VARIEDADES

Morre o artista plástico Juarez Machado, pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira

7 de outubro, 2026 | Por: Agência O Globo

Nos anos 70, Juarez teve um quadro de humor no Fantástico, da Rede Globo

O artista plástico Juarez Machado — Foto: @juarezmachadooficial / Instagram

O artista plástico Juarez Machado morreu, aos 85 anos, nesta terça-feira (6), em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. A notícia foi revelada pelos canais oficiais do Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM). A causa da morte não foi divulgada.

“Joinvilense de nascimento e cidadão do mundo por vocação, Juarez Machado construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior”, diz a nota oficial. “Sua obra foi marcada pela sensibilidade, pelo humor e pelo olhar atento ao cotidiano. Emocionou diferentes gerações e levou o nome de Joinville a públicos de vários países.”

Machado construiu uma carreira de mais de 60 anos como pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador e cartunista. Na televisão, foi um dos pioneiros do desenho de humor, com um quadro no Fantástico, da TV Globo, nos anos 1970.

Juarez começou a pintar em 1960. Na mesma década montou seu ateliê no Rio de Janeiro. Foi chargista de veículos de imprensa do país, entre eles, o “Jornal do Brasil”, “O Pasquim” e “O Cruzeiro”. Nos anos 1980, se mudou para Paris, onde montou um espaço próprio para sua produção.

Juarez Machado interpreta mímico em quadro no Fantástico, da TV Globo — Foto: Reprodução/TV Globo
Juarez Machado interpreta mímico em quadro no Fantástico, da TV Globo — Foto: Reprodução/TV Globo

Em Joinville, o mural cerâmico “O Grande Circo”, que estampa a entrada do Centreventos Cau Hansen, se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade. Também em sua terra natal, Juarez inaugurou, em 2014, o Instituto Internacional Juarez Machado, instituição sem fins lucrativos que se dedica à difusão da arte no Norte catarinense.

‘Sou pintor de gente’

Em entrevista ao GLOBO, em 2015, o artista contou que mantinha guardados todos os cadernos de quando tinha 3 anos. Estavam ali os primeiros rabiscos e desenhos. A obra de Juarez Machado é marcada por representações de cenas de cidade como Veneza, Paris, Rio de Janeiro e Joinville.

— Saí de Joinville, que eu acha que era pequeno para mim e descobri que o mundo é pequeno — disse, em entrevista ao GLOBO. — Acabou que o mundo é um fundo de quintal, onde pinto, vivo, me divirto, tenho amigos, vou e volto. Não sou daqui nem de lá. Sou do mundo, esse fundo de quintal. Sou líquido, tomo a forma do vaso que me contém.

O cartunista se formou pela Escola de Música e Belas Artes, em Curitiba. Na capital fluminense, conheceu movimentos nascentes, como a bossa nova, e se aproximou de medalhões como Millôr Fernandes e Ziraldo, com quem cultivou amizade.

— Sou pintor de gente. Viajo muito e nunca me sento na janela. Fico no corredor para ficar de papo com o cara que está na minha viagem também. Converso com a caixa do supermercado, com o guarda, com o mendigo. Sento-me para conversar em qualquer lugar. A minha grande paixão ainda é o ser humano — ressaltou, na mesma entrevista ao GLOBO. — Quando conheci Millôr Fernandes, há muitos anos, perguntei-lhe: “O que faço para ser tão maravilhoso como o senhor?”. E ele me disse: “Observe”. Saí sem entender muito bem e passei a olhar tudo com muita atenção. Cheguei a aprender a olhar em curva, cheguei a conseguir olhar do outro lado de mim mesmo.

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