BRASÍLIA

Hospital da Fauna Silvestre atendeu mais de 5 mil animais em dois anos de funcionamento

18 de fevereiro, 2026 | Por: Agência Brasília

Unidade oferece tratamento multidisciplinar aos bichos; foco é a reabilitação, com soltura na natureza

Gambá-de-orelha-branca, periquito-de-encontro-amarelo, sagui-de-tufos-pretos e coruja-buraqueira são nomes comuns nos prontuários do Hospital e Centro de Reabilitação de Fauna Silvestre (Hfaus). Inaugurado pelo Governo do Distrito Federal em março de 2024, o equipamento oferece tratamento multidisciplinar aos bichos, mantendo como foco a reabilitação e reinserção na natureza. Em quase dois anos, foram atendidos mais de 5 mil animais de 222 espécies diferentes, sendo 71% mamíferos, 23% aves e 6% répteis.

Profissionais do Hvep cuidam de um tamanduá-bandeira: pacientes têm tratamento reforçado para poderem voltar à natureza | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Pioneiro no Brasil, o Hfaus é vinculado ao Instituto Brasília Ambiental e gerido pela Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV). O espaço, que recebeu os primeiros pacientes em fevereiro de 2024 — três periquitos-maracanã — , surgiu como resposta à necessidade de ampliar e qualificar o atendimento veterinário à fauna silvestre no DF e, desde então, se consolidou como referência nacional. Cerca de R$ 5 milhões já foram repassados ao equipamento público.

Atendimento

“Os animais recebem dietas personalizadas e são acompanhados até verificarmos que estão aptos a terem alta”Thiago Mendes, bilólogo e coordenador do Hfaus

Os bichos passam por uma abordagem multidisciplinar que envolve cuidados clínicos, exames laboratoriais e de imagem, alimentação adequada e enriquecimento ambiental para estimular comportamentos naturais e garantir que estejam aptos para viver em liberdade.

As principais causas de entrada são cuidados neonatais (filhotes e jovens), e lesões e fraturas. Os meses com maior número de atendimentos, em 2024 e 2025, foram setembro e outubro.

“Após chegar aqui, os animais são registrados em uma ficha, preenchida por quem fez a entrega, com dados sobre local de resgate, situação de saúde e espécie”, detalha o biólogo Thiago Marques, coordenador do Hfaus. “Depois, passam por uma triagem veterinária, em que identificamos o que precisará ser feito, como exames e medicação, e são alocados em alguma área, dependendo da espécie e do porte, podendo ficar em uma gaiola ou até ocupar uma sala inteira. Os animais recebem dietas personalizadas e são acompanhados até verificarmos que estão aptos a terem alta.”

18/02/2026 - Pioneiro no Brasil, Hospital da Fauna Silvestre atendeu a mais de 5 mil animais em dois anos de funcionamento

Os casos são diversos. Em janeiro, o hospital teve entre seus pacientes um filhote de bugio encontrado debilitado e com ferimento em um dos dedos e um jacaré resgatado após ficar preso na piscina de uma residência. Pouco depois, no começo de fevereiro, a equipe cuidou de dois tamanduás-bandeiras, um que foi atropelado e outro que ficou preso no portão de uma casa, além de quatro lobos-guarás, também com sinais de atropelamento.

Trabalho contínuo

O hospital trabalha de modo integrado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável tanto pelo encaminhamento dos pacientes quanto pela reabilitação e soltura na natureza por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-DF). Também podem encaminhar animais para atendimento o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA-DF), a Universidade de Brasília (UnB), o Zoológico de Brasília e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema-DF), entre outros parceiros.

Ana Nira, da comissão gestora do hospital: “Antes da inauguração, não existia aqui no Distrito Federal nenhum local no qual os animais pudessem ser levados fora do horário comercial ou finais de semana”

 Ana Nira, da Comissão de Gestão do Hfaus, ressalta o impacto do equipamento, que funciona por meio de marco regulatório das organizações da sociedade civil: “Antes da inauguração, não existia aqui no Distrito Federal nenhum local no qual os animais pudessem ser levados fora do horário comercial ou finais de semana. O Hfaus está aberto 24 horas por dia, todos os dias da semana, o que é o grande diferencial, fora que, devido ao modelo de gestão, conseguimos fornecer um atendimento bem completo e amplo para os animais, incluindo cirurgias e assistências como acupuntura e laser.”

Ela reforça ainda que o trabalho de reabilitação e soltura é essencial para a manutenção do equilíbrio ecológico. “Quando reabilitamos um animal e conseguimos devolver à natureza, estamos contribuindo para que possa de fato exercer sua função ecológica”, afirma, aproveitando para anunciar que o hospital, atualmente em Taguatinga, será transferido para outra instalação em breve.

“Será um espaço maior, com ainda mais condições para receber os animais e até fazer a reabilitação, que é a parte voltada para o comportamental, onde vão reaprender a caçar, a identificar os seus pares, com menos contato com seres humanos, até que estejam aptos para serem voltarem à natureza”, adianta. 

Índices de recuperação

De acordo com a tenente do BPMA-DF Thays Gonçalves, o serviço ininterrupto favorece o trabalho da corporação e garante agilidade aos tratamentos. “Graças à parceria com o Hfaus, temos uma taxa de recuperação de animais resgatados em mais de 90%”, aponta. “Os animais só não voltam para a natureza ou vêm a óbito em casos extremos, já que temos total suporte do hospital no tratamento veterinário. É um trabalho integrado que funciona 24 horas com excelência”.

19.419, total de animais devolvidos à natureza, após tratamento e avaliação, no período de 2019 a 2025

Dados oficiais do Ibama apontam que, de 2019 ao ano passado, 15.341 animais silvestres foram resgatados no DF e 19.419 foram devolvidos à natureza após avaliação, tratamento e reabilitação.

O total de devolvidos à natureza é superior ao número de resgates contabilizados, uma vez que apreensões e entregas voluntárias também passam por triagem, tratamento e reabilitação antes da liberação à natureza. As informações são consolidadas no Sistema de Informações de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Siscetas), que reúne todos os registros de entrada, atendimento e destinação da fauna no DF, incluindo os atendimentos registrados no Hfaus.

Em caso de avistamento de animal silvestre, a orientação é nunca intervir diretamente, para evitar acidentes e, principalmente, ataques. O ideal é acionar os órgãos ambientais pelo 190 (BPMA) ou 193 do Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF).

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