SAÚDE

‘Ozempic nacional’: próxima caneta de semaglutida brasileira será chamada Semavy; conheça

25 de junho, 2026 | Por: Agência O Globo

Farmacêutica Hypera Pharma deu entrada no processo de definição do preço, uma das etapas regulatórias durante a análise de um novo medicamento no país

Injeção – Foto: magnific

A próxima caneta nacional à base de semaglutida aprovada no Brasil será produzida pelo laboratório Hypera Pharma e vendida com o nome de Semavy. Na última terça-feira, a farmacêutica realizou uma das etapas regulatórias referentes à definição do preço para a comercialização no país.

O fármaco, no entanto, ainda está em processo de avaliação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa), etapa pendente para ser comercializado. Não há previsão para a definição dos valores, aval da Anvisa ou início das vendas no Brasil.

No dia 23, a Hypera, por meio da sua subsidiária Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos, protocolou na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pela definição dos preços dos remédios no Brasil, um pedido de análise do Documento Informativo de Preço (DIP) referente à caneta.

O DIP é um dossiê com documentos administrativos e técnicos que precisa ser apresentado à CMED após o pedido de aprovação do novo remédio para a Anvisa, e antes da decisão final da agência sanitária. Isso para que a Câmara possa fixar o preço de fábrica (PF) do medicamento antes do lançamento no mercado brasileiro.

Com base no PF, posteriormente é definido o preço máximo ao consumidor (PMC), que é o teto que poderá ser cobrado dos pacientes pelo medicamento nas farmácias. Todas essas etapas precisam ocorrer antes de o remédio chegar nas drogarias.

Em nota, a Hypera confirma ter protocolado a solicitação de análise de preço da semaglutida e destaca que a medida “integra o processo regulatório necessário para a comercialização do produto no Brasil”. Porém, não dá mais detalhes sobre a estimativa de previsão de lançamento ou dos valores que serão praticados para o medicamento.

Caso o Semavy seja aprovado, será a segunda semaglutida nacional a receber um aval da Anvisa desde que a patente da molécula chegou ao fim no Brasil, em março deste ano. No meio de junho, a farmacêutica EMS deu início às vendas do Ozivy, sua aposta para o tratamento do diabetes tipo 2. Os valores são mais baixos que o Ozempic, da Novo Nordisk, a semaglutida original para diabetes.

Enquanto o Ozempic é encontrado por cerca de R$ 1 mil por mês, o Ozivy é vendido a partir de R$ 452 mensais para as doses iniciais, de 0,25 mg e 0,5 mg, e de R$ 497 para a de 1 mg. Além disso, a farmacêutica tem uma condição especial para os pacientes que aderem ao Programa Vida + Leve, da EMS Saúde. Para esse público, o valor dos três primeiros meses de tratamento sai a R$ 861, ou seja, R$ 287 por mês.

Além do Ozivy, há ainda outras duas canetas nacionais que já são comercializadas no país, chamadas de Extensior e Poviztra. As medicações, no entanto, são idênticas ao Ozempic e ao Wegovy, respectivamente, e produzidas pela Eurofarma no país a partir de um acordo com o laboratório dinamarquês Novo Nordisk, que desenvolveu os fármacos originais.

Enquanto isso, a aprovação do Ozivy, e futuramente do Semavy, apenas é possível graças ao fim da patente da semaglutida. Medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente no país por um período máximo de 20 anos. O prazo garante à farmacêutica que arcou com os custos de desenvolvimento daquele remédio o direito de comercializá-la de forma exclusiva por um tempo. Depois, outros fabricantes podem produzir e submeter à aprovação da Anvisa novas versões.

A aprovação da Anvisa, porém, não significa que o medicamento será imediatamente ofertado no Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, primeiro é feita uma análise de custo-benefício por um grupo técnico do Ministério da Saúde e, no fim, a pasta decide se incorpora ou não o fármaco à rede pública.

Mas a redução dos preços com novas alternativas de semaglutida no mercado ampliam essa possibilidade. Em 2025, por exemplo, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação do medicamento considerando, entre outras razões, o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões, quase o dobro do orçamento do Farmácia Popular naquele ano.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde anunciou um projeto piloto com a Novo Nordisk para avaliar o uso da semaglutida para obesidade em alguns serviços do SUS, entre eles no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), na capital do Rio de Janeiro.

Paralelamente, a farmacêutica dinamarquesa protocolou um novo pedido de inclusão da sua semaglutida na rede pública para o tratamento da obesidade com um desconto de 59% no preço. Com o novo valor, a dose semanal de 2,4 mg, usada para perda de peso, sai a R$ 764,64 por mês.



BS20260625133411.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/06/25/ozempic-nacional-proxima-caneta-de-semaglutida-brasileira-sera-chamada-semavy-conheca.ghtml

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