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Governo do Distrito Federal não pagou cerca de R$ 17 milhões à CBV pela realização de jogos da Liga Mundial e de vôlei de praia na cidade

Ricardo Resende, o Cacá, diretor-geral da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) afirma ao GLOBO que não teme por um calote do governo do Distrito Federal, parceiro da entidade na realização do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, que acontecerá em Brasília, em agosto. O governo estadual não pagou cerca de R$ 17,5 milhões à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) pela realização da Liga Mundial feminina e masculina, neste mês, e de uma etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, em abril na cidade.
Segundo Resende, o Brasileiro será bancado pelo governo do Distrito Federal, por meio de um convênio e via Federação Brasiliense de Ginástica, além de patrocinadores da CBG. Ele afirma que o montante do DF é de cerca de R$ 4,5 milhões e que o convênio “já foi aprovado, inclusive publicado em Diário Oficial”. Ele disse que o Secretário de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Renato Junqueira, garantiu o repasse:
— Está tudo sob controle — garante Resende. — Este é o principal evento do calendário da ginástica brasileira, marcará o retorno de Rebeca Andrade às competições nacionais e está tudo certo para ser uma grande festa em Brasília. Até porque o Secretário de Esporte e Lazer do Distrito Federal, Renato Junqueira, esteve neste final de semana no Pan-Americano de Ginástica e reafirmou que o Distrito Federal vai cumprir com seus compromissos e “que segue normal”.
Resende diz que não está preocupado “porque a ginástica vai fazer grandes eventos lá (no DF), independentemente do apoio ou não do governo”.
— Caso isso aconteça (o calote), temos como arcar com esta parte. Temos patrocinadores e planejamento orçamentário que garante a realização do calendário nacional — afirma Resende.
O diretor declara que a CBG ainda não recebeu o valor do DF. Mas que em outros anos, com a realização de competições nacionais, como a de ginástica artística adulto e infantil, parkour, acrobática e Troféu Brasil, além dos Sul-americanos de parkour e de ginástica acrobática, o patrocínio foi pago perto da data dos eventos.
— Não está previsto para receber agora e sim, próximo ao evento. Esse já é o terceiro ano que realizamos eventos no Distrito Federal e ao longo destes anos, o governo tem cumprido com todos os compromissos assumidos com a CBG. Acredito que os compromissos serão cumpridos novamente — disse ele, que desconversou sobre o caso do vôlei. — Não me cabe falar da Confederação Brasileira de Vôlei porque não sei das tratativas. Tomei conhecimento sobre o assunto, mas nossa relação (com o DF) se baseia em diálogo e compromisso. Acredito que o governo do DF vai cumprir com os compromissos assumidos. Até porque partiu deles o interesse de promover a competição.
Logo após a etapa de Brasília da Liga Mundial, a CBV informou que havia tomado calote do governo do DF de cerca de R$ 17,5 milhões. Em nota, a entidade afirmou que a maior parte dos valores (R$ 11 milhões) diz respeito à organização da etapa de Brasília da Liga das Nações.
A CBV alegou que o ofício que previa a liberação dos recursos para a realização do evento foi assinado em outubro de 2025 (ainda na gestão Ibaneis Rocha, do MDB), mas que outro ofício, de 11 de maio deste ano, 23 dias antes do início dos jogos, informou que não seria possível honrar o compromisso. Esta comunicação foi feita pela nova gestão, a de Celina Leão (PP).
“Recebemos a comunicação quando toda a operação da competição internacional já se encontrava avançada, incluindo contratos já celebrados e outros em fase final de formalização, obrigações assumidas perante fornecedores nacionais e internacionais, compromissos firmados junto à Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e com a Volley World (VW), planejamento logístico consolidado, comercialização de ingressos, reservas de hospedagem, aquisição de passagens aéreas por torcedores e delegações, além de toda a mobilização turística, esportiva e institucional vinculada ao evento” afirma a CBV.
Diante da impossibilidade de receber os recursos, a CBV então assumiu os custos da realização do evento, para evitar sanções esportivas para o Brasil, que poderiam, segundo a entidade, em um caso extremo, tirar o Brasil dos Jogos Olímpicos de 2028.
Em nota, também divulgada à época, a Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal afirmou que “em razão das medidas de contingenciamento adotadas pelo Governo do Distrito Federal, que determinaram a revisão de despesas em toda a administração pública, não foi possível formalizar o instrumento jurídico necessário para a transferência dos recursos. A CBV foi oficialmente comunicada, antes da realização do evento, sobre a impossibilidade de celebração do termo de fomento, tendo ciência de que não haveria formalização da parceria nem autorização legal para o repasse dos recursos públicos”.
BS20260623090056.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/06/23/mesmo-apos-calote-ao-volei-diretor-da-cbg-afirma-que-brasileiro-de-ginastica-acontecera-em-agosto-em-brasilia.ghtml

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