POLÍTICA

Mendonça volta a determinar sigilo em investigação sobre Ciro Nogueira

25 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Ministro assinalou que, passada a análise das prisões de Henrique e Felipe Vorcaro pela Segunda Turma do STF, era o caso de voltar o sigilo aos procedimentos, para prosseguimento das investigações

O ministro André Mendonça, durante sessão do STF — Foto: Carlos Moura/STF/09-11-2023

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, recolocou em segredo nas investigações em que foram determinadas as prisões do pai e do primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente. O relator da Operação Compliance Zero havia tornado públicas as peças da apuração horas antes do julgamento que acabou confirmando as prisões dos familiares de Vorcaro. A mesma investigação atinge o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.

Em despacho assinado na quarta-feira, o ministro assinalou que, passada a análise das prisões pela Segunda Turma do STF, era o caso de voltar o sigilo, para prosseguimento das investigações.

Entre os documentos que vieram à tona com o levantamento, ainda que provisório, do sigilo dos processos de Henrique e Felipe foram as representações da Polícia Federal que citavam o senador Ciro Nogueira e a ‘Turma’ – suposto ‘braço armado’ do grupo chefiado por Vorcaro.

O parlamentar que preside o PP foi alvo da mesma operação que levou o primo do ex-banqueiro à prisão. Já os integrantes da ‘Turma’ são investigados no procedimento que apura o suposto envolvimento de Henrique Vorcaro com o esquema montado por seu filho para as fraudes bilionárias.

O sigilo das investigações foi levantado na semana passada, logo após o decano Gilmar Mendes devolver o caso de Henrique e Felipe à pauta da Segunda Turma do STF, para a continuação do julgamento que decidiria se ambos ficariam presos ou não.

O ministro liberou os processos e levou o caso para discussão na sessão que ocorreria no mesmo dia, na terça passada. Em seguida, Mendonça decidiu tirar o sigilo dos procedimentos, citando especificamente a inclusão em pauta, relâmpago, do tema.

Havia uma expectativa para o julgamento vez que a discussão sobre Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, era vista nos bastidores como um teste da atual correlação de forças da Segunda Turma. Já havia dois votos – de Mendonça e do ministro Luiz Fux – para manter a prisão e era esperado que Gilmar defendesse a libertação do empresário. Assim, interlocutores indicaram que Nunes Marques detinha o voto potencialmente decisivo sobre o caso.

A sessão em questão foi marcada por um embate entre Gilmar e Mendonça. O decano fez uma série de críticas à condução de acordos de colaboração premiada e ao papel de magistrados em investigações criminais. Em resposta, o relator afirmou que a investigação sobre a fraude financeira revelou “contornos de máfia”.

Como mostrou o GLOBO, o julgamento acabou marcando um dos capítulos da mudança na dinâmica de forças da Segunda Turma. Há uma avaliação de que o caso Master alçou o relator, Mendonça, a uma posição de maior protagonismo e influência no STF, gerando ainda uma nova rede de apoio em torno do ministro no colegiado em que o decano mantém há anos o protagonismo.


BS20260625191040.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/25/mendonca-volta-a-determinar-sigilo-em-investigacao-sobre-ciro-nogueira.ghtml

Artigos Relacionados