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Após fracasso nas negociações com União Progressista, dirigentes avaliam que Lula venceu disputa por apoios e veem Republicanos e Podemos cada vez mais distante de acordo nacional

A confirmação de que a federação União Progressista permanecerá neutra na disputa presidencial consolidou, entre dirigentes do PL, a percepção de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá chegar ao início da campanha sem alianças nacionais. Nos bastidores, integrantes da legenda classificam como uma “tragédia” a articulação política conduzida pelo senador e pelo coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa pelos principais apoios partidários e já trabalham com a perspectiva de uma candidatura “avulsa”, sustentada exclusivamente pela estrutura do próprio PL.
A avaliação ganhou força após o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicar a Flávio, na tarde desta quarta-feira, que a legenda ficará neutra na eleição presidencial, movimento que será acompanhado pelo União Brasil por causa da federação entre os dois partidos. A campanha tratava a conversa como a última tentativa de reverter a tendência de neutralidade e chegou a oferecer a vaga de vice à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou o convite.
Reservadamente, dirigentes do PL afirmam que a campanha falhou na construção de uma rede de interlocução política desde o início. A crítica é que Flávio e Rogério concentraram esforços na estratégia eleitoral e negligenciaram a relação cotidiana com presidentes de partidos e lideranças do Centrão.
Um dirigente, ouvido sob reserva, afirma que a política se faz “na alegria e na tristeza”, em referência ao comportamento que Flávio teve quando Ciro Nogueira foi alvo de operação da Polícia Federal no âmbito do caso Master.
Segundo ele, Flávio errou ao divulgar uma nota em que ressaltou a gravidade das acusações, defendeu a apuração “com rigor e transparência” e elogiou o ministro André Mendonça, responsável por autorizar a investigação, sem fazer uma defesa política mais enfática do presidente do PP. Entre aliados de Ciro, o gesto foi interpretado como abandono justamente em um momento de maior desgaste.
Uma semana depois, veio um novo revés. O portal The Intercept Brasil divulgou mensagens entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse. A revelação reforçou, entre dirigentes da federação União Progressista, a percepção de que o senador havia adotado um discurso duro enquanto mantinha interlocução com o controlador do Banco Master.
A comparação feita internamente é com Lula. O presidente conseguiu reunir todas as principais siglas do campo da esquerda — a federação formada por PT, PV e PCdoB, a federação PSOL-Rede e o PSB. Ao mesmo tempo, partidos de centro, como a federação União Progressista e o MDB, optaram pela neutralidade, cenário que também favorece o chefe do Executivo ao impedir que essas legendas reforcem formalmente a candidatura adversária.
Nesse contexto, interlocutores de Flávio afirmam que Lula venceu de “goleada” a primeira disputa da eleição, travada em torno da formação das alianças, e que o senador larga a campanha em desvantagem. Ainda assim, por estar filiado ao partido com a maior bancada do Congresso, Flávio deverá dispor de cerca de 30% do tempo de propaganda eleitoral.
O pessimismo também aumentou porque interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o Republicanos está cada vez mais distante de uma aliança nacional. Embora o PL continue defendendo a indicação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques para a vice de Flávio, parte da direção do partido interpreta a insistência como uma forma de pressionar a legenda a integrar a chapa presidencial.
Nem mesmo o Podemos é visto hoje como uma alternativa. Embora dirigentes da sigla tenham mantido conversas com PL, Novo, PT e PSD, interlocutores afirmam que a tendência é permanecer neutro na disputa presidencial. Para integrantes do PL, o quadro consolida o isolamento da candidatura de Flávio e praticamente elimina as possibilidades de uma aliança nacional antes do início da campanha.
O incômodo tem uma razão adicional. Daniella se filiou ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para ter sua filiação reconhecida. Como não há mais prazo para mudança de partido, dirigentes avaliam reservadamente que o PL tenta transformar a situação em instrumento de pressão para forçar uma coligação nacional.
BS20260724062908.1 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/24/no-pl-aliados-classificam-articulacao-de-flavio-com-centrao-como-tragedia-e-ja-admitem-candidatura-avulsa.ghtml

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