POLÍTICA

Lula diz que Nossa Senhora ‘não será avacalhada’ e ataca templo de Vorcaro: ‘Igreja mentirosa é aquela da Lagoinha’

29 de setembro, 2026 | Por: Agência O Globo

Declaração ocorreu em comício em Belém, no Pará, na noite desta segunda-feira

Lula levanta imagem de Nossa Senhora de Nazaré em comício no Pará — Foto: Reprodução / YouTube

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou o caso da crise com a padroeira de Nossa Senhora Aparecida que tem desgastado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições, e afirmou que Nossa Senhora “não será avacalhada” por ninguém.

A história foi impulsionada nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A declaração de Lula ocorreu em comício em Belém, no Pará, na noite desta segunda-feira. O presidente também criticou o pastor André Valadão, líder da Igreja Batista da Lagoinha, por suas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

— Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive a religião de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade, a única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro— disse Lula.

Ao final do comício, o ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado neste ano, presenteou Lula com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré. O petista carregou a imagem pelo palco e exibiu a obra ao público. A primeira-dama, Rosangela da Silva, a Janja, também fez menção a crise que tem desgastado Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula nas eleições deste ano.

— Eles se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das outras pessoas. Fé é coisa séria e tem que ser respeitada, qualquer religião (…) E que o manto de Nossa Senhora nos proteja de falsos adoradores de Deus, de falsos profetas da fé. Que Nossa Senhora ilumine os caminhos do presidente Lula e afaste ele de todo mal e de toda mentira— afirmou a primeira-dama.

Em seu discurso, Lula voltou a defender a soberania brasileira e disse que o presidente americano, Donald Trump, não deve interferir nas eleições de outubro.

— Temos que dizer ao presidente Trump: não se meta nas eleições do Brasil, esse país tem dono e se chama povo brasileiro, que é o dono da democracia. E aqui nem chinês, nem americano, nem inglês, nem japonês mete o dedo. Aqui quem mete o dedo somos nós.

O petista citou a exploração das terras raras neste momento:

— Desta vez ninguém vai meter a mão nos nossos minérios ricos e nas nossas terras raras. Nós vamos explorar aqui, desenvolvê-los aqui, industrializá-los aqui. Quem quiser venha aqui para o Brasil transferir tecnologia. Não adianta o Trump ficar dizendo que tem o maior avião, maior foguete. Eu não quero guerra contra os Estados Unidos, eu quero respeito— afirmou.

O petista também criticou Vorcaro e as relações dele com políticos, afirmando que foi o seu governo que transformou o “banqueiro deles em prisioneiro”.

Disputa pelo Senado

No ato desta segunda-feira, participaram e discursaram três candidatos ao Senado: o ex-governador Helder Barbalho (MDB), o atual presidente da Assembleia Legislativa do Pará, Chicão (União Brasil), e o ex-ministro do Turismo Celso Sabino (PDT). Helder e Chicão estão na mesma chapa, que é a apoiada por Lula oficialmente, mas Sabino tem o apoio do presidente da República na disputa e já gravou material de campanha com ele.

Pesquisa Quaest para o Senado no Pará divulgada no dia 26 mostrou Helder à frente dos demais candidatos. Ele aparece com 25%, seguido de Delegado Éder Mauro (PL), com 15%, Chicão, com 15%, Zequinha Marinho (Podemos), com 10%, e Celso, com 5%.

O próprio Lula tratou do tema em sua fala ao cobrar unidade dos candidatos. Ele se dirigiu ao presidente do PT, Edinho Silva, que acompanhava o ato, e disse que ele deveria se reunir com o presidente do MDB nos próximos dias para fazer a avaliação de qual dos três nomes “têm condições de ser eleito senador”, indicando que deveria ser feita uma escolha por apenas dois deles.

Ele citou o caso do Rio Grande do Norte, nas últimas eleições, quando, segundo ele, não houve unidade entre o campo aliado, o que, na avaliação de Lula, contribuiu para a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN), hoje coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro. O petista disse que o estado do Pará “não pode eleger um bolsonarista para ser senador”.

— Se o cara for para lá (Brasília), ele vai para lá para infernizar a minha vida, para não deixar a gente governar— disse.

Sabino teve de deixar o governo após ultimato do União Brasil —num momento em que a sigla exigiu que seus filiados deixassem o governo Lula— e acabou sendo expulso da legenda por não deixar a Esplanada. Ele se filiou ao PDT e manteve a candidatura ao Senado.

No ato, Sabino estava vestido com uma camiseta vermelha estampada com desenho dos rostos dele e do presidente e teceu elogios a Lula em seu discurso. Ele afirmou que o petista “transformou a vida dele”, que tem “carregado esta camiseta por todo o Pará” e fez críticas a seu antigo partido.

— Quando o União Brasil, o 44, me colocou na parede para soltar a mão do presidente Lula eu não tive dúvida: fiquei ao seu lado, presidente, e ao lado do povo do Pará— disse.

Em seguida, discursou Chicão, adversário direto de Sabino. Em uma crítica velada ao ex-ministro, disse que sempre foi uma “pessoa de grupo” e defendeu “o conjunto”:

— Não preciso dizer neste palco há quanto tempo visto a bandeira e carrego o nome Lula no estado do Pará. Não preciso vir aqui para dizer que entrei nesse barco agora—afirmou.

Helder Barbalho citou Sabino nominalmente em seu discurso, disse que ele o apresentou a Lula e o fez virar ministro e ressaltou que brigas nesse campo podem favorecer candidaturas de adversários.

— Brigar entre nós é prestar serviço para quem não merece representar o Pará. Que isso sirva de responsabilidade política para todos que têm juízo, porque o que está em jogo é ter dois senadores comprometidos com a democracia, com as pautas importantes para o Pará. E se a gente brigar entre a gente a gente pode entregar uma vaga desnecessariamente para quem está na contramão desse projeto. E quem pode vencer essa eleição ao Senado é Helder e Chicão— disse Helder.

Helder e Lula apoiam Hana Ghassan (MDB), que era vice-governadora do emedebista, que aparece atrás nas pesquisas de intenção de voto. Pesquisa Quaest divulgada no dia 26 mostrou o ex-prefeito Dr. Daniel (Podemos), adversário de Helder, com 41%, ante 32% de Hana.

BS20260929020034.1 – https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/09/lula-diz-que-nossa-senhora-nao-sera-avacalhada-e-ataca-templo-de-vorcaro-igreja-mentirosa-e-aquela-da-lagoinha.ghtml

Artigos Relacionados