No domingo, quase ao mesmo tempo, diversos quadros de partidos de esquerda que apoiam Eduardo Paes (PSD) na eleição do Rio publicaram vídeos em que pregam o “voto útil” no candidato à reeleição. A estratégia busca evitar que o eleitor progressista da cidade abrace Tarcísio Motta (PSOL), até agora tímido nas pesquisas, e garantir a vitória de Paes no primeiro turno.
No cálculo do prefeito, o crescimento do bolsonarista Alexandre Ramagem (PL) era precificado e pode até se dar de forma mais acentuada nos próximos dias. O que precisa acontecer para a eleição não ser levada ao segundo turno é a estagnação dos demais candidatos. Até o momento, vem dando certo.
Entre os políticos tarimbados que embarcaram na campanha pelo voto útil estão figuras que disputaram eleições para prefeito do Rio nas últimas décadas: o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT); as deputadas federais Benedita da Silva (PT) e Jandira Feghali (PCdoB); e a deputada estadual Martha Rocha (PDT). Os quatro, diga-se, enfrentaram Paes em ao menos uma eleição neste século.
— Está claro que, se houver segundo turno, quem vai estar é o Ramagem. Então todos os democratas e a esquerda têm que se unir em torno do Eduardo, um ótimo prefeito, para garantir a vitória no primeiro turno — afirma ao Globo o presidente estadual do PT, João Maurício de Freitas.
Também aderiram ao movimento o deputado federal Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT e candidato a prefeito de Maricá, e a deputada estadual Verônica Lima (PT), cujo reduto é Niterói.
A cidade da Região Metropolitana, inclusive, também foi abordada no vídeo da parlamentar e de outros, que aproveitaram para defender a vitória de Rodrigo Neves (PDT) já no próximo domingo — o pedetista enfrenta Carlos Jordy (PL) e Talíria Petrone (PSOL).
‘Estratégia’
O vídeo de Freixo, principal expoente da esquerda carioca nas últimas duas décadas, diz que é hora de votar “com estratégia”. Ao analisar as conjunturas do Rio e de Niterói, o ex-deputado avalia que o único segundo turno possível seria com a presença de bolsonaristas, o que deve ser evitado.
“Agora é hora de derrotar o bolsonarismo, agora é hora de ter maturidade, de ter diálogo, de votar com responsabilidade. Não podemos dar margem para ter segundo turno com candidatos como Ramagem e Carlos Jordy em duas cidades tão importantes”, diz o ex-correligionário de Tarcísio Motta e Talíria Petrone.