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Ancelotti admite alterar esquema após destaques de Paquetá e Danilo, mas indica receio de não favorecer atacantes. Equilíbrio defensivo e condição dos jogadores vai pesar

A comissão técnica da seleção brasileira embarcou nesta segunda-feira para os Estados Unidos com dúvidas em função do que os jogadores apresentaram na goleada sobre o Panamá. E os parâmetros que o técnico Carlo Ancelotti pesa para escalar o time da estreia são principalmente físicos, levando em consideração o atual estágio de preparação de alguns atletas e do perfil dos mesmos.
A partida no Maracanã deixou a impressão de um jogo mais bonito com as entradas de Lucas Paquetá e Danilo Santos no meio-campo, mas Ancelotti lembrou que isso pode tornar o jogo do Brasil menos vertical para os seus atacantes, sem contar a fragilidade do Panamá. Os treinamentos a partir desta terça-feira em Nova Jersey vão servir para tirar as últimas conclusões.
— Obviamente com Casemiro, Paquetá, Danilo pode-se controlar mais a bola, mas é menos vertical. O time do primeiro tempo é mais de ida e volta, jogadores mais rápidos, de um contra um. Jogar um futebol de posse não vai evidenciar as características dos jogadores — ressaltou o treinador.
O esquema 4-2-4, mais vertical e reativo quando preciso, tem sido preparado justamente para os grandes enfrentamentos da Copa do Mundo há um ano. Portanto, é a tendência contra Marrocos, na estreia do dia 13, no duelo considerado mais difícil do grupo C. Para o confronto, Ancelotti também pretende pesar a parte física, e no amistoso nomes como Luiz Henrique e Bruno Guimarães – que voltou de lesão – indicaram estar abaixo neste momento. Porém, terão tempo para se prepararem.
Nesse contexto, abre-se brecha para a entrada de meias com intensidade para um jogo de transição, tanto por dentro, como eventualmente pelos corredores, jogo que Paquetá e Danilo conseguiram fazer no segundo tempo. Outro que entrou bem no quesito físico foi o atacante Igor Thiago. As atuações encheram os olhos de Ancelotti, mas o italiano ponderou o nível do enfrentamento e lembrou que é preciso analisar as fases ofensiva e também defensiva do jogo.
— Igor Thiago é um perfil de atacante que a equipe precisa porque em alguns momentos do jogo, sob pressão, pode jogar a bola para ele, é muito forte, controla. Vamos jogar com três meias… Acho que a estrutura defensiva é 4-4-2. Depois eu posso escolher como hoje, que Vini e Raphinha eram os dois na frente, Cunha extremo esquerdo. Quando não tem a bola, na primeira parte Cunha era esquerdo, com Casemiro, Bruno, Luiz Henrique. Posso colocar um meia ou um lateral como extremo. Depois há que equilibrar o aspecto defensivo com ofensivo. Isso vai ser o tema até o primeiro jogo.
A explicação de Ancelotti parte justamente da versatilidade e boa condição física de Cunha, que de atacante se transformou em um terceiro meia. A dúvida é justamente se vale insistir com ele ou encaixar um jogador da posição. Paquetá chamou atenção contra o Panamá exatamente por isso. Danilo Santos, da mesma forma, agregou em parte física e poder de chegada na área, o que Cunha como um meia não conseguiu entregar até agora. Ou seja, pelo cenário de disputa, há risco até para Casemiro e Bruno Guimarães, titulares indiscutíveis de Ancelotti durante o último ano.
– Começamos a segunda etapa com o Paquetá mais aberto no aspecto defensivo, e ele tinha que jogar por dentro. Em uma parte do jogo, o Danilo jogava pela esquerda, e o time estava equilibrado. Mudavam a posição, mas tinham o mesmo papel. A atuação do Paquetá foi muito boa a nível de qualidade, de posse de bola, marcou, deu assistência, foi um nível muito alto – elogiou Ancelotti.
Além das dúvidas, o amistoso contra o Panamá trouxe também boas notícias. A começar pelo gol. Alisson retornou depois de um bom tempo parado pelo Liverpool por conta de uma lesão muscular e tranquilizou para a estreia contra Marrocos.
– Estou 100%. Lógico que o ideal é ter a maior quantidade de jogos possível, mas pude jogar o último jogo da temporada pelo Liverpool e joguei hoje também aqui. Já tenho um pouco de experiência que ajuda nesse processo de não precisar jogar tanto para ter ritmo –, disse o goleiro.
Nos Estados Unidos, Ancelotti também receberá os reforços de Marquinhos e Gabriel Magalhães, zagueiros que disputaram a final da Liga dos Campeões. A expectativa segue também para a volta de Neymar, que ainda se recupera de lesão na panturrilha direita. Segundo Ancelotti, quando estiver disponível, o camisa 10 vai brigar pelas vagas de Vini Jr e Raphinha. Na posição, Endrick corre por fora. Rayan, que fez um golaço contra o Panamá, é alternativa a Luiz Henrique na direita.
– Ele (Neymar) vai ter que jogar por dentro. Não vai jogar por fora, como extremo, como ponta ou meia ponta. A posição que jogaram Vini ou Raphinha. Vai ser uma dessas posições. Como disse, se coloco Paquetá à frente na esquerda, sei que não pode jogar como um extremo. Mas no aspecto defensivo pode fechar na lateral. Até a Copa, quero criar um pouco de suspense, porque se não, não temos o que falar. É uma ajuda a vocês. Acabou o tema Neymar, então esse é um bom tema para estar atento – brincou o italiano na conversa com os jornalistas no Maracanã, deixando a decisão no ar.
BS20260602060111.1 – https://extra.globo.com/esporte/noticia/2026/06/parte-fisica-e-atuacao-de-meias-selecao-embarca-para-a-copa-do-mundo-com-duvidas-e-disputa-acirrada.ghtml

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