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Menos crianças têm celular no Brasil: IBGE mostra recuo só na faixa etária de 10 a 13 anos

2 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Entre 2024 e 2025, parcela que tinha aparelho para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2%, na contramão de tendência generalizada de aumento na população brasileira. ECA Digital e restrição nas escolas explicam recuo

Cai o uso de smartphones entre crianças e adolescentes: preocupação com segurança digital e com exposição em redes sociais ajudam a explicar esse recuo – Foto: @magnific / Divulgação

A posse de telefone celular no Brasil continuou avançando de maneira generalizada entre a população brasileira em 2025, mas houve uma exceção: as crianças de 10 a 13 anos foram o único grupo etário a registrar queda no indicador, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.

As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal (Pnad TIC 2025).

Entre 2024 e 2025, a parcela de crianças nessa faixa etária que possuíam celular para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2%. Com isso, esse grupo continuou sendo o que apresenta a menor proporção de pessoas com aparelho entre todas as faixas etárias.

— A gente vê cada vez mais uma discussão, uma preocupação com a segurança das crianças e com a exposição delas, por exemplo, às redes sociais. Isso pode estar relacionado a essa estagnação. A gente viu, a partir de 2025, uma restrição ao uso de celulares nas escolas. Desde o ano passado já vem tendo uma discussão intensa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, o ECA Digital, que esse ano entrou em vigor. Então, isso tudo pode estar influenciando — avalia o analista do IBGE Gustavo Fontes.

Além da posse de celular, caiu também o uso de internet por esta faixa etária. Este grupo também foi o único a ter queda no acesso à rede, passando de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025.

Na direção oposta, os idosos foram os que mais ampliaram a posse de celular no último ano. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual de proprietários do aparelho aumentou 2 pontos percentuais, o maior crescimento entre os grupos analisados, saindo de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.

No total, em 2025, 167,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade tinham telefone móvel celular para uso pessoal no país, o que correspondia a 89,8% da população, segundo o IBGE.

Por que brasileiros não têm celular?

Ao todo, havia no país, em 2025, 19,1 milhões de pessoas com 10 anos ou mais sem telefone celular para uso pessoal, o equivalente a 10,2% da população. O percentual vem caindo ao longo dos anos: era de 18,7% em 2019 e passou para 11,1% em 2024. Entre aqueles que não possuíam celular, 36,9% eram idosos e 27,4% tinham entre 10 e 13 anos.

O principal motivo apontado por quem não possuía celular foi não saber utilizar o aparelho, resposta dada por 31,1% dos entrevistados. Em seguida aparecem a falta de necessidade (21,1%) e o alto custo do equipamento (14,9%). Juntos, esses três fatores representam cerca de dois terços das respostas.

Outros motivos citados foram preocupação com privacidade ou segurança (11,8%), uso do celular de outra pessoa (10,1%), outros motivos (8,9%), custo do serviço de telefonia (1,9%) e indisponibilidade do serviço nos locais frequentados (0,4%).

A preocupação com privacidade ou segurança vem ganhando importância. O percentual de pessoas que apontaram esse motivo mais que dobrou em três anos, passando de 4,8% em 2022 para 7,7% em 2024 e chegando a 11,8% em 2025.

Entre as crianças de 10 a 13 anos, esse foi justamente o principal motivo para não ter um celular, citado por 32% dos entrevistados.

Segurança também pesa no uso da internet

Em 2025, 9,5% da população de 10 anos ou mais não utilizou a internet. Entre essas pessoas, o motivo mais frequente foi não saber usar a tecnologia (44,9%), seguido pela falta de necessidade (27,8%).

As razões econômicas, como o custo do serviço ou dos equipamentos, responderam juntas por 9% das respostas. Já a preocupação com privacidade ou segurança foi mencionada por 5,3% dos entrevistados, enquanto a falta de tempo apareceu em 4,6% dos casos.

O IBGE destaca que, desde 2022, quando esse motivo passou a ser pesquisado, a preocupação com privacidade ou segurança cresce ano após ano como justificativa para não usar a internet, acumulando alta de 3 pontos percentuais. Esse movimento foi mais intenso entre os grupos mais jovens, enquanto os motivos ligados ao custo perderam importância.

Entre as crianças de 10 a 13 anos, que formam o segundo maior grupo entre os que não utilizaram a internet, os motivos mais citados foram a falta de necessidade (33,8%) e a preocupação com privacidade ou segurança (30,3%), o que, segundo o IBGE, pode refletir receios de pais e responsáveis.



BS20260702130020.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/02/menos-criancas-tem-celular-no-brasil-ibge-mostra-recuo-so-na-faixa-etaria-de-10-a-13-anos.ghtml

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