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Pesquisadores mostraram que medicamentos com a presença de semaglutida interferem diretamente no período de jejum pré-operatório
Um novo estudo, publicado na JAMA Surgery, lançou um alerta para pessoas que precisam ser sedadas ou anestesiadas mas utilizam fármacos com a presença da semaglutida, como o Ozempic e o Wegovy. De acordo com pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, o período de jejum é crucial para um procedimento, no entanto, estes medicamentos atrasam o processo de esvaziamento do estômago e, assim, aumentam o risco de aspiração pulmonar durante a intervenção médica.
O jejum, que costuma ser de oito horas para a dieta geral e de duas horas para os líquidos sem resíduos, como a água, antes de qualquer forma de cirurgia funciona como uma forma de fazer com que o volume residual gástrico do estômago esteja em seu nível mínimo durante o operação. Desta forma, a pessoa sedada, a qual não pode contar com os atos reflexos (ou reflexos de defesa) do corpo, não corre o risco de regurgitar ou aspirar este conteúdo para os pulmões.
O Ozempic e o Wegovy funcionam, em parte, bloqueando os sinais de fome do cérebro, suprimindo o apetite. Também fazem com que o estômago se esvazie mais lentamente, fazendo com que as pessoas se sintam saciadas por mais tempo.
Na pesquisa foi demonstrado que dentre os 124 participantes que iriam operar e utilizavam os medicamentos com semaglutida, 56% tiveram um aumento do conteúdo gástrico residual, em comparação com 19% daqueles que não tomaram a medicação.
Ainda, o estudo indicou uma prevalência de 30,5% de aumento do conteúdo gástrico residual com o uso dos fármacos.
Segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes, feitas no ano passado, antes de um procedimento cirúrgico de rotina sob anestesia ou sedação, incluindo exames invasivos como a endoscopia, é preciso dar uma pausa na utilização dos fármacos.
A liraglutida deve ser suspensa dois dias antes, já os fármacos com a presença de dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida precisam de 15 dias de interrupção, e a semaglutida, de 21 dias. Por isso, os profissionais de saúde responsáveis precisam estar cientes da utilização do remédio.
“Os pacientes devem garantir que divulgam o uso deste medicamento aos seus cirurgiões e anestesistas. Essas informações são cruciais para que possamos fornecer recomendações adequadas, como ajustar a administração de medicamentos antes de procedimentos eletivos, recomendar jejum prolongado ou remarcar um procedimento eletivo, se necessário”, afirma Sudipta Sen, um dos autores do estudo de o professor de anestesiologia da Universidade do Texas.

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