SAÚDE

Ozivy: laboratório anuncia novo preço promocional da semaglutida nacional, a cerca de R$ 10 por dia

15 de julho, 2026 | Por: Agência O Globo

Ozivy, da farmacêutica EMS, foi autorizado para o tratamento de diabetes tipo 2 e é a primeira alternativa do Ozempic aprovada após o fim da patente da semaglutida em março

Ozivy, semaglutida nacional. — Foto: EMS

A farmacêutica brasileira EMS anunciou, nesta quarta-feira, novos preços promocionais da caneta Ozivy, primeira semaglutida nacional aprovada após o fim da patente no Brasil, em março. Agora, pacientes que aderirem ao Programa Vida + Leve, do laboratório, poderão adquirir um combo com três canetas de 1 mg por R$ 999. Dessa forma, o tratamento mensal sai a R$ 333, pouco mais de R$ 10 por dia.

Além disso, a farmacêutica mantém a promoção de duas canetas de 1 mg por R$ 863,22, que fica R$ 431,61 por caneta. Para acessar as condições, o paciente deve ter prescrição médica válida e realizar o cadastro no portal vidamaisleve.emssaude.com.br ou diretamente no balcão das farmácias participantes, com o apoio do farmacêutico.

Em nota, Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, diz que o objetivo do laboratório é “transformar inovação e capacidade produtiva em acesso real para os pacientes”. “Trabalhamos para ampliar a disponibilidade de terapias inovadoras no país e criar condições que favoreçam a continuidade do tratamento, sempre com acompanhamento médico”, continua.

O Ozivy recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa) para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos no final de maio. É uma alternativa mais acessível à semaglutida original para esses pacientes, o Ozempic, da Novo Nordisk, que hoje é encontrado a cerca de R$ 1 mil por mês.

O preço individual do Ozivy é de R$ 452 mensais para as doses iniciais, de 0,25 mg e 0,5 mg, e de R$ 497 para a de 1 mg. No entanto, a farmacêutica já tinha uma condição especial para o início do tratamento de pacientes que participam do Programa Vida + Leve: o valor dos três primeiros meses, com as três primeiras doses, sai a R$ 861, ou seja, R$ 287 por mês. Depois, há os combos de duas ou três canetas para manter a dose de 1 mg mensal a preços mais baixos.

A indicação aprovada do Ozivy é para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e exercício. O remédio é também um injetável semanal e precisa ficar armazenado em geladeira a temperaturas de 2 °C a 8 °C antes e depois de iniciado o tratamento.

1ª semaglutida sintética

O Ozivy é também a primeira caneta de semaglutida sintética liberada para comercialização no Brasil. O fármaco original, o Ozempic, e o Wegovy, indicado para obesidade, têm origem biológica, assim como os remédios idênticos Extensior e Poviztra, produzidos pela Eurofarma no país a partir de um acordo com o laboratório dinamarquês.

Tecnicamente, o Ozivy não é considerado um genérico do Ozempic por ser a primeira versão sintética da semaglutida. Há ainda outras canetas em análise na Anvisa, sintéticas e biológicas, da semaglutida.

De acordo com a agência sanitária, os medicamentos biológicos são moléculas complexas que podem ser obtidas a partir de fluidos biológicos, tecidos de origem animal ou ainda de procedimentos biotecnológicos, por meio de manipulação ou inserção de outro material genético (DNA recombinante) ou alteração dos genes.

Já os análogos sintéticos são feitos por síntese química, o que resulta em moléculas menores e mais estáveis que podem ser reproduzidas de forma idêntica. No entanto, esses produtos são considerados de alta complexidade, pois compartilham características e riscos de fabricação relacionados às duas categorias.

Como todos os medicamentos da classe de análogos de GLP-1, a semaglutida sintética também é sujeita à prescrição de receita médica em duas vias. Esses remédios, caso do Ozempic, Wegovy e Mounjaro, simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.

Fim da patente da semaglutida

A aprovação do Ozivy apenas foi possível graças ao fim da patente da semaglutida no Brasil, em março. Medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente por um período máximo de 20 anos. O prazo garante à farmacêutica que arcou com os custos de desenvolvimento daquele remédio o direito de comercializá-la de forma exclusiva por um tempo. Depois, outros fabricantes podem produzir e submeter à aprovação da Anvisa versões similares ou genéricas.

Espera-se que, pelo aumento da concorrência no mercado, os preços caiam. Se seguir a tendência de outros remédios similares e genéricos no Brasil, as novas versões podem chegar a valores de 15% a 60% inferiores que o Ozempic e Wegovy originais.

A legislação brasileira define que um genérico deve ser ao menos 35% mais barato do que o medicamento de referência. Na prática, segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), os genéricos costumam ter um preço 60% menor no mercado brasileiro.

Em estudo publicado no periódico Economia e Sociedade, pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal de Santa Catarina analisaram essa diferença em farmácias e drogarias do país. O trabalho confirmou que genéricos costumam ser de fato 59% mais baratos, mas apontou que os similares geralmente também têm o custo 15% inferior ao remédio de referência.



BS20260715145800.1 – https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/15/ozivy-laboratorio-anuncia-novo-preco-promocional-da-semaglutida-nacional-a-cerca-de-r-10-por-dia.ghtml

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