
Flávio cita ‘censura’ ao justificar não ir a debate da Globo, que depois foi cancelado: ‘Insegurança jurídica chegou ao ápice’
Programa com candidatos ao Planalto estava previsto para a noite desta quinta-feira
Em entrevista ao podcast Flow, presidente afirmou que já é ‘muito conhecido’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou nesta quinta-feira a decisão de não comparecer ao debate da TV Globo. Em entrevista ao Flow Podcast, quase no mesmo horário em que seria realizado o confronto entre os candidatos na emissora, o petista afirmou que os adversários usam a oportunidade para “fazer gracinha”.
— Eu acho que esses debates são infrutíferos, não dão sequência, e aí o pessoal começa a fazer gracinha, qual é a piada, qual a pegadinha. Quando você está na disputa à Presidência, é uma coisa mais séria, você está discutindo o país, você não está discutindo quem vai lacrar mais. Não gosto desse tipo de debate — afirmou Lula.
O debate, previsto para esta quinta-feira, foi cancelado. A menos de três horas do evento, duas decisões de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alteraram a dinâmica do confronto de ideias.
A primeira liminar, da ministra Estela Aranha, proibiu a emissora de exibir de forma destacada a cadeira vazia de Lula, após a campanha do PT acionar o TSE. A segunda, do ministro Gilmar Mendes, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) como um dos convidados do embate.
A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determinava que em caso de ausência do candidato, o púlpito seria mantido vazio. Já em relação aos convidados, a lei eleitoral dispensa necessidade de convite a partidos como o Missão, sem representação mínima de cinco parlamentares na Câmara.
A TV Globo informou, ao cancelar o debate, que as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do evento causam insegurança jurídica e “representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais”.
Lula questionou as regras de debates, e afirmou que já é “muito conhecido”.
— Não dá para você colocar uma pessoa que tem 49% e disputar com uma pessoa que está com 1%. Tem que ter processo seletivo, quem tem 1% tem que disputar com 1%, 2%, 3%. Pessoal já me conhece demais, já sou muito conhecido.
Principal adversário de Lula na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar do debate após a disputa na Justiça Eleitoral que definiu a mudança de critérios.
— Uma coisa é disputar com Fernando Henrique Cardoso, com Alckmin, com Maluf. Outra coisa é disputar a presidência da República com uma pessoa desqualificada como Flávio Bolsonaro. É uma pessoa sem passado, sem presente, nem futuro. Ele nunca teve um emprego na vida.
A Globo recebeu na noite desta quinta-feira duas notificações relacionadas à realização do debate presidencial programado para esta noite, que interferem nas regras previamente acordadas, e decidiu por seu cancelamento.
A primeira é assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e atende a um pedido da coligação da candidatura de Lula, do PT, à Presidência da República.
A decisão torna inválido o item das regras do debate que trata de candidatos ausentes.
A ata com as regras, assinada por todos os partidos, inclusive o PT, determina que em caso de ausência do candidato, o púlpito reservado a ele seja mantido vazio no cenário com uma placa que o identifique. E que numa das rodadas de tema livre, os candidatos presentes que assim desejarem formulem em trinta segundos a pergunta que fariam ao candidato que não compareceu.
A decisão da ministra Estela Aranha proíbe o púlpito com o nome de Lula e a formulação das perguntas que seriam feitas a ele.
A segunda intimação recebida pela Globo esta noite é de uma decisão proferida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e atende a um pedido feito pelo partido Solidariedade a respeito da participação no debate de Renan Santos, do Missão.
As regras que estabelecem que candidatos devem ser obrigatoriamente convidados para debates em rádio e TV são determinadas por lei e reguladas por portaria do Tribunal Superior Eleitoral.
Devem ser convidados obrigatoriamente os candidatos de partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional.
Em atendimento a essa regra, a Globo convidou para o debate os candidatos Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT).
Uma outra decisão, essa da última terça-feira (29), do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, alterou entendimento do próprio TSE sobre contagem de parlamentares no Congresso para fins de debate e decidiu que Romeu Zema, do Novo, teria direito de participar.
CA decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, proferida há pouco, determinou a participação do candidato Renan Santos, mesmo o Missão, partido de Renan, tendo apenas um parlamentar no Congresso Nacional.
A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia.
Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais.
Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate.
BS20261002005459.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/10/lula-diz-que-faltou-ao-debate-da-globo-porque-o-pessoal-comeca-a-fazer-gracinha.ghtml

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