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Mudanças implementadas pela CBF aumentaram a média de bola rolando na competição

O último fim de semana marcou a estreia das novas regras anticera do futebol brasileiro. Além de apresentar um avanço no tempo efetivo de jogo, as mudanças já começaram a interferir nas partidas e exigiram dos árbitros a aplicação de critérios que ainda estão sendo assimilados por jogadores e comissões técnicas.
— Esse primeiro fim de semana com a implementação das novas regras traz um balanço muito positivo. Ainda é prematuro falar em uma consolidação dos resultados, mas já foi possível perceber avanços importantes em diversos jogos. O aumento do tempo de bola rolando contribui diretamente para um jogo mais fluido, mais dinâmico e, principalmente, para a entrega de um produto cada vez melhor ao torcedor — disse Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.
Uma das primeiras situações aconteceu em Fluminense x Palmeiras, no sábado. Daronco precisou fazer o sinal de X com os braços para impedir a formação do chamado “bolinho” de jogadores ao redor da arbitragem. A medida faz parte da tentativa de restringir as aglomerações durante reclamações e confrontos.
Outra novidade apareceu em uma partida envolvendo Neymar. Depois de o goleiro Gabriel Brazão receber atendimento médico, o atacante precisou deixar o campo e permanecer fora durante um minuto antes de poder retornar, seguindo o novo protocolo criado para reduzir o tempo gasto por atendimentos.
No jogo entre Vitória e Botafogo, também houve uma aplicação da regra sobre jogadores que escondem a boca durante discussões. Arthur Cabral recebeu cartão vermelho após cobrir a boca enquanto discutia com Jair Ventura logo após o apito final.
— Estamos falando de uma mudança significativa, que exige adaptação de todos os envolvidos. Tivemos uma preparação importante dos nossos árbitros, mas também contamos com a compreensão e a cooperação dos clubes, atletas e comissões técnicas. Esse primeiro fim de semana demonstra que, quando arbitragem e futebol trabalham de forma integrada, conseguimos avançar na construção de um jogo mais dinâmico, com mais bola em campo e uma experiência melhor para quem acompanha o Campeonato Brasileiro — disse Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.
Nem todas as mudanças, porém, foram aplicadas de maneira tão clara. Um dos principais pontos de discussão esteve relacionado ao momento exato em que começa a contagem regressiva para a reposição da bola. Houve ainda reclamações sobre a falta de uniformidade na aplicação dos critérios entre diferentes partidas.
A primeira rodada, portanto, serviu também como um período de adaptação. Jogadores, treinadores e árbitros passaram a lidar com regras que exigirão novos ajustes até que sejam incorporadas naturalmente à dinâmica das partidas.
Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a bola ficou rolando, em média, por 55 minutos e 29 segundos. São 2 minutos e 35 segundos a mais que os 52min54s registrados no estudo que serviu de base para a mudança, um crescimento de 4,9%, praticamente 5%. Ainda assim, a marca está 1min31s abaixo do piso de 57 minutos que a entidade aponta como objetivo para uma segunda etapa de evolução.
BS20260817180128.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/08/17/o-que-pegou-e-o-que-nao-pegou-no-primeiro-fim-de-semana-das-novas-regras-do-futebol-brasileiro.ghtml

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