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O greenwashing do ESG

14 de abril, 2023

Ser sustentável se tornou um estilo de vida necessário no século XXI. A sigla ESG veio para ajudar as empresas e o planeta a seguirem um rumo sustentável, porém, como qualquer metodologia, as técnicas para melhorar as práticas podem ser desvirtuadas, criando ações que não correspondem com a realidade, como é o caso do greenwashing. …

Ser sustentável se tornou um estilo de vida necessário no século XXI. A sigla ESG veio para ajudar as empresas e o planeta a seguirem um rumo sustentável, porém, como qualquer metodologia, as técnicas para melhorar as práticas podem ser desvirtuadas, criando ações que não correspondem com a realidade, como é o caso do greenwashing.

A expressão greenwashing pode ser traduzida como “lavagem verde”, sendo usada por empresas, indústrias públicas ou privadas, organizações não governamentais e até governos, como uma estratégia de marketing para promover argumentos, ações e propaganda que se sustentam apenas na teoria. Trata-se de uma estratégia desonesta para conquistar clientes que optam por apoiar empresas que se preocupam em melhorar o mundo.

O ESG desempenha um papel crucial na luta contra questões ambientais, como mudanças climáticas, poluição dos oceanos, poluição do ar e extinção global de espécies e, nesse aspecto, o greenwashing atrapalha e gera imagens equivocadas diante do papel e responsabilidade para com essas ações.

Essas tentativas de manipulação podem ocorrer ao expor um produto como ecológico, mas sem apresentar de fato os impactos positivos gerados. Até mesmo o uso da cor verde, caracterização do produto como “reciclado” ou “eco-friendly”, sem seguir as legislações e práticas de sustentabilidade efetivamente, podem ser caracterizadas como greenwashing. As marcas devem integrar em sua apresentação institucional, os seus processos de reciclagem e certificações que validem a utilização de como recursos renováveis na cadeia produtiva, dispensando o uso de matéria-prima tóxica.

Uma montadora alemã, nos Estados Unidos, praticou ações de greenwashing através de fraudes em resultados de testes de poluentes, em mais de 500 mil veículos vendidos, tendo falsificado dados, resultados e relatórios relacionados às emissões de poluentes de motores a diesel. Esse escândalo prejudicou a imagem da empresa, que até então se posicionava como ambientalmente consciente, inclusive diante de instituições como o Greenpeace. Em decorrência desse fato, a empresa foi obrigada a realizar um recall nos veículos, tendo gasto 6,5 bilhões de euros para arcar com as multas e prejuízos.

São em decorrência de práticas como estas, que vemos a importância do estabelecimento de ESG nas empresas e demais espaços. Ações ambientais, sociais e de governança, estão aqui para ir contra o fluxo de mero marketing, são pensadas para desenvolver e impactar a progressão da preservação ambiental. O conhecimento em torno da aplicabilidade do ESG pode orientar os consumidores a identificarem estratégias de greenwashing utilizadas por certas empresas, questionando a veracidade das informações, quais certificações e rótulos ambientais abarcam um  sistema de gestão ambiental real.

No ambiente atual, há ferramentas que disseminam a informação sobre se há ou não a aplicabilidade da sustentabilidade nas empresas, como o “Project Cece” e o “Ethical Made Easy”, buscadores de marcas sustentáveis, em todo o mundo. Os consumidores, com mais informações, passam a escolher o que consumir de forma consciente e crítica. Devemos garantir que esse foco seja ações e práticas reais de sustentabilidade, prezando por uma diminuição das mudanças climáticas e diversos problemas ambientais e sociais.

 

Por Eduardo Fayet – Especialista em Relações Institucionais e Governamentais e ESG – Saiba mais acessando: brasiliaagora.com.br e ipemai.org.br

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