VARIEDADES

Maíra Cardi relata ter reação ao PMMA no rosto 20 anos após aplicação do produto; veja os riscos

25 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Substância é proibida no Brasil para uso com fins estéticos

Maíra Cardi relata consequências do PMMA — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A influenciadora Maíra Cardi, conhecida por suas polêmicas envolvendo alimentação, publicou um vídeo em suas redes sociais para relatar consequências de reação ao polimetilmetacrilato, também conhecido como PMMA, após 20 anos da aplicação do produto em seu rosto.

Cardi conta que realizou o procedimento em uma dermatologista e acreditava que seria algo seguro. No entanto, passou a ter reações nos locais de aplicação nos últimos anos.

O que é o PMMA?

O PMMA é uma substância plástica, ou seja, não é reabsorvível pelo organismo. Ela é utilizada como um preenchedor em forma de gel durante procedimentos para corrigir pequenas deformidades e para casos de lipodistrofia – uma perda de gordura facial que pode ocorrer em pessoas que vivem com HIV.

E também para correção volumétrica facial e corporal, que é uma forma de tratar alterações, como irregularidades e depressões no corpo, fazendo o preenchimento em áreas afetadas. Ao ser aplicado de forma mais profunda na pele, ele pode desencadear complicações graves, como as infecções e a rejeição do corpo. Além disso, por não ser reabsorvível pelo organismo, ele se adere a estruturas como músculos e ossos, o que torna a sua remoção quase impossível.

A controvérsia no uso do PMMA ganhou força após começarem a surgir casos de pacientes mortas por complicações em procedimentos estéticos com a substância. O episódio mais recente associado ao PMMA foi a morte de Roseli Vieira, que aplicou a substância nos glúteos e coxas, em um consultório médico na capital paulista. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Neste mês, passou a valer a proibição do uso do PMMA para fins estéticos no país, de acordo com resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFM diz que a norma irá prever apenas uma única exceção para pacientes de HIV que sofram de lipodistrofia. Para que a aplicação seja feita, no entanto, ela deverá ser realizada em “unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde”.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o seu uso em procedimentos estéticos. Em nota publicada no ano passado, a entidade reiterou que o uso fora das orientações médicas – em pequenas deformidades e na lipodistrofia – “é extremamente perigoso”.

“Apesar do produto ser comercializado em nosso meio, o mesmo pode ocasionar complicações precoces e tardias de difícil resolução. Dentre as complicações podemos citar: nódulos, massas e processos inflamatórios e infecciosos ocasionando danos estéticos e funcionais desastrosos e irreversíveis. (…) De acordo com relatos nos trabalhos científicos, as complicações mais graves como necroses, cegueiras, embolias e óbitos apresentam maior frequência com este produto do que com os preenchedores absorvíveis”, diz a nota.

A Anvisa também já demonstrou preocupação com o uso inadequado do PMMA e os riscos para a saúde. Além dos já mencionados, a agência reforçou que, apenas nos casos permitidos, “o produto deve ser administrado por profissionais médicos treinados”, para evitar complicações.


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