bolívia e Brasil.
Todos eles foram apoiados por Trump em suas campanhas eleitorais e, hoje, compõem o Escudo das Américas, iniciativa militar de governos conservadores liderada pelos Estados Unidos para coordenar ações de segurança em países ocidentais. A coalizão foca no combate à imigração em massa para o território americano e em ações contra o crime organizado e o narcotráfico.
Presidentes do Uruguai, Venezuela, Paraguai, Guiana e Suriname também parabenizaram Lula, que segue para o quarto e último mandato à frente do Brasil.
Em agosto, na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, Milei fez ataques diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O argentino apoiou o filho de Jair Bolsonaro publicamente nas eleições brasileiras.
No dia seguinte, em uma entrevista a uma rádio argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo.
Milei também disse que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar o candidato Sergio Massa, que foi derrotado.
Após o debate presidencial da Globo, quando Lula falou dos níveis de pobreza da Argentina, Milei acusou o petista de “mentiroso” e “ladrão” nas redes sociais
BS20261027154659.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/27/governo-milei-nao-pretende-comentar-vitoria-de-lula-diz-porta-voz.ghtml

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