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Impedimento semiautomático e lobby por profissionalização no Brasil lideram pacote de novidades para a arbitragem em 2026

5 de janeiro, 2026 | Por: Agência O Globo

Gestão da CBF inicia o ano trazendo tecnologia inédita na América do Sul estipulando metas de renovação; na Inglaterra, árbitros são profissionais há duas décadas

Samir Xaud, presidente da CBF, durante abertura do Grupo de Trabalho da Arbitragem
Samir Xaud, presidente da CBF, durante abertura do Grupo de Trabalho da Arbitragem — Foto: Divulgação/Staff Images/CBF

Propostas de mudanças amplas são o carro-chefe da gestão de pouco mais de sete meses de Samir Xaud à frente da CBF. Além de um novo calendário e a discussão por um modelo de fair play financeiro, outro tema sensível sobre o qual a entidade vem se debruçando é a melhoria da contestada arbitragem do futebol brasileiro. Após um ano em que as reclamações voltaram a crescer, 2026 apresenta uma promessa de evolução no horizonte.

O impedimento semiautomático, usado há alguns anos pela Fifa e pelas principais ligas do futebol europeu, é o principal marco do novo ano. A tecnologia foi trazida para minimizar erros em um dos lances que mais despertam polêmicas e contestações, e acabam condenando árbitros do campo à sala de vídeo.

O chamado SAOT (“Semi-Automatic Offside Technology”, em inglês) será implementada na Série A do Brasileirão e na Copa do Brasil pelo menos nos anos de 2026 e 2027. Esse é o período do contrato que a CBF assinou com a empresa inglesa de tecnologia Genius Sports, no início de novembro. A previsão é de que esteja em funcionamento na rodada de abertura do torneio de pontos corridos, dia 28 deste mês.

CBF e Genius estão finalizando as vistorias em todos os estádios que receberão jogos da Série A, para definir como instalar o sistema que conta com 24 câmeras exclusivas e integração ao sistema da cabine do VAR.

— Trata-se de um sistema robusto, auditável e aderente aos padrões da Fifa, que contribuirá diretamente para reduzir erros, qualificar decisões e fortalecer a confiança de todos os envolvidos no jogo — assegurou Netto Góes, presidente do Grupo de Trabalho (GT) de Arbitragem montado pela CBF, que reúne representantes de clubes das Séries A e B, federações, especialistas nacionais e internacionais e entidades como FENAPAF, STJD, Abrafut, ANAF e CBF Academy para discutir melhorias.

No entanto, se as polêmicas de impedimentos e “linhas traçadas” prometem ser reduzidas no momento em que o Brasil se torna o primeiro país da América do Sul a ter a ferramenta semiautomática em sua principal liga, as decisões controversas em faltas ou expulsões ainda devem seguir em evidências. Em 2025, a fragilidade dos sistema ficou em xeque graças a reclamações constantes que vinham de jogadores, treinadores e dirigentes.

Cúpula pode sofrer mudanças

A gestão anterior da CBF, do ex-presidente Ednaldo Pereira, chegou a instalar, no início do ano passado, um comitê para o comando da arbitragem, liderado por Rodrigo Cintra e composto por ex-árbitros brasileiros e consultores internacionais. A empreitada, no entanto, não se mostrou efetiva, e foi muito questionada à medida que erros graves de árbitros foram se acumulando durante o ano.

Trocas na cúpula não são descartadas. Por enquanto, porém, o foca da entidade vem sendo promover os recém-criados Grupos de Trabalho. Alguns dos principais temas discutidos pelo GT de Arbitragem, que teve seu primeiro encontro no dia 10 de dezembro, são a almejada profissionalização da arbitragem e a renovação do quadro de nomes.

O assunto chegou ao Congresso. Desde novembro, tramita o Projeto de Lei 864/2019, do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O texto já havia sido apresentado há alguns anos por Romário (PL-RJ) e trata, principalmente, do estabelecimento de um vínculo empregatício entre os árbitros e federações estaduais e CBF, com um salário-base e possibilidade de bônus por desempenho. Atualmente, eles recebem por jogo.

Inspiração e meta de renovação

As principais competições europeias, sobretudo a Liga dos Campeões e os campeonatos Inglês e Espanhol, são tratadas como referências a serem seguidas, mesmo que um olhar menos idealista mostre que sofram das mesmas crises geradas por erros de arbitragem.

Lá, no entanto, o dever de casa é bem feito há décadas. Em 2001, a Inglaterra se tornou o primeiro país a profissionalizar seus árbitros, com a criação da PGMOL (“Professional Game Match Officials”). Esse órgão é bancado pelas entidades de futebol local, oferecendo aos árbitros boa remuneração, bônus por desempenho, treinamento e um plano de carreira para subir na hierarquia do futebol inglês. O quadro conta com 162 árbitros e 350 assistentes do futebol masculino e feminino.

Enquanto engatinha no assunto, a CBF apresentou no fim do ano passado a meta de ter ao menos 30 árbitros profissionais já em 2026, nas Séries A e B. No ano que vem, o objetivo é dobrar o número. Para além dos nomes conhecidos, a entidade também quer captar e aperfeiçoar novos talentos, promovendo uma renovação gradual e incluída no novo modelo.


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