Petrobras faz nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Foz do Amazonas
2 de outubro, 2026
| Por: Agência O Globo
Achado foi feito no mesmo poço em que a estatal havia identificado óleo em agosto, Morpho. Empresa vai perfurar mais poços no ano que vem para delimitar a reserva
Sonda NS42, também chamada de ODNII, é usada para perfurar bloco da Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial — Foto: Divulgação
A Petrobras informou que fez uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Bacia da Foz do Amazonas. A descoberta foi feita no bloco FZA-M-59, localizado no estado do Amapá. O achado é um novo intervalo no mesmo poço, batizado de Morpho, em que a estatal havia encontrado óleo na região. A primeira descoberta foi anunciada em 14 de agosto.
“A continuidade da operação da perfuração do poço, após a descoberta divulgada em agosto de 2026, teve o objetivo de avaliar intervalos exploratórios mais profundos e permitiu a realização dessa nova descoberta, identificada por meio de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos obtidos durante as operações”, disse a Petrobras em nota.
O poço tem profundidade total de 7.081 metros, dos quais 2.886 metros correspondem à lâmina d’água, ou seja, a distância entre a superfície da água e o “chão” do mar. Segundo fontes, as informações exatas sobre a profundidade das descobertas serão mantidas sob sigiloso porque esses dados podem revelar informações estratégicas às outras petroleiras que atuam na região.
O geólogo Pedro Zalan, que estuda a área desde os anos 1980, explica que o reservatório de petróleo no local tem o formato de um lençol, ou de um canal. Essa formação geológica, conhecida como arenitos turbidíticos, é composta por várias camadas, havendo a possibilidade de ter petróleo em outros níveis de profundidade.
— O petróleo se encontra distribuído entre vários reservatórios de arenitos turbidíticos, em níveis diferentes, superpostos ou não, apresentando geometrias em formas de lençóis ou canais e com espessuras mais discretas, da ordem de dezenas de metros.
Por isso, após a descoberta do primeiro petróleo, a Petrobras continuou perfurando o poço em outras profundidades. A previsão é que a perfuração seja concluída neste mês.
— Ter um segundo reservatório no mesmo poço é relevante. Agora, vamos entender os volumes e a extensão deles — diz uma fonte.
Análises indicam petróleo de boa qualidade
A nova descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá informações adicionais para a avaliação do potencial da Bacia da Foz do Amazonas. Esta é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e é uma promissora fronteira petrolífera.
No caso da descoberta divulgada em agosto, “as análises já realizadas permitem confirmar a boa qualidade do petróleo encontrado”, diz a Petrobras. De acordo com fontes, essas análises indicam um grau API entre 35 e 40 Quanto maior o grau API, mais leve é o petróleo e, em geral, maior tende a ser seu valor para as refinarias.
A empresa vai perfurar mais poços na região com objetivo de delimitar o tamanho da reserva. Esses poços, chamados adjacentes, vão começar a ser perfurados em janeiro de 2027, após a chegada da plataforma de perfuração NS-43, atualmente no campo de Búzios.
A autorização foi concedida pelo Ibama no início de setembro. Os poços foram batizados de Manga, PAD Morpho e Crotalus.
Também está em andamento o processo de licenciamento ambiental de outros blocos da região, como os de número 57, 86, 88, 125 e 127. Todos eles, assim como o bloco 59, onde foi perfurado Morpho, foram arrematados na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
No ano passado, foram arrematados outros 19 blocos exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras e a americana ExxonMobil ficaram com dez áreas, em um consórcio com participação de 50% para cada companhia.
Já a americana Chevron e a chinesa CNPC Brasil arremataram outras nove áreas, também em parceria. Outras duas petroleiras, a brasileira Brava Energia e a PRIO, também possuem áreas na região.
Do Rio Grande do Norte à Guiana
Com 2.200 quilômetros na costa brasileira, a Margem Equatorial se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá. Segue ainda por países vizinhos, até a Guiana. Trata-se de uma região marítima com alto potencial petrolífero que se formou durante a abertura do Oceano Atlântico, a partir da fragmentação do antigo supercontinente Gondwana e da separação entre a América do Sul e a África.
Desde 2015, a Guiana acumulou descobertas de petróleo que levaram a estimativa de quase 11 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis apenas no bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil. No Suriname, descobertas no bloco 58 também confirmaram a presença de reservas.
A Bacia da Foz do Amazonas é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial no Brasil. Apenas uma dessas cinco bacias, a Potiguar, já tem exploração de petróleo. Se as previsões de que a Foz do Amazonas abriga uma grande reserva de petróleo se confirmarem, será um novo marco na exploração petrolífera do Brasil.
A Petrobras descobriu petróleo em águas profundas na Bacia de Campos em 1974 e se tornou referência global para exploração deste tipo.