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Com estreia de série documental no streaming, Dona Ruth conta como era a filha dentro de casa e relembra a relação estreita com fãs

A mulher que conquistou milhões de brasileiros com canções sobre traições, desilusões amorosas e recomeços guardava uma faceta pouco conhecida do público. Longe dos palcos, Marília Mendonça gostava de andar descalça, comer a comida da mãe e deitar no colo dela para pedir carinho. É o que revela Ruth Moreira, a Dona Ruth, em entrevista ao GLOBO quase cinco anos após a morte da cantora, aos 26 anos, num acidente aéreo, em novembro de 2021.
O depoimento vem à tona em meio à estreia de “Marília Mendonça: sentimento louco”, série documental que chega nesta sexta-feira (16) ao Prime Video. Dividida em quatro episódios, a produção dirigida por Susanna Lira recupera registros inéditos da artista, além de reunir depoimentos de amigos, familiares e colegas de profissão. A cineasta teve acesso a 530 mil arquivos pessoais de Marília, entre os quais 50 mil vídeos, além de áudios, mensagens e anotações que ajudam a reconstituir a intimidade da Rainha da Sofrência.
Na conversa, Dona Ruth também fala sobre a quantidade de músicas e composições inéditas deixadas pela filha, que costumava registrar ideias em caderninhos e gravações caseiras. E revela como a relação de Marília com os fãs permanece viva, mesmo depois de sua partida. “Os fãs da Marília não são apenas fãs, eles viraram parte da nossa família”, afirma.
Até hoje eu abro um caderno antigo ou escuto um áudio no celular e me pego chorando de emoção. A Marília não escrevia por obrigação ou porque era trabalho, ela escrevia porque a alma dela pedia isso. Era uma necessidade do coração dela. Desde novinha, ela via uma situação da vida de alguém, um sofrimento ou uma alegria de um amigo, e aquilo virava música em questão de minutos. Deus deu pra ela um dom muito raro, uma sensibilidade de enxergar a alma das pessoas e transformar em verso o que o povo nem sabia como dizer. Isso nunca vai deixar de me impressionar, porque vinha direto do céu.
A Marília artista e a Marília de casa eram a mesma verdade, mas no palco ela vestia aquela armadura de mulher gigante, forte, que falava por milhões. Em casa, no aconchego da família, ela tirava essa armadura. Era uma menina dengosa, que gostava de andar descalça, comer a comida que eu fazia, deitar no meu colo pra pedir carinho… O público via a potência da voz dela, mas quem vivia com ela conhecia a doçura e a simplicidade de uma menina que só queria ver todo mundo ao redor feliz.
Recebo todos os dias, e é isso que me dá forças pra continuar em pé. Os fãs da Marília não são apenas fãs, eles viraram parte da nossa família. O que mais me toca é quando chegam mães me abraçando no meio da rua, ou mandando carta, dizendo que a Marília ajudou elas a saírem de um relacionamento doloroso, ou que uma música dela deu coragem pra pessoa recomeçar a vida. Recentemente, uma fã me mostrou uma tatuagem da assinatura da Marília e me disse que ouvindo ela aprendeu a se amar mais. Ver o quanto a minha filha ainda cura a dor dos outros e traz alegria pras pessoas mesmo não estando aqui em matéria, isso me emociona demais.
BS20261016123000.1 – https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/10/16/mae-de-marilia-mendonca-revela-lado-desconhecido-da-cantora-quase-cinco-anos-apos-tragedia-tirava-a-armadura.ghtml

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