ECONOMIA

Ministro da fazenda diz ter dificuldade para ‘entender euforia’ do mercado financeiro após o 1º turno das eleições

8 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Ministro da Fazenda afirmou que a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro tem vendido ‘pastel de vento’, sem mostrar como vai efetivamente chegar aos resultados que almeja

Ministro da Fazenda, Dario Durigan – Foto Lula Marques/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro tem vendido “pastel de vento”, sem mostrar como vai efetivamente chegar aos resultados que almeja. O chefe da pasta diz não entender o comportamento do mercado financeiro após o primeiro turno das eleições.

— Tenho dificuldade de entender (a reação do mercado financeiro) essa euforia — disse o ministro.

Durigan participou de forma remota de um evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em São Paulo.

— Quando você compara coisas concretas, o que foi o governo anterior e o atual governo Lula, é difícil que o anterior ganhe em alguma coisa, em especial na política fiscal — afirmou.

Segundo ele, dizer que será possível fazer um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como atingir isso de forma concreta, é “vender ilusão”.

Durigan afirmou que o risco-país cresceu no governo Bolsonaro, mas caiu na gestão atual, citando o aumento da nota de risco do país, “com as nossas regras fiscais”.

— Acho que comprar ilusão, como já compramos no passado, é um erro — disse, pedindo confiança no projeto da gestão atual.

‘Desastre na construção civil’

O ministro afirmou ainda que, se Flávio for eleito, haverá “um desastre na construção civil”.

Durigan acrescentou que o governo anterior “fez um monte de maluquice com o fiscal”, aprovando medidas sem ter receitas para pagá-las. Para ele, a campanha de Flávio fala em aumento de produtividade no país, mas a gestão Bolsonaro não teve ações nesse sentido.

— A reforma tributária é o grande ganho de produtividade no Brasil pós-1988 — afirmou, ressaltando que há dificuldade em se transformar o sistema tributário, mas que isso não pode impedir a mudança.

Durigan afirmou que o arcabouço fiscal precisa ser “reforçado”, para garantir que a despesa cresça abaixo da receita, algo que estaria em processo e que deve mudar a partir deste ano.

— Nós temos que dar garantia de que essa regra fiscal vai seguir existindo com a receita crescendo mais do que a despesa, de modo que estabilizemos o crescimento da dívida pública, que é, sim, uma questão importante para o país endereçar — disse.

Política fiscal

O ministro chamou a atenção para os dados de inflação, de desemprego e de balança comercial no país, que representaria também uma oportunidade para a construção civil:

— Nós temos uma milha final para corrigir, que é a taxa de juros e o fiscal do país.

Houve uma falta de institucionalidade no governo Bolsonaro, segundo Durigan, que pode ser “grave para o país”. Já a campanha atual estaria fazendo “populismo fiscal”, de acordo com ele, prometendo cortes enquanto afirma que vai manter a valorização do salário mínimo e a vinculação dos benefícios sociais e previdenciários ao salário mínimo.

Perguntado sobre se estava “empolgado com a eleição”, Durigan afirmou que não é “negacionista da democracia”:

— O resultado da urna tem que ser sempre bem-recebido, vamos ter um ano de 2026 diferente de 2022, com democracia em festa e sem bagunça no país.

BS20261007190104.1 – https://extra.globo.com/economia/noticia/2026/10/ministro-da-fazenda-diz-ter-dificuldade-para-entender-euforia-do-mercado-financeiro-apos-o-1o-turno-das-eleicoes.ghtml

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