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Fazenda calculou em R$ 140 bilhões em dez anos rombo fiscal de texto aprovado no Senado

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne nesta semana com a bancada ruralista e com integrantes da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para buscar acordo em um novo texto que trata da renegociação de dívidas de produtores rurais. O encontro está previsto para terça-feira, mas não há garantia de que a proposta seja votada ainda neste semestre, diante da proximidade do recesso parlamentar, que começa oficialmente no dia 18.
Como O GLOBO mostrou, Motta avisou a líderes partidários na semana passada que a Câmara não discutiria o projeto de lei tal qual ele foi aprovado no Senado em função do alto impacto nas contas públicas. A avaliação dos presentes foi a de que é preciso brecar o avanço das chamadas pautas-bomba no Congresso neste momento. A proposta inicial havia sido aprovada pela Câmara no ano passado com um escopo mais restrito. O texto original previa medidas de apoio a produtores rurais atingidos por eventos climáticos extremos, como as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Durante a tramitação no Senado, porém, o projeto foi ampliado para incluir também produtores afetados por impactos econômicos decorrentes de conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Segundo estimativas da Fazenda, a proposta teria um impacto nas contas públicas de R$ 140 bilhões nos próximos dez anos.
Na quinta-feira, o presidente da Câmara se reuniu com o ministro Dario Durigan (Fazenda) e com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, para discutir o assunto. Segundo relatos de uma pessoa que acompanha as conversas, o governo apresentou pontos que tinham sido negociados com o Senado e acabaram não avançando. A ideia do Planalto seria partir desses pontos para construir um consenso com a Câmara, diante da avaliação de que não é possível avançar com uma proposta com alto impacto nas contas públicas.
Na Câmara, a expectativa entre deputados é que o relator da proposta original, Afonso Hamm (PP-RS), seja mantido na relatoria agora também. Hamm é integrante da bancada ruralista e tem atuação destacada na defesa do setor agropecuário.
Um aliado de Motta diz que a tendência é que o projeto seja discutido só no segundo semestre, já que o governo não tem pressa para aprovar a proposta, e o presidente da Câmara não deverá fazer gestos que contrariem o Palácio do Planalto neste momento.
Após uma relação de altos e baixos, Motta e o presidente Lula se aproximaram nos últimos meses, num momento em que houve afastamento do presidente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Motta quer buscar o apoio do petista para a campanha de seu pai, o prefeito Nabor Wanderley, a uma vaga ao Senado nessas eleições. Diante dos ruídos com o Senado, o Planalto agora aposta na boa relação com Motta para frear projetos contrários ao governo no Congresso. Apesar disso, esse aliado do presidente da Câmara reconhece que haverá pressão da bancada ruralista, uma das principais forças no Legislativo, para avançar com a medida.
BS20260706030035.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/06/motta-se-reune-com-bancada-do-agro-e-governo-e-tenta-acordo-para-limitar-impacto-de-pauta-bomba-das-dividas-rurais.ghtml

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