
Ministro da Previdência vai propor corte de juros do consignado a aposentados do INSS em reunião de conselho
O teto dos juros na modalidade está em 1,85% ao mês, desde março do ano passado

Economia do país deve crescer 2,4% este ano, segundo relatório, que aponta impactos diferentes da guerra no Oriente Médio e a escalada do preço do petróleo entre as nações

Na contramão da desaceleração da economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ontem a projeção de crescimento do Brasil para 2026, em um cenário no qual a guerra no Oriente Médio continua a pressionar a atividade global.
Como exportador de petróleo e outras commodities, o Brasil acaba sendo um dos poucos beneficiados pela alta dos preços da energia provocada pelo conflito, enquanto economias importadoras sofrem mais com inflação e perda de atividade.
No Panorama Econômico Mundial, divulgado ontem, o FMI elevou a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,9% para 2,4% este ano. Para 2027, a estimativa passou de 2% para 2,2%. Ao mesmo tempo, reduziu sua projeção para o crescimento da economia mundial em 2026 de 3,1% para 3%. Para o ano que vem, elevou a estimativa para 3,4%, contra 3,2% no relatório de abril.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 para 2,4%, acima dos 1,9% previstos em abril. As estimativas estão no relatório Panorama Econömioerspectivas da Economia Mundial (World Economic Outlook), publicado nesta quarta-feira, e
Embora o Fundo afirme que os riscos agora estão mais equilibrados do que em abril, as projeções foram calculadas antes de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar o fim do cessar-fogo. Os americanos atacaram o Irã novamente ontem à noite.
“Uma reescalada das tensões geopolíticas prejudicaria o crescimento e agravaria as pressões inflacionárias”, alertou o FMI.
O conflito, no entanto, tem efeitos diferentes sobre os países. Exportadores de energia fora da região da guerra, como o Brasil, tendem a ser beneficiados pela alta dos preços do petróleo, enquanto economias mais inseridas na cadeia global de tecnologia devem registrar crescimento mais forte graças ao avanço da inteligência artificial (IA) — que, segundo o Fundo, ajudou a amenizar o impacto do conflito.
Já países importadores de energia com menor participação nesse setor, como economias de baixa renda, devem sofrer uma desaceleração mais intensa.
No caso brasileiro, a melhora da projeção não advém apenas do cenário internacional. A revisão para cima reflete ainda o avanço da atividade acima do esperado no primeiro trimestre — quando o PIB cresceu 1,1% —, avalia André Valério, economista sênior do Inter.
Com isso, o carregamento estatístico (ou seja, o quanto o PIB cresceria no ano caso ficasse estagnado nos trimestres seguintes) saltou de 0,3% para cerca de 1,4%, ele explica. O economista ressalta que o ambiente geopolítico também beneficia as exportações brasileiras, especialmente de petróleo, o que impulsiona a economia:
— O Brasil tem se beneficiado desse poder geopolítico mais incerto nesse segundo governo Trump. Desde o ano passado a gente vê a balança comercial com desempenho melhor do que esperado. Este ano não está sendo diferente. Até a semana passada, estávamos com uma balança comercial já 40% maior do que a observada no ano passado.
Não por acaso, diz Valério, a produção industrial brasileira está sendo sustentada quase exclusivamente pela indústria extrativa. Enquanto setores sensíveis ao crédito, como bens de capital, estão no negativo, os bens intermediários, categoria que inclui o petróleo, seguem crescendo. Além disso, programas de crédito e aumento de gastos do governo deram tração à atividade.
Valério destaca que o Inter mantém uma projeção mais conservadora para o PIB deste ano, de 1,8%, por prever uma desaceleração no segundo semestre devido à reversão do impulso fiscal e aos juros ainda elevados.
Em nota, o Ministério da Fazenda destacou que o Brasil teve a segunda maior revisão positiva entre as economias do G20, atrás apenas da Coreia do Sul, que passou de 2,1% para 2,7%. A pasta ressaltou que as estimativas do FMI estão próximas daquelas elaboradas pela Secretaria de Política Econômica. “Se confirmadas as projeções, a média do crescimento do PIB, entre 2023 e 2026, será de 2,8%”, afirmou.
O Panorama Econômico Mundial também aponta que a inflação global deve acelerar de 4,1% em 2025 para 4,7% este ano, antes de recuar para 3,9% em 2027.
Para Valério, do Inter, a escalada das tensões no Oriente Médio tende a favorecer mais o crescimento brasileiro do que pressionar a inflação, já que o ganho com as exportações de petróleo supera, ao menos por enquanto, o impacto da alta dos combustíveis sobre os preços internos.
O FMI destacou ainda que os custos da energia estão 25% mais altos do que antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, e devem permanecer assim até pelo menos o início de 2027 — pressupondo a reabertura do Estreito de Ormuz em meados deste mês, o que parece mais distante agora.
— Um novo conflito vai pegar a economia global em situação pior do que da primeira vez — disse à AFP a chefe da divisão de Estudos Econômicos Mundiais do Departamento de Pesquisa do FMI, Deniz Igan, antes da ação americana.
BS20260709030013.1 – https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/09/otimismo-localizado-por-que-o-fmi-melhorou-a-previsao-de-crescimento-do-brasil-e-piorou-a-do-mundo.ghtml

O teto dos juros na modalidade está em 1,85% ao mês, desde março do ano passado

Produtores do grão no Brasil comemoraram. Receito era que regras relacionadas ao uso de biocombustíveis na descarbonização inviabilizassem exportação ao continente

PEC apresentada por Kim Kataguiri foi aprovada na CCJ da Casa; texto limita alíquota a 1% do valor de venda e desconto para veículos menos poluentes

TJs do Rio, DF e Maranhão enviam explicações ao Supremo após cobrança de Moraes, Dino, Zanin e Gilmar sobre pagamentos acima do teto
