ECONOMIA

Inadimplência bancária volta a subir em maio e bate recorde no Brasil, segundo BC

1 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Taxa média de inadimplência está em 4,7%. A situação é pior nas famílias, em que o índice subiu para 5,6%, também recorde

Inadimplência volta a subir entre as famílias – Foto: Arquivo/ABr

A taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro voltou a subir em maio, chegando a 4,7% no mês, o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC) iniciada em 2011. Os dados do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, divulgados nesta quarta-feira, consideram operações com atraso superior a 90 dias, de pessoas físicas e empresas.

Considerando apenas pessoas físicas na modalidade de crédito com recursos livres, que inclui cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal, o índice sobe para 7,6%, também um recorde.

A inadimplência e seus efeitos no bolso da população estão entre as principais preocupações do governo Lula, que lançou em maio uma nova versão do Desenrola Brasil. Mesmo com a renegociação de ao menos R$ 15 bilhões em dívidas, os atrasos nos pagamentos seguiram crescendo no mês. Em abril, o índice era de 4,6%, considerando empresas e famílias.

O indicador disparou no úlitmo ano. Segundo os dados do BC, a inadimplência total aumentou em 1 ponto percentual nos últimos 12 meses.

Há duas grandes categorias de crédito acompanhadas pelo BC, o direcionado e o livre. O direcionado é aquele com destinação específica, criado para financiar setores considerados estratégicos, como habitação, agricultura e infraestrutura. Os recursos são em geral da poupança ou de fundos e programas públicos e, em muitos casos, os juros são subsidiados. Para pessoas físicas, o crédito habitacional é o mais comum.

O crédito livre abrange empréstimos em que as instituições financeiras têm autonomia para definir as taxas de juros, os prazos e a destinação dos recursos, com base em seus próprios critérios de risco. Cheque especial, cartão de crédito, crédito pessoal estão entre os mais habituais.

Considerando ambas as categorias, a inadimplência das famílias subiu de 5,5% em abril, para 5,6% em maio, o mais alto nível da série. O recorde se repete quando levado em conta apenas o crédito livre. Neste caso, o índice sobe a 7,6% em maio, ante 7,4% no mês anterior.

Entre as pessoas jurídicas, a taxa de inadimplência subiu para 3,2% no mês passado, maior patamar desde setembro de 2017.

Enquanto isso, o índice que mede o endividamento e comprometimento de renda das famílias permaneceu estável, em 49,9%.

Novo Desenrola Brasil

Em meio ao crescimento da inadimplência, o governo lançou a nova versão do Desenrola Brasil, que renegociou desde maio, ao menos, R$ 15,9 bilhões em dívidas, segundo os balanços mais recentes divulgados pelo governo.

Segundo o balanço apresentado pela equipe econômica no final de maio, R$ 10 bilhões em dívidas haviam sido renegociadas pelo Desenrola Famílias, voltado para pessoas físicas.

Somadas, as dívidas foram reduzidas para cerca 2,6 bilhões — 1,3 bilhão do Desenrola Famílias, mais R$ 1,28 bilhão do Desenrola Fies. O programa ainda conta com o Desenrola Rural, voltado para dívidas no campo, que ainda não teve balanço oficial apresentado.

O novo programa de renegociação de dívidas do governo tem seu foco principal nas famílias. Consumidores que ganham até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão renegociar, diretamente com os bancos, dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal sem garantia.

Na segunda-feira, o governo lançou uma nova modalidade do programa, dessa vez voltada para adimplentes.


BS20260701124542.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/01/inadimplencia-bancaria-volta-a-subir-em-maio-e-bate-recorde-no-brasil-segundo-bc.ghtml

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