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Gestão da CBF inicia o ano trazendo tecnologia inédita na América do Sul estipulando metas de renovação; na Inglaterra, árbitros são profissionais há duas décadas
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Propostas de mudanças amplas são o carro-chefe da gestão de pouco mais de sete meses de Samir Xaud à frente da CBF. Além de um novo calendário e a discussão por um modelo de fair play financeiro, outro tema sensível sobre o qual a entidade vem se debruçando é a melhoria da contestada arbitragem do futebol brasileiro. Após um ano em que as reclamações voltaram a crescer, 2026 apresenta uma promessa de evolução no horizonte.
O impedimento semiautomático, usado há alguns anos pela Fifa e pelas principais ligas do futebol europeu, é o principal marco do novo ano. A tecnologia foi trazida para minimizar erros em um dos lances que mais despertam polêmicas e contestações, e acabam condenando árbitros do campo à sala de vídeo.
O chamado SAOT (“Semi-Automatic Offside Technology”, em inglês) será implementada na Série A do Brasileirão e na Copa do Brasil pelo menos nos anos de 2026 e 2027. Esse é o período do contrato que a CBF assinou com a empresa inglesa de tecnologia Genius Sports, no início de novembro. A previsão é de que esteja em funcionamento na rodada de abertura do torneio de pontos corridos, dia 28 deste mês.
CBF e Genius estão finalizando as vistorias em todos os estádios que receberão jogos da Série A, para definir como instalar o sistema que conta com 24 câmeras exclusivas e integração ao sistema da cabine do VAR.
— Trata-se de um sistema robusto, auditável e aderente aos padrões da Fifa, que contribuirá diretamente para reduzir erros, qualificar decisões e fortalecer a confiança de todos os envolvidos no jogo — assegurou Netto Góes, presidente do Grupo de Trabalho (GT) de Arbitragem montado pela CBF, que reúne representantes de clubes das Séries A e B, federações, especialistas nacionais e internacionais e entidades como FENAPAF, STJD, Abrafut, ANAF e CBF Academy para discutir melhorias.
No entanto, se as polêmicas de impedimentos e “linhas traçadas” prometem ser reduzidas no momento em que o Brasil se torna o primeiro país da América do Sul a ter a ferramenta semiautomática em sua principal liga, as decisões controversas em faltas ou expulsões ainda devem seguir em evidências. Em 2025, a fragilidade dos sistema ficou em xeque graças a reclamações constantes que vinham de jogadores, treinadores e dirigentes.
A gestão anterior da CBF, do ex-presidente Ednaldo Pereira, chegou a instalar, no início do ano passado, um comitê para o comando da arbitragem, liderado por Rodrigo Cintra e composto por ex-árbitros brasileiros e consultores internacionais. A empreitada, no entanto, não se mostrou efetiva, e foi muito questionada à medida que erros graves de árbitros foram se acumulando durante o ano.
Trocas na cúpula não são descartadas. Por enquanto, porém, o foca da entidade vem sendo promover os recém-criados Grupos de Trabalho. Alguns dos principais temas discutidos pelo GT de Arbitragem, que teve seu primeiro encontro no dia 10 de dezembro, são a almejada profissionalização da arbitragem e a renovação do quadro de nomes.
O assunto chegou ao Congresso. Desde novembro, tramita o Projeto de Lei 864/2019, do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). O texto já havia sido apresentado há alguns anos por Romário (PL-RJ) e trata, principalmente, do estabelecimento de um vínculo empregatício entre os árbitros e federações estaduais e CBF, com um salário-base e possibilidade de bônus por desempenho. Atualmente, eles recebem por jogo.
As principais competições europeias, sobretudo a Liga dos Campeões e os campeonatos Inglês e Espanhol, são tratadas como referências a serem seguidas, mesmo que um olhar menos idealista mostre que sofram das mesmas crises geradas por erros de arbitragem.
Lá, no entanto, o dever de casa é bem feito há décadas. Em 2001, a Inglaterra se tornou o primeiro país a profissionalizar seus árbitros, com a criação da PGMOL (“Professional Game Match Officials”). Esse órgão é bancado pelas entidades de futebol local, oferecendo aos árbitros boa remuneração, bônus por desempenho, treinamento e um plano de carreira para subir na hierarquia do futebol inglês. O quadro conta com 162 árbitros e 350 assistentes do futebol masculino e feminino.
Enquanto engatinha no assunto, a CBF apresentou no fim do ano passado a meta de ter ao menos 30 árbitros profissionais já em 2026, nas Séries A e B. No ano que vem, o objetivo é dobrar o número. Para além dos nomes conhecidos, a entidade também quer captar e aperfeiçoar novos talentos, promovendo uma renovação gradual e incluída no novo modelo.
BS20260105070056.1 – https://extra.globo.com/esporte/noticia/2026/01/impedimento-semiautomatico-e-lobby-por-profissionalizacao-no-brasil-lideram-pacote-de-novidades-para-a-arbitragem-em-2026.ghtml

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