POLÍTICA

Míssil inflável da Paulista repercutiu nas redes mais que tiro de deputado do PL; veja números

20 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Para especialistas, episódio pode prejudicar Flávio Bolsonaro com votos dos indecisos; dados mostram que maior engajamento ficou na bolha da esquerda

Manifestantes em ato de Flávio Bolsonaro – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A presença de um míssil inflável na Avenida Paulista, em São Paulo, durante ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), repercutiu nas redes sociais mais do que o tiro dado pelo deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), em uma boate, na madrugada de segunda (19).

Os dados mostram que o episódio ganhou tração na bolha da esquerda e gerou mais interações durante a tarde de domingo (18). O levantamento foi feito pela consultoria Bites a pedido da reportagem.

Foram 161 mil menções ao míssil inflável em posts de domingo até a manhã desta segunda (19). Essas publicações geraram 4,9 milhões de interações. Como comparação, o episódio envolvendo o deputado estadual (saiba mais detalhes ao fim do texto) teve 119 mil menções e 3,8 milhões de interações. Os dois casos repercutiram menos que a própria manifestação bolsonarista na Paulista, que gerou 447 mil menções e 23,7 milhões de interações e o debate entre Lula e Flávio, que marcou 9,66 milhões de menções e 140 milhões de interações.

Cientistas políticos ouvidos por O GLOBO apontam que as imagens do míssil, que tinha os dizeres “Trump nuke Brazil”, ou “Trump bombardeie o Brasil”, pode prejudicar Flávio com os votos dos indecisos.

— Sobre o míssil especificamente, ele fica obviamente pequeno no meio (do engajamento da) manifestação. Só a esquerda falou do assunto, não teve uma tentativa de justificativa (por parte da direita que repercutiu nas redes) — diz o diretor da Bites, André Eler.

Entre os perfis que ganharam mais engajamento repercutindo o míssil inflável aparecem nomes como o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL), o próprio PT Brasil, a deputada Erika Hilton (PSOL), a vereadora Liane Cirne (PT), a deputada Tabata Amaral (PSB) e outros nomes, além do engajamento em perfis de veículos de imprensa.

Flávio Bolsonaro falou do caso durante o debate na Band, depois de ser provocado por Lula.

— Esses infiltrados que colocaram lá o negócio de Trump na Paulista hoje, eles vão ser identificados e vão responder pelos seus atos — disse o senador.

O GLOBO procurou a campanha do candidato para entender se identificou quem seriam os “infiltrados” ou se deram queixa do episódio para algum órgão fiscalizador, e não obteve retorno.

Para cientistas políticos consultados pela reportagem, o episódio tem potencial de provocar danos na imagem de Flávio Bolsonaro. Durante a manifestação de domingo, a organização do evento chegou a pedir no carro de som principal que os participantes guardassem bandeiras de “outros países” que eram exibidas pelos presentes. Símbolos dos Estados Unidos e Israel foram levados pelos apoiadores, e vendedores ambulantes comercializavam bonés de apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump.

A constatação de que um apoio aos EUA pode ser um fator negativo no convencimento dos eleitores indecisos, ou mesmo entre eleitores de direita menos ligados ao bolsonarismo, foi percebida por Flávio, que enviou recados para essa fatia do eleitorado durante o debate na Band, aponta o doutor em ciência política pela USP e sócio da Tendência Consultoria, Rafael Cortez.

— Uma expressão dessa preocupação aparece quando ele descarta o Eduardo Bolsonaro como ministro das Relações Exteriores. Isso tem muito a ver com essa preocupação em não atrair a agenda personificada do Eduardo, ou mesmo a agenda que é ligada às tarifas (aplicadas ao Brasil pelos EUA) — diz Cortez.

O caso lembra outros momentos ligados ao bolsonarismo em que o uso de elementos relacionados aos Estados Unidos também repercutiu.

— O eleitor não é burro, ele viu o míssil, e ele relaciona ao mesmo episódio da manifestação que tinha também uma bandeira americana enorme na Paulista (em 7 de setembro de 2025). Para o indeciso, isso é uma variável de decisão eleitoral, uma vez que ele se vende como patriota e as manifestações públicas são a favor de um país que quer usurpar recursos naturais do Brasil — diz Carolina Botelho, doutora em ciência política e pesquisadora do INCT/SANI/CNPq.

Deputado do PL faz disparo dentro de balada

O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP) foi detido na madrugada de segunda-feira (19) após um disparo de arma de fogo durante uma confusão na casa noturna Santo Cupido, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo. O apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte e integrante do canal Desimpedidos, foi sido atingido de raspão no pé pelo projétil. Em declaração ao SPTV, da TV Globo, ele contou que ouviu o tiro e sentiu um forte impacto no pé, seguido de latejamento e queimação.

De acordo com testemunhas, Aguiar apresentava sinais de embriaguez, incomodava frequentadores e teria importunado mulheres no estabelecimento. Os relatos apontam que ele estaria abordando mulheres, pegando em suas mãos e encostando nelas. A situação teria provocado a reação de outros clientes e dado início a uma discussão.

BS20261020155924.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/10/20/missil-inflavel-da-paulista-repercutiu-nas-redes-mais-que-tiro-de-deputado-do-pl-veja-numeros.ghtml

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