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Pablo Ferrari, da Assessoria Pericial de San Isidro, também contestou que o ex-jogador agonizou antes de morrer

Um perito oficial que atua no julgamento da morte de Diego Armando Maradona afirmou nesta terça-feira (22) que não é possível descartar a possibilidade de o ex-jogador ter morrido em decorrência de Covid-19 e classificou o episódio como uma “morte fulminante”. Pablo Ferrari, da Assessoria Pericial de San Isidro, também contestou a tese de que o ídolo argentino teria passado por cerca de 12 horas de agonia antes de morrer, segundo informações do jornal argentino Clarín.
Ferrari foi a última testemunha ouvida no segundo julgamento sobre a morte de Maradona e seu depoimento era um dos mais aguardados do processo. Suas conclusões apresentam diferenças substanciais em relação aos resultados da Junta Médica, formada por mais de 20 profissionais.
— Não podemos descartar que não tenha morrido de Covid. O falecimento de Maradona foi em plena pandemia — afirmou Ferrari, durante o interrogatório feito pelo advogado Vadim Mischanchuk, defensor da psiquiatra Agustina Cosachov.
Segundo o perito, a Covid-19 poderia provocar uma evolução extremamente rápida e levar à morte em poucas horas.
Ferrari analisou exames realizados por Maradona nos últimos anos e afirmou que não encontrou, nos indicadores de função hepática, alterações que exigissem uma intervenção médica emergencial. De acordo com ele, os exames apresentavam resultados normais em 2018, uma piora leve em 2019 e alterações mais significativas em 2020, ainda dentro de uma margem que não demandaria atendimento de emergência.
Ao abordar as circunstâncias da morte, o perito afirmou que Maradona teria acumulado líquido nos pulmões em um intervalo curto, que poderia ter variado de minutos a poucas horas.
A conclusão apresentada por Ferrari diverge da acusação, que sustenta que Maradona passou aproximadamente 12 horas em agonia antes de morrer.
O perito afirmou que o acúmulo de líquido nos pulmões teria provocado um edema agudo pulmonar e, consequentemente, um quadro de sufocamento que levou à parada cardíaca.
— O período agônico é de poucos minutos a escassas horas. A agonia nós entendemos como o último período da vida. Aqui, Maradona sofreu um infarto, teve sua arritmia e um edema agudo de pulmão que acabou o sufocando. É difícil pensar que uma pessoa com edema agudo de pulmão ficou horas se sufocando. Esse período foi curto. Não posso sustentar academicamente que tenha tido longas horas de agonia. Foi súbito — explicou.
Ferrari resumiu sua interpretação afirmando que Maradona morreu de uma parada cardiorrespiratória provocada por uma falha ventricular cardíaca, que teria causado o edema agudo de pulmão.
Depois de um intervalo, Ferrari passou a ser questionado pelas partes acusadoras. O interrogatório conduzido pelo fiscal-geral adjunto de San Isidro, Patricio Ferrari, teve momentos de tensão.
Um dos questionamentos envolveu a composição da perícia. O trabalho foi assinado apenas pelo médico-legista Pablo Ferrari, que reconheceu não ser cardiologista.
— Fiz mais de cinco mil atuações periciais. Acho que conquistei o critério para falar de conceitos de cardiologia — respondeu.
O fiscal também perguntou se o perito havia participado do processo sobre a morte de Alejandro Cohn, irmão do cineasta Mariano Cohn. Nesse caso, Ferrari também havia produzido uma perícia que divergia das conclusões de um grupo de médicos. O episódio provocou uma discussão entre a defesa e os integrantes do tribunal.
Outro ponto levantado durante o interrogatório foi a análise dos últimos dias de vida de Maradona. Questionado sobre possíveis sinais de alerta nos registros médicos, Ferrari afirmou que havia lido a perícia, mas não todo o material porque algumas partes estavam ilegíveis, já que haviam sido escritas à mão.
— O que não entendi, não avaliei — disse.
A afirmação surpreendeu o juiz Gaig, que questionou se o perito havia chegado às suas conclusões sem ter analisado integralmente o documento. Ferrari confirmou.
Ferrari foi o 74º depoente ouvido no segundo julgamento sobre a morte de Maradona, que já teve 44 audiências. O primeiro julgamento foi anulado após o escândalo envolvendo a então integrante do tribunal Julieta Makintach e a gravação de um documentário sobre o caso.
O segundo debate é conduzido pelo Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, formado pelos juízes Alberto Gaig, Alberto Ortolani e Pablo Rolón.
As partes acusadoras apresentarão suas alegações finais nos dias 8, 13 e 14 de outubro. As defesas terão a palavra em 20, 21 e 22 de outubro.
O julgamento terá uma nova etapa em 29 de setembro, quando os réus que desejarem poderão prestar depoimento.
BS20260922223817.1 – https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/09/22/perito-diz-em-testemunho-que-maradona-teve-morte-subita-e-suspeita-de-covid-19-como-causa.ghtml

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