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EXTRA acompanhou um dia de gravações de ‘Deixa a vida me levar’: Cacique de Ramos foi recriado em Duque de Caxias e foram usados 60 maços de cigarro e 360 cervejas nas cenas

Num terreno baldio e enlameado do bairro Chácaras Rio-Petrópolis, próximo à Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, o Cacique de Ramos dos anos 80 foi remontado, com direito à simbólica tamarineira que abrigava suas rodas de samba e pinturas de figuras indígenas nas paredes. Foi ali que, em 1981, “Camarão que dorme a onda leva”, composição de Beto Sem Braço, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz, foi apresentada pela primeira vez. A música encantou Beth Carvalho, que convidou Zeca para gravá-la com ela.
— E Zeca, que nunca tinha imaginado ser cantor, acabou protagonizando um clipe no “Fantástico” ao lado da Madrinha do Samba que mudou sua vida. Ele conta que foi dormir pobre e desconhecido. Quando acordou, continuava pobre, mas famoso — detalha Roberto Faustino, roteirista do filme “Deixa a vida me levar”, sobre a trajetória e a carreira de um dos sambistas mais amados do Brasil.
O EXTRA acompanhou um dia das cinco semanas de gravações do longa-metragem, inspirado no livro “Zeca: deixa o samba me levar”, de Jane Barbosa e Leonardo Bruno, publicado em 2014. A previsão é que a obra, que tem produção de Marco Altberg e distribuição da Paris Filmes, chegue aos cinemas após o carnaval do ano que vem.
— Queremos não só apresentar as músicas consagradas e como elas nasceram, mas um personagem central que emocione. É um filme inspirado na realidade, e não copiado dela. Fizemos testes no Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém, para dar oportunidade ao pessoal da Baixada Fluminense de participar — conta Faustino, também coprodutor de “Deixa a vida me levar”.
Além de uma criança e um adolescente interpretando o protagonista — e do próprio Zeca, que faz uma participação como ele mesmo —, o sambista Mosquito estrela a maior parte do filme.
— É o meu primeiro trabalho como ator. Decorar o texto é o mais fácil. Difícil é levantar na hora certa, abaixar a cabeça, olhar para a luz, não piscar, chorar, rir… Espero representá-lo à altura — diz o cantor, sempre comparado fisicamente ao ídolo: — Acho que isso ajudou na minha escolha para o papel. Nas cenas que o Zeca acompanhou, o vi sorrindo, se divertindo. Numa delas, de briga, ele falou: “ Não dá mole pra ele, não! É minha imagem que está em jogo!” (risos). Esse trabalho humanizou o Zeca pra mim. Eu o via como um orixá da música. Agora, o vejo como marido, pai, filho… É um cara foda em tudo!
Silvio Guindane se deparou pessoalmente com Zeca Pagodinho pela primeira vez quando interpretava o garoto Basílio, na novela “O clone” (2001), e o sambista fez uma participação especial no Bar da Dona Jura (Solange Couto). Vinte e cinco anos depois, ele agora dirige, com todo o vigor que lhe é característico, a cinebiografia do bamba.
— Todo brasileiro se sente próximo do Zeca, né? De ser fã, admirador da pessoa e do artista que ele é, da potência musical e agregadora que ele tem e do talento incomparável — tece elogios, contando que flagrou o homenageado emocionado em diversos momentos enquanto acompanhava algumas filmagens: — Ele não deu palpites, mas contou como aconteceu na real. Representa o brasileiro, que veio de família simples e conseguiu vencer através do seu sonho. Zeca não se tornou mais um invisível. Construiu uma família linda, unida, tudo através do samba, que naquela época era marginalizado.
Para as cinco semanas de filmagens, foram providenciados 60 maços de cigarro sem tabaco e 360 cervejas sem álcool, para serem usados nas cenas. Os rótulos das garrafas foram trocados por modelos da década de 80. “Não me deixam beber cerveja com álcool no set, senão eu fico tonto, não dá para representar. Mas, quando finalizamos as diárias, Arlindinho aparece com umas de verdade, aí a gente brinda”, confidenciou Mosquito.
Arlindinho interpreta seu saudoso pai, Arlindo Cruz, no filme: “Erika (Januza), minha namorada, foi a maior incentivadora para que eu fizesse teste para o papel. Fui aprovado de cara! É meu primeiro trabalho como ator, e que emoção! Acho que Arlindão e Zeca são para o samba o que Bebeto e Romário representam para o nosso futebol”, compara ele. No longa, Stephanie Serrat vive Beth Carvalho, e Talita Younan, Mônica Silva, mulher de Zeca Pagodinho.
BS20260620063016.1 – https://extra.globo.com/entretenimento/noticia/2026/06/interprete-de-zeca-pagodinho-em-filme-mosquito-diz-que-agora-o-enxerga-diferente-eu-o-via-como-um-orixa-da-musica.ghtml

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